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Política / A ORIGEM
13.09.2017 | 22h00
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Silval: Pagot fez dívida de R$ 130 milhões e Maggi ficou com “raiva”

Delator diz que atual ministro autorizou que Eder Moraes operasse esquema com bancos para pagar dívida

Alair Ribeiro/MidiaNews

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O ex-governador Silval Barbosa, que fez delação premiada ao MPF

THAIZA ASSUNÇÃO
DA REDAÇÃO

O ex-governador de Mato Grosso Blairo Maggi (PP) ficou com “muito nervoso e com raiva” ao descobrir uma dívida de R$ 130 milhões feita pelo seu então secretário de Infraestrutura (Sinfra), Luiz Antônio Pagot, com diversas construtoras que prestava serviço para o Estado, entre 2005 e 2006.

 

Para pagar a débito, Blairo que hoje é o atual ministro da Agricultura, autorizou que Eder Moraes operasse um esquema de "engenharia financeira de empréstimos com bancos” para resolver o problema.

 

A informação consta na delação premiada firmada entre o ex-governador Silval Barbosa e a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologada pelo ministro Luiz Fux, do SupremoTribunal Federal (STF).

 

Silval disse que soube do esquema enquanto ainda era deputado estadual e confirmou "a existência da dívida no início do ano de 2007, quando ocupou cargo de vice-governado do Estado".

 

Diante da autonomia que Pagot tinha dentro da Sinfra, Blairo Maggi somente tomou conhecimento da dívida depois que ela atingiu um montante vultuoso e se tomou, um problema que Pagot não poderia resolver sozinho

De acordo com o delator, Pagot tinha total autonomia no governo Maggi, mas que usou dessa prerrogativa para executar várias obras irregulares em Mato Grosso, muitas inclusive sem qualquer processo licitatório.

 

Por conta desta situação, segundo Silval, no início de 2006, a dívida do Estado com construtoras passava de R$ 130 milhões e o Executivo não possuía as receitas orçamentárias necessárias para quitar tal dívida.

 

“Diante da autonomia que Pagot tinha dentro da Sinfra, Blairo Maggi somente tomou conhecimento da dívida da Sinfra depois que ela atingiu um montante vultuoso e se tomou, um problema que Pagot não poderia resolver sozinho, pois precisaria de dinheiro e orçamento", disse Silval.

 

"Blairo Maggi ao tornar conhecimento ficou muito nervoso e com raiva e determinou que Pagot procurasse Eder de Moraes (que na época estava no MT Fomento), pois Blairo Maggi dizia que Eder havia trabalhado no sistema  financeiro por muitos anos e que com a experiência de Eder poderiam encontrar a solução para resolver o problema dessas dívidas do Estado em face das construtoras”, diz trecho da delação.

 

Em uma reunião com Antonio Pagot, Waldir Teis (secretário de Fazenda) e Blairo Maggi, Eder Moraes propôs acionar instituições financeiras para propor um negócio fraudulento, segundo Silval.

 

A ideia era que os bancos fizessem financiamento perante as construtoras que tinham créditos a receber do Estado. O Estado, por sua vez, saldaria a dívida com os bancos Bic, Dacoyval e BMG. Como garantia, o governo emitiria cartas garantindo o pagamento dos financiamentos.

 

“A reunião foi concluída, tendo Blairo Maggi concordado com a ideia de Eder Moraes determinado a Eder que executasse o plano traçado na reunião”, diz outro trecho da delação.

 

Marcus Mesquita/MidiaNews

CPI COPA 2 PAGOT

O ex-secretário de Estado de Infraestrutura Antonio Pagot

“Tenho ciência de que alguns representantes dos bancos vieram até o Estado de Mato Grosso, sendo que Blairo Maggi teria se reunido com os presidentes dos bancos e dado 'carta branca' para que Eder Moraes falasse e agisse em seu nome".

 

"Tenho certeza de que os bancos Bic Banco, Daycoval  e BMG operaram nesse sistema; no entanto, o que mais operou foi o Bic Banco, tendo em vista que Eder Moraes já havia trabalhado em tal instituição financeira”, afirmou.

 

Segundo Silval, mesmo sistema foi usado para pagar não só as construtoras, mas vários tipos de credores.

 

 

“Inicialmente tal sistema visava pagar as construtoras tendo em vista que o Estado de Mato Grosso  não tinha como pagá-las tempestivamente no ano 2005, no entanto, Eder Moraes com o conhecimento dos secretários da Sinfra Luiz Pagot, e Vilceu Francisco Marcheti, e ciência e aval de Blairo Maggi, começou a se utilizar de  tal sistemática sempre que necessitava de recursos para a quitação de compromissos assumidos pelo governo Maggi, dentre eles uma dívida perante o Banco Daycoval  que estava em tomo de R$ 3 três milhões”, pontuou. 

 

Outro lado 

 

Em nota, Blairo Maggi negou as acusações. A reportagem não conseguiu contato com Antonio Pagot e Eder Moraes. 

 




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