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Política / COPA EM CUIABÁ
10.06.2018 | 10h00
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Políticos: momentos de alegria trouxeram longo período de desgosto

Deputados avaliam legados da Copa; analista diz que obras estão inacabadas por culpa de políticos

Alair Ribeiro/MidiaNews

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Obras abandonadas do VLT: retrato da incompetência

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Sede de quatro jogos da Copa do Mundo de 2014, Cuiabá recebeu obras na ordem de pouco mais de R$ 2,1 bilhões. Menos da metade, porém, estava completamente concluída assim que ocorreram os jogos. Quatro anos depois, políticos mato-grossenses avaliam que os poucos momentos de alegria trouxeram longos períodos de desgostos à população.

 

Nesta terça-feira (12), completam quatro anos do evento no País. No dia seguinte, quatro anos do primeiro jogo em Cuiabá, entre Chile e Austrália. E o MidiaNews publica uma série de reportagem, nesta semana, a respeito da Copa na Capital.

 

Para o governador Pedro Taques (PSDB), que herdou ao menos 21 obras da gestão Silval Barbosa, o saldo foi “negativo” por conta de todos os casos de corrupção envolvendo as obras.

 

“Um emblema desse resultado é o VLT. A operação Descarrilho, da Polícia Federal, mostrou aquilo que já imaginávamos. A investigação apurou os crimes de fraude no procedimento licitatório, associação criminosa, corrupção ativa e passiva. A corrupção começou desde a escolha do modal, quando trocaram o BRT pelo VLT. E a execução da obra também foi uma fraude. Agora, estamos consertando a bagunça deixada”, disse.

 

O tucano disse que a corrupção era sistêmica na gestão passada e atrapalhou o legado.

 

As obras foram mal planejadas e em um determinado momento, a cidade virou um caos. E muitas ficaram inacabadas

À época do evento, as principais obras não estavam prontas, inclusive a Arena Pantanal, que recebeu os jogos.

 

Desde o fim da gestão do ex-governador Silval, já com Taques no Palácio Paiaguás, onze empreendimentos foram entregues, cinco estão em andamento. Outras cinco passam por período de renegociações com as empresas responsáveis. Outras maiores, como o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) estão indefinidas na Justiça.

 

“Cuiabá e Várzea Grande estavam animadas com a ideia de receber jogos da Copa, mas também, sobretudo, com a possibilidade de benefícios para a cidade. Mas vimos como a incompetência e a corrupção atrapalharam a vida do cidadão. As obras foram mal planejadas e em um determinado momento, a cidade virou um caos. E muitas ficaram inacabadas”, afirmou.

 

“Por conta desse mau planejamento, e toda a corrupção que maculou os processos, tivemos que retomar as obras que estavam paradas. E conseguimos finalizar 11 das 21 obras herdadas. Claro, além de consertar o estrago, ao mesmo tempo, demos prosseguimentos em outras obras importantes”, disse.

 

O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) admitiu que as oportunidades trazidas pelo evento não foram plenamente aproveitadas, mas disse preferir ver "o lado positivo". À ocasião dos preparativos, como deputado, ele participou da comissão que fiscalizou o andamento das obras e foi um dos principais defensores do VLT.

 

"No final das contas, valeu a pena, porque Cuiabá foi projetada para o mundo, uma visibilidade que jamais teríamos em outra situação. Apenas isso, para uma Capital emergente como a nossa, já é um legado muito positivo. Outro ponto foram os recursos que vieram e permitiram a implantação de obras que hoje são muito importantes. Imagine a Miguel Sutil sem as trincheiras e o viaduto?", questionou o prefeito.

 

O deputado José Domingos Fraga (PSD), que estava no Legislativo naquele ano, disse que a Copa valeu a pena pela paixão do brasileiro, mas o custo-benefício não teve saldo positivo. Ele disse acreditar que um investimento em logística multimodal teria um retorno melhor que a Copa.

