ENQUETES

Você acha que os políticos, conselheiros e empresários alvos da PF serão condenados?

PUBLICIDADE

Política / CONTINUAM PRESOS
18.08.2017 | 18h52
Tamanho do texto A- A+

Perri: Coronel e cabo são principais responsáveis por grampos

Desembargador Orlando Perri negou, nesta sexta-feira, liberdade a Gerson Correa e Zaqueu Barbosa

Alair Ribeiro/MidiaNews

Clique para ampliar

O coronel Zaqueu Barbosa e o cabo Gerson Correa, que seguem detidos

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O ex-comandante da Polícia Militar, coronel Zaqueu Barbosa, e o cabo Gérson Correa são apontados como os principais responsáveis pelos crimes praticados pelo grupo que comandava o esquema de escutas clandestinas em Mato Grosso.

 

A informação consta na decisão proferida na tarde desta sexta-feira (18) pelo desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça (TJ-MT). No despacho, ele manteve a prisão dos dois e determinou a soltura dos coronéis Ronelson Barros e Evandro Lesco.

 

“É importante destacar, registrar, grifar e sublinhar que o Cel. PM Zaqueu Barbosa e o Cb PM Gerson Correa tiveram participação incisiva para o sucesso da empreitada criminosa, pois, sem eles, aparentemente, o grupo não teria obtido o êxito que conseguiu na escuta clandestina de autoridades, médicos, advogados, jornalistas, dentre outros cidadãos mato-grossenses”, disse Perri em trecho da decisão.

 

Ao negar liberdade aos dois militares, o desembargador listou uma série de ações praticadas por cada um deles, como forma de garantir êxito ao esquema de grampos ilegais.

É importante destacar, registrar, grifar e sublinhar que o Cel. PM Zaqueu e o Cb PM Gerson tiveram participação incisiva para o sucesso da empreitada criminosa, pois, sem eles, aparentemente, o grupo não teria obtido o êxito que conseguiu na escuta clandestina de autoridades

 

Segundo Perri, o coronel Zaqueu foi o idealizador do plano de criação do Núcleo de Inteligência da Polícia Militar, ainda em setembro de 2014. À época, ele exercia a função de subchefe do Estado Maior Geral da PM-MT.

 

Também de acordo com o desembargador, o Núcleo foi criado totalmente à margem da lei e das normativas internas da PM, não tendo outro objetivo, senão o de realizar escutas telefônicas clandestinas.

 

“Partiu dele (Zaqueu) a ideia de criação e também a função de arregimentar os operadores deste plano”, afirmou Perri.

 

“O cel. Zaqueu foi, portanto, iniludivelmente, o idealizador de todo o esquema criminoso, não só no aspecto material, como também, valendo-se da função de subchefe do Estado Maior Geral da PM-MT, ter arregimentado profissionais para trabalhar na missão, escolhendo aqueles mais habilidosos no assunto de inteligência e, notadamente, em interceptação telefônica”.

 

Na decisão, Perri afirmou ainda que a criação do tal Núcleo de Inteligência também teve êxito graças à “iniciativa”, “conhecimento” e em razão do “prestigio ostentado” pelo coronel Zaqueu Barbosa.

 

“Cabo não foi coadjuvante”

 

O cabo Gerson, segundo o desembargador, ficou responsável por toda a parte operacional do chamado Núcleo de Inteligência.  

 

Cabia a ele também a apresentação dos resultados do seu trabalho de escuta, por meio de relatórios entregues ao coronel Zaqueu.

 

“O fato demonstra, de forma incontestável, o envolvimento e a ligação de ambos na prática delituosa”, disse Perri.

 

O magistrado afirmou também que, embora seja um policial de patente mais baixa, o cabo Gerson teve “relevantíssima participação para o sucesso da empreitada criminosa”.

 

“No que tange ao cabo Gerson Luiz Ferreira Correa, em uma análise perfunctória, poder-se-ia concluir, de maneira equivocada, que ele seria o elo mais fraco do grupo criminoso, afinal estamos diante da presença de coronéis e, com base nos princípios de hierarquia e disciplina a conduta do CB Gerson Correa teria sido, em tese, apenas secundária ou de papel coadjuvante”, citou Perri.

 

Guardadas as devidas proporções, seu papel foi de igual – quiça, até maior – importância que a função exercida no grupo pelo coronel Zaqueu Barbosa

“Guardadas as devidas proporções, seu papel foi de igual – quiça, até maior – importância que a função exercida no grupo pelo coronel Zaqueu Barbosa”, argumentou o desembargador.

 

Segundo ele, tal fato pode ser comprovado, entre outros pontos, em razão da expertise do Cabo Gerson na área de inteligência, sobretudo de escuta telefônica.

 

Ainda conforme Perri, embora a ideia de criação do grupo tenha sido de Zaqueu, o sucesso somente foi possível devido ao empenho mostrado pelo cabo Gerson, no sentido de operacionalizar, orientar e instruir os demais policiais que receberam o encargo de ouvir os áudios.

 

“Neste viés, em relação a eles (Zaqueu e Gerson), entendo que subsistem os fundamentos que autorizam a prisão cautelar”, concluiu Perri.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

Desembargador decide colocar dois coronéis da PM em liberdade




Clique aqui e faça seu comentário


0 Comentário(s).

COMENTE
Nome:
E-Mail:
Dados opcionais:
Comentário:
Marque "Não sou um robô:"
ATENÇÃO: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do MidiaNews. Comentários ofensivos, que violem a lei ou o direito de terceiros, serão vetados pelo moderador.

FECHAR

Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

1999-2017 MidiaNews - Credibilidade em Tempo Real - Tel.: (65) 3027-5770 - Todos os direitos reservados