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Política / ESCUTAS ILEGAIS
13.08.2017 | 14h00
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Perri desdobra “caso dos grampos” em seis linhas de investigação

Desembargador instaurou inquéritos diferentes para analisar a “grampolândia”

Reprodução

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O desembargador Orlando Perri, que conduz investigação sobre "grampolândia"

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desmembrou em seis linhas a investigação que apura o esquema de escutas ilegais operado por um grupo de policiais militares no Estado.

 

A primeira frente de investigação tem como foco a alegada participação de policiais militares no esquema.

 

Nessa apuração são alvos os coronéis Zaqueu Barbosa, Evandro Lesco, Ronelson Barros, o tenente-coronel Januário Batista e cabo Gerson Correa Junior.

 

Os cinco já foram denunciados pelo Ministério Público Estadual (MPE) pelos crimes de ação militar ilícita, falsificação de documento, falsidade ideológica e prevaricação.

 

Conforme a denúncia, o esquema teria sido executado por meio da técnica chamada “barriga de aluguel”, quando números de pessoas não investigadas são inseridos indevidamente em pedidos de quebra de sigilo telefônico.

 

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O coronel Zaqueu Barbosa, um dos alvos da investigação presidida por Perri

No caso em questão, a inserção ilegal ocorreu em uma investigação que tramita na Comarca de Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá), envolvendo policiais que estariam colaborando com traficantes da região.

 

Pessoas comuns e juízes

 

Outra linha de investigação conduzida pelo desembargador é quanto a participação de pessoas sem prerrogativa de foro nos crimes.

 

Um dos alvos é o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques, que deixou a prisão na sexta-feira (11), após uma semana detido.

 

Paulo Taques havia sido preso pela suspeita de ter mandado "grampear" sua ex-amante, a publicitária Tatiana Sangalli, e sua ex-assessora Carolina Mariane.

 

Depoimentos prestados no âmbito da investigação apontaram que ele teria feito a “denúncia” que embasou a interceptação ilegal das duas, no âmbito da Operação Fortis, da Polícia Civil.

 

A denúncia dava conta de um suposto plano de ambas, em conjunto com o ex-bicheiro João Arcanjo, contra a vida dele e do governador Pedro Taques.

 

Porém, em sua oitiva, Tatiane Sangalli contou que ele a monitorava por ciúmes e que chegou a demitir a então assessora após ouvir as conversas que elas mantinham ao telefone.

 

Também é apurada a suposta participação dos juízes que autorizaram as escutas feitas por “barriga de aluguel”. O objetivo é averiguar se eles tinham ciência dos ilícitos ou se foram levados a erro por policiais e/ou promotores de Justiça.

 

Estariam na investigação os juízes Jorge Alexandre Martins Ferreira e a juíza Selma Arruda, ambos atuantes na Capital.

 

Jorge Ferreira foi o magistrado que autorizou as escutas quando atuava na Comarca de Cáceres. Entre os números interceptados em uma investigação contra traficantes, foram inseridos telefones de pessoas não-investigadas, como o da deputada estadual Janaina Riva e do advogado José Patrocínio.

 

Ele já havia informado ao MidiaNews que, se houve a ilegalidade, foi levado a erro, uma vez que não teria como verificar todos os números de pedidos de escutas.

 

Já Selma Arruda autorizou as interceptações referentes à Operação Arqueiro, que teve como alvo a ex-primeira-dama Roseli Barbosa, em 2015.

MidiaNews

Paulo Taques 091116

O ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques: alvo de investigação

 

A suspeita é de que os números de toda a família Barbosa foram incluídos no pedido como se fossem de Roseli, de forma proposital, no intuito de grampear clandestinamente o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), que não era alvo da operação.

 

Interrogatório em xeque

 

Perri também investiga a suposta ilegalidade cometida pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Rogers Jarbas.

 

Conforme a apuração, Jarbas teria interrogado de forma ilegal a delegada Alana Cardoso, que foi a responsável por fazer o registro da denúncia sobre o suposto “plano” contra Paulo Taques.

 

Alana denunciou que teve sua ampla defesa e presunção de inocência violada, uma vez que foi interrogada “sem qualquer procedimento formalmente instaurado”.

 

Para a delegada, o secretário tentou investigar “transversalmente” o promotor de Justiça Mauro Zaque, que é ex-secretário de Segurança e foi o autor da denúncia sobre a existência de grampos na estrutura da Segurança Pública do Estado.

 

A acusação de Alana teve como base os questionamentos feitos por Jarbas, durante a oitiva, sobre se ela teve contato com o promotor ou se Zaque lhe pedira para realizar algum grampo.

 

Grampos no interior

 

O esquema de grampos por meio da “barriga de aluguel” é outra linha de investigação do magistrado.

 

O desembargador quer apurar se houve a prática apenas no caso em Cáceres – em que pelo menos 240 pessoas teriam sido interceptadas ilegalmente - ou se os crimes foram cometidos em outras ocasiões.

 

A última frente de investigação diz respeito às informações de que teriam ocorrido escutas clandestinas nas eleições ocorridas em Lucas do Rio Verde, em 2016.

 

O caso veio à tona com o depoimento do secretário de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), coronel PM Airton Siqueira Júnior, no início de julho.

 

Siqueira afirmou que um grupo de PMs teria sido contratado por um dos aliados do então candidato e atual prefeito Binotti, por R$ 20 mil, para espionar o ex-prefeito e candidato derrotado, Otaviano Pivetta.

 

Conforme Siqueira, o grupo teria instalado escuta ambiental e câmeras de vídeo no comitê da campanha do Pivetta, além de invadirem o escritório jurídico do candidato em um hotel no município.

 

Como os membros do grupo estavam lotados em Cuiabá, segundo Siqueira, eles teriam inventado uma história sobre compra de votos para poder viajar ao interior e fazer o “serviço”. 

 

 




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