ENQUETES

O que você achou da eliminação da seleção brasileira da Copa da Rússia?

PUBLICIDADE

Variedades / DESAPARECEU REPENTINAMENTE
16.05.2018 | 10h45
Tamanho do texto A- A+

Vítima de desabamento de prédio em SP já foi dada como morta em 2009

Ex-vizinhos contam que Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro morou em Sorocaba e que boato dizia que ele havia morrido há quase dez anos

Arquivo pessoal

Clique para ampliar

Amigo guardou foto de Ricardo desde 2009 (à esquerda); (à direita) foto mais recente da vítima do incêndio em SP (

DO G1

O desabamento do prédio em chamas no Centro de São Paulo na madrugada de 1º de maio comoveu o país. No entanto, a imagem dos últimos segundos de vida de Ricardo Oliveira Galvão Pinheiro, 39 anos, antes de desaparecer em meio aos escombros, chocou amigos de Sorocaba, que achavam que ele estava morto desde 2009, época em que sumiu repentinamente.

O G1 esteve no endereço onde atualmente há uma casa vazia e vizinhos cheios de lembranças de “Karatê”, como Ricardo era conhecido no bairro Santo André 2, por ter ensinado artes marciais para crianças nas horas vagas na garagem do imóvel.

O homem foi descrito pelos moradores como uma figura carismática no tempo que morou na região, entre 2005 e 2009.

Emocionado em falar sobre o amigo de longa data, o ex-vizinho Mauro Vagner Pereira conta que Karatê desapareceu repentinamente e ninguém teve mais notícias até o incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, na capital paulista.

A tristeza com o flagrante da imagem de Ricardo quase resgatado após salvar crianças veio em dobro. Os amigos pensavam que ele já estava morto, por conta de um boato espalhado na época do sumiço.

Em Sorocaba, Karatê chegou a trabalhar em uma padaria. Depois de um ano, ele entrou na Justiça contra o comércio por não ter registro profissional e desapareceu durante o processo.

O desaparecimento de Ricardo chamou a atenção até da Justiça. Em uma das audiências, o advogado do empregador chegou a relatar a notícia, não confirmada, sobre o falecimento do ex-funcionário.

Conforme a ata da audiência, o advogado de Ricardo informou que realmente não conseguia encontrar o cliente.

Em um despacho, de 2011, o juiz do trabalho cita a "notícia de falecimento". A proposta era que ele recebesse R$ 3.600. Mas como não foi localizado o processo foi arquivado.

‘Cara digno’

Outro vizinho, Everton Henrique dos Santos era chamado por Ricardo como "primo". O rapaz soube da morte no incêndio em SP por uma amiga em comum.

Everton conviveu por cerca de dois anos com Ricardo. O técnico em manutenção lembra que Karatê brincava com as crianças da rua e chegou a dividir a comida que tinha na geladeira de casa com moradores de rua.

O convívio na vizinhança era aos dias de semana. Sábados e domingos, segundo o amigo, ele falava que ia se encontrar com a filha, que morava com a sogra dele em um bairro próximo.

Sobre a infância, Karatê se limitava em dizer que a mãe já havia morrido e que chegou a morar na rua.

“Dizia que infância foi dolorida, lutou muito com a vida, o sonho dele era o karatê que ele praticava. Ele gostava disso daí. Ele tinha o sonho de participar de campeonatos. Depois a idade foi acabando com o sonho dele”, completa Mauro.

O corpo de Ricardo foi encontrado pelos bombeiros dias depois do desabamento e enterrado em um cemitério da Zona Leste de São Paulo.

13 dias de buscas

Os bombeiros trabalharam por 13 dias no local do desabamento do prédio Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandu, no Centro de São Paulo.

Cerca de 1,7 mil homens buscaram vítimas nos escombros do edifício revezando turnos de 12 horas, inclusive bombeiros do interior de São Paulo.

Cerca de 3 mil toneladas de entulhos foram retirados do local do acidente. Foram identificados o Ricardo Galvão, Francisco Lemos Dantas, de 56 anos, e os gêmeos Wendel e Werner.

Nesta terça-feira (15), a polícia incluiu o advogado Alexandre de Menezes na lista de desaparecidos. Além dele, outras quatro pessoas continuam sumidas:

    Selma Almeida da Silva, 40 (mãe dos gêmeos);
    Eva Barbosa Lima, 42;
    Walmir Sousa Santos, 47;
    Gentil de Souza Rocha, 53.

Para as famílias que permanecem acampadas no Largo do Paissandu foi oferecido o aluguel-social no valor de R$ 1.200 no primeiro mês, mais R$ 400 mensais.

Incêndio

O incêndio que atingiu o edifício e provocou o desabamento foi causado por um curto-circuito em uma tomada no quinto andar, segundo depoimento de uma sobrevivente à polícia.

A sobrevivente Walkiria Camargo dos Nascimento disse em depoimento que o fogo começou na tomada onde estavam ligados três aparelhos eletro-eletrônicos: micro-ondas, geladeira e TV.

Segundo o relato, na hora do incêndio, por volta de 1h30, todos dormiam.

O edifício Wilton Paes de Almeida pertencia ao governo federal desde 2002. O edifício foi colocado para leilão em 2015, por R$ 24 milhões, mas ninguém o adquiriu.

Em 2017, o imóvel foi cedido para a Prefeitura de São Paulo para a instalação da Secretaria da Educação e Cultura da cidade, segundo o Ministério do Planejamento. No entanto, o processo de transferência não havia sido finalizado.

 

Reprodução/TV TEM

juiz

Juiz chegou a considerar morte de Ricardo em 2011

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/vitima-de-desabamento-de-predio-em-sp-ensinava-karate-a-criancas-e-foi-considerado-morto-em-2009.ghtml




Clique aqui e faça seu comentário


0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia
1999-2018 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados

Ver em: Celular - Web