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Política / EFEITO GRAMPOS
17.07.2017 | 14h15
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Taques: “Desembargador tem que revelar quem o ameaçou"

Orlando Perri disse que “forças ocultas” estariam atuando para retirá-lo do caso das escutas ilegais

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O governador Pedro Taques: desembargador deve revelar autor de ameaças

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O governador Pedro Taques (PSDB) afirmou que o desembargador Orlando Perri precisa revelar o nome da pessoa que o teria ameaçado, em razão de ele estar conduzindo - no âmbito do Tribunal de Justiça - as investigações sobre o suposto esquema de escutas telefônicas ilegais operadas por um grupo da Polícia Militar no Estado.

 

Na última semana, Perri disse, sem citar detalhes, que vem sofrendo intimidações e afirmou que “forças ocultas” estariam atuando para retirá-lo do caso.

 

De antemão, o desembargador disse que não se deixará intimidar pelas ameaças e que os fatos apenas o estimulam a continuar à frente das investigações.

 

“Penso que ele tem que revelar quem está ameaçando. Tem que colocar no papel. Quando eu fui ameaçado, eu coloquei no papel”, disse o governador, ao ser questionado sobre o assunto na manhã desta segunda-feira (17).

 

Penso que ele tem que revelar quem está ameaçando. Tem que colocar no papel. Quando eu fui ameaçado, eu coloquei no papel

“Juiz não pode investigar”

 

O governador também comentou a decisão do pleno do Tribunal de Justiça, que, por unanimidade, negou pedido Ministério Público Estadual (MPE) e manteve a tramitação da notícia-crime que apura o esquema de grampos.

 

O procurador-geral de Justiça, Mauro Curvo, havia pedido o arquivamento da notícia-crime apresentada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT). Na investigação, a OAB-MT aponta a possível participação de membros do MPE no esquema.

 

Taques disse entender que não cabe ao juiz realizar a investigação.

 

“Nós temos que respeitar o Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Decisão judicial se respeita. E se recorre, se não concordar. Foi uma posição do MPE. Em tese, academicamente, entendo que juiz não pode investigar. Aliás, no Brasil vigora o processo penal acusatório. Está no artigo 129, inciso 1 da Constituição”, concluiu o governador.

 

Escutas ilegais

 

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano ao Ministério Público Federal (MPF), pelo promotor Mauro Zaque, que era secretário de Estado de Segurança Pública na época dos fatos, em 2015. 

 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

 

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques (PSDB) em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra Zaque.

 

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

 

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

 

Ao pedir a quebra dos sigilos dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

 

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha partiu da Comarca de Cáceres, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

 

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Helio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

 

O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

“As ameaças me incentivam ainda mais; só saio se me matarem”

 

TJ-MT contraria MPE e mantém a investigação sobre grampos

 

Perri nega grampos ilegais: “Querem me afastar do processo”

 

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