 

“Se analisar o custo-benefício, não valeu a pena. Porque até hoje a sociedade está pagando essas obras. Quase 90% das obras estão inacabadas. São custos imensuráveis que o Governo está bancando para manter estruturas gigantescas, que foram usadas em apenas alguns eventos e que vão ficar de forma ociosa por algumas décadas”, disse.

 

Tony Ribeiro/MidiaNews

Cot do Pari

COT do Pari, em Várzea Grande é uma das obras inacabadas da Copa do Mundo em Cuiabá

“Me recordo que a população foi para o Choppão [tradicional restaurante em Cuiabá] vibrar, fazer um carnaval. E hoje estamos pagando caro por aquele momento de alegria e euforia. A sociedade aplaudiu, mas hoje sente na carne o quanto aqueles pequenos momentos de alegria está nos trazendo longos períodos de desgosto”, afirmou.

 

Para o deputado Oscar Bezerra (PV), que não era parlamentar à época, mas presidiu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre as obras inacabadas, afirmou que o País não estava preparado para receber o volume de investimentos que recebeu.

 

“Tem os dois lados da moeda. O positivo são as trincheiras funcionando, o melhor fluxo do trânsito de Cuiabá. E os negativos são as dívidas herdadas, que são monstruosas. Os elefantes brancos como a Arena Pantanal ou o VLT que está apodrecendo”, disse.

  

“Não é só Mato Grosso, mas o Brasil não estava preparado financeiramente e estruturalmente para receber Copa do Mundo ou Olimpíadas. Esses eventos colocaram o País em uma dívida desnecessária, em um desgaste desnecessário, e produziu centenas e milhares de corruptos”, afirmou.

 

Saldo positivo

 

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), defendeu que a Copa foi importante para a Capital. Além de realizar um desejo do cuiabano, em ser visto mundialmente, trouxe diversas obras de infraestrutura.

 

“Queira ou não, vieram muitos benefícios para cá. Vieram trincheiras, o estádio, reformas e outras obras importantes. Há sim obras que estão enroladas até hoje, mas por incompetência. O dinheiro veio, vieram condições. No frigir dos ovos, falo que foi positivo, sim”, disse.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Montagem Obras da Copa 3

O governador Pedro Taques, o prefeito Emanuel Pinheiro e os deputados Eduardo Botelho e José Domingos Fraga: obras inacabadas

Para o vice-líder do Governo, deputado Wilson Santos (PSDB), Cuiabá não recebia o volume de investimentos desde a gestão Julio Müller, nos anos de 1934 a 1945.

 

“A Copa trouxe, sim, legado. É claro que há problemas, atrasos, mas não podemos ser injustos. Cuiabá ganhou um pacote de obras que levaria uma ou duas décadas para receber. Trincheiras, viadutos, uma nova Arena. Isso é inegável. Temos que ser justos e fazer política com seriedade. É um pacote de obras inédito na história”, afirmou.

 

O tucano disse que a Capital “pecou nos detalhes” e a malversação do dinheiro público atrapalhou o resultado final.

 

“Não estávamos preparados para um pacote de obras dessa magnitude. Segundo, a elaboração dos projetos, pelo açodamento, teve muitos erros, equívocos, que precisaram ser corrigidos durante a execução. Terceiro, a má intenção de alguns gestores, alguns governantes, alguns gatunos, que não perderam a oportunidade de se dar bem”, disse.

 

“Outro problema é a utilização de materiais de baixa qualidade em algumas obras. Enfim. Esse é um conjunto de fatores que retardaram as obras. Mas Valeu a pena e se tiver outra, temos que lutar. Falo com olhos de professor de história. Cuiabá ganhou muito com a Copa. É outra cidade, bem melhor”, completou.

 

Culpa dos políticos

 

Para o analista político Onofre Ribeiro, o principal mérito da Copa do Mundo foi trazer grandes investimentos em infraestrutura urbanística.

