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Política / OPERAÇÃO LAVA-JATO
21.04.2017 | 10h48
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Odebrecht rebaixa executivos e vende patrimônio para se recuperar

Especialistas defendem que a construtora demorou demais para reformar as regras internas

Reprodução

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Fachada da sede da Odebrecht na Zona Oeste de São Paulo

RÁDIO CBN

‘Aqui não tem braços cruzados e nem olhos fechados’. As palavras são da nova xerife da Odebrecht. Olga Pontes assumiu a área de compliance da empresa com o objetivo de garantir que o pedido público de desculpas saísse do papel para virar realidade.

 

 Ela conta que o investimento na área, que inclui treinamento em ética para evitar novos crimes, passou de R$ 11 milhões em 2015 para R$ 64 milhões em 2017.

 

Embora os presidentes das empresas do grupo Odebrecht tenham sido trocados, algumas peças do xadrez só mudaram de lugar. É o caso de 26 dos 77 executivos envolvidos na Lava-jato. Eles perderam cargos e status, mas continuaram na empresa como assessores especiais.

 

A empreiteira perdeu mais da metade dos funcionários em pouco mais de um ano. Mesmo assim, Olga acredita que a insegurança dos trabalhadores seja comum em todo o país. ‘Há mais de um ano, 180 mil integrantes. Hoje somos 79, quase 80 mil integrantes. Uma pessoa na Odebrecht, assim como uma pessoa numa empresa que não esteja na Odebrecht, a insegurança pela instabilidade profissional existe’, diz.

 

Para continuar funcionando, a construtora vai ter que pagar uma multa de US$ 2,6 bilhões ao Brasil, Suíça e Estados Unidos. Parte desse dinheiro deve vir da venda de parte do patrimônio da empresa, como a Odebrecht Ambiental, que vai garantir R$ 2,8 bilhões.

 

Mas o buraco é bem mais fundo. A dívida da empresa alcançou R$ 76 bilhões e um processo que corre na Controladoria Geral da União pode até suspender acordos com governos por dois anos, além de complicar ainda mais o acesso ao crédito, especialmente em bancos públicos. Das 29 empresas processadas na CGU pelo envolvimento na Lava-jato, seis já foram punidas.

 

Pra ganhar uma sobrevida, a recuperação judicial pode entrar nos planos. Acontece que isso não é nem de longe garantia de sucesso, como explica o economista da Serasa, Luiz Rabi.

 

‘De cada quatro apenas uma se recupera. Três vão para falência. Ou seja, a taxa de sucesso em uma recuperação judicial não chega a 25%, é de 23%. É um grau de eficiência muito baixo, é como se numa nota de 0 a 10 você tirasse 2,5’, diz.

 

Para fazer a reforma dos processