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Política / NO FACEBOOK
13.08.2017 | 13h51
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'Perdi hoje um parceiro de uma vida', diz Dilma em texto sobre a morte do ex

Postagem foi feita em seu blog, no dia seguinte a morte de Carlos Araújo, em Porto Alegre

Reprodução

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Araújo e Dilma foram casados por mais de 20 anos

G1

A ex-presidente Dilma Rousseff postou em seu blog, na manhã deste domingo (13), um texto em homenagem ao ex-marido Carlos Araújo, que morreu na madrugada de sábado (12) em Porto Alegre em virtude de complicações de doença pulmonar crônica.

 

Intitulado 'A Perda de um Companheiro", o texto chama Araújo, com quem Dilma foi casada por mais de 20 anos, de "um bravo lutador" contra a ditadura militar e pela reconstrução do trabalhismo no Brasil.

 

>Os dois se conheceram em 1969, período no qual estavam envolvidos com grupos que lutavam contra o regime militar. Casaram logo depois e tiveram uma filha em 1976, Ana Paula. "Perdi hoje um parceiro de uma vida", escreveu a ex-presidente.

 

O corpo do ex-deputado e ativista Carlos Araújo foi velado na tarde de sábado na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, no Centro da capital gaúcha. Entre familiares e amigos do político, participou da solenidade a ex-presidente Dilma Rousseff, com quem Araújo foi casado por mais de 20 anos.

 

O velório teve início às 15h, e se estendeu até as 21h, quando o corpo seria levado para uma cerimônia de cremação reservada à família. Araújo tinha 79 anos de idade. Ele estava internado desde o dia 25 de julho no Hospital São Francisco, da Santa Casa de Misericórdia.

 

A informação sobre a morte de Araújo foi divulgada no início da manhã de sábado. Conforme nota divulgada pelo médico responsável pelo tratamento de Araújo, a morte ocorreu em decorrência de complicações de doença pulmonar obstrutiva crônica, complicada por quadro cardíaco, que evoluiu para um quadro de infecção generalizada.

 

Carlos Franklin Paixão Araújo era advogado trabalhista

 

Nos anos 50 se juntou a Juventude Comunista, e durante a ditadura ajudou a formar uma organização que atuou contra o regime militar. Foi quando conheceu Dilma Rousseff. Os dois se conheceram em 1969, se casaram, foram presos juntos, e voltaram para Porto Alegre no começo dos anos 70. Em 1976 nasceu a única filha do casal, Ana Paula, que lhes deu dois netos, Guilherme e Gabriel.

 

No período em que foi presidente, Dilma sempre visitava Carlos Araújo em sua casa, na Zona Sul de Porto Alegre, onde também encontrava com a filha e com os netos. Na década de 80, Araújo foi deputado estadual pelo PDT, partido que ajudou a formar. Ele abandonou a carreira política em 2000 e passou a se dedicar ao seu escritório de advocacia em Porto Alegre. Em 2014 chegou a ser um dos mais antigos advogados trabalhistas em atividade no país.

 

Carlos Araújo foi um bravo lutador.

 

Foi um bravo lutador no enfrentamento da ditadura militar, que não conseguiu destruir nem sua força vital, nem seu caráter, nem sua coragem.

 

Foi um bravo lutador no esforço pela reconstrução do trabalhismo no Brasil, missão à qual ele e muitos companheiros se dedicaram. Carlos Araújo amou a vida, e lutou por ela, tanto quanto lutou por uma vida melhor para todos. Morreu ontem, mas viverá para sempre: em sua família, em sua companheira Ana, em seus filhos Leandro e Rodrigo, em nossa filha, Paula, em nossos netos, Gabriel e Guilherme, nos muitos amigos que fez e nos muitos admiradores que conquistou. Viverá nas nossas fortes lembranças do esforço comum pela sobrevivência, das lutas que travamos lado a lado, dos sacrifícios e das dificuldades pelas quais passamos, e também das conquistas que alcançamos juntos. Aprendi com ele. E agradeço a oportunidade de tê-lo conhecido e de ter convivido tantos anos com um ser humano tão generoso, afetuoso e correto.

 

O mundo nos impôs desafios que tivemos de vencer. Enfrentamos percalços que poderiam ter nos destruído. Mas vencemos muitas dessas dificuldades, uma a uma. Em qualquer circunstância, sempre pude contar com ele, com sua inteligência, com sua capacidade e com sua força. Vai fazer falta aos nossos netos, fará falta à nossa filha, fará falta a todos que o amam e que o amaram, e fará muita falta a mim. E é para honrá-lo e prestar-lhe tributo que continuarei lutando por um mundo melhor, por um Brasil mais justo e pela emancipação do povo do meu país. Exaltarei sempre a sua coragem, enaltecerei sempre a sua bravura e a grandeza com que lutou sempre por seus ideais. Não cedeu, não se deixou vergar. Partiu, ontem, como viveu toda uma vida: digno, altivo, sereno, amoroso, amigo e parceiro. Carlos Araújo viveu visceralmente e brilhou intensamente. Agradeço por sua existência e por ter feito parte da minha vida. Carlos encantou a todos os que tiveram o privilégio de conhece-lo.




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