 

Alair Ribeiro/MidiaNews

Onofre Ribeiro

O analista político Onofre Ribeiro: Copa trouxe legado de investimentos a Cuiabá

“A Copa como evento, não teve importância nenhuma. Agora, o que ela trouxe de relevante, e isso não podemos negar, é que Cuiabá estava há 30 anos sem nenhum investimento significativo em infraestrutura urbana. Com a Copa, veio uma quantidade de obras, de investimentos grandes. Se foi bem ou mal administrado, já está sendo julgado, inclusive pela própria sociedade. Mas mudou a cara da cidade”, disse.

 

“Se há obras inacabadas foi por conta da má gestão do Governo. A Assembleia, que tinha o papel de fiscalizar, não fiscalizou. Pelo contrário. Tentou tirar proveito. Então, a culpa das obras mal feitas é do Silval e dos políticos, em especial os deputados”, afirmou.

 

Onofre disse acreditar que a população apoiou o evento no “calor do momento” e que hoje, dificilmente, aceitaria uma nova Copa sem o devido planejamento.

 

“Foi feito na emoção, Cuiabá contra Campo Grande. Aquele resquício da rusga da divisão. Foi uma coisa emocional, não foi pensada, nem planejada. Ganhamos e não tínhamos projetos. Hoje, não creio que venha para cá algum evento grande daquele modo. Hoje, teria que ser discutido e planejado. Foi feito no emocional e hoje a população não aceita mais isso. Aprendeu. A dor ensina”, completou.




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17 Comentário(s).

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Maria Rita  11.06.18 14h56
QUEREMOS O VLT PRONTOS CAMBADA DE INCOMPETENTES.CHEGA DE BLÁ BLÁ. BLÁ. VAMOS BOTAR O VLT RODANDO NOS TRILHOS. OLHE PARA O FUTURO E NÃO OAR A O DEDÃO DOS PÉS. PENSEM GRANDE E NÃO TENHAM A MENTE DE UM CACHORRO VIRA LATA.
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rodrigo  11.06.18 14h37
Quem comemorou a vinda da copa para Cuiaba não pode reclamar. Todos já sabíamos que isso iria acontecer. Ou nao?
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Marlon  11.06.18 11h04
O Brasil jamais poderá sediar outra copa do mundo. Vexame dentro de campo. Roubalheira fora do Campo. E assim será para todo o sempre. Infelizmente.
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Robélio Orbe  11.06.18 09h55
Morador próximo a Arena Pantanal participei de inúmeras reuniões no Ginásio de Artes Marciais e o projeto apresentado era o BRT; do nada, a toque de caixa mudaram o projeto para o VLT. Não necessitava ser perito em engenharia para dizer que o VLT não ficaria pronto para a Copa da FIFA em Cuiabá, pois na época, fiz várias afirmações de que não teríamos o VLT. Independente das demais obras que foram realizadas o VLT faz parte da história de Mato Grosso como o maior escândalo de corrupção, uma vergonha que jamais será apagada. FOI UM ATO DE TRAIÇÃO DOS POLÍTICOS DE DEFENDERAM ESTE PROJETO.
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Jônatas Araújo Ferreira  11.06.18 09h45
A copa foi uma bela maneira encontrada para que mais uma vez o dinheiro publico fosse saqueado. Ela nos trouxe mais tristeza do que alegria. Jogou o nome do país na lama. mostrou ao mundo o antro de corrupção que impera no país. Um país em que a coisa pública não é tratada com seriedade, em que tem problemas sérios a serem resolvidos como saúde, educação, segurança, não pode dar ao luxo de querer sediar uma copa do mundo ou uma olimpíada. Esses eventos custam cara. É preciso muito dinheiro, projetos, gestão, fiscalização. Coisas que não faz parte da nossa cultura de jeitinho brasileiro.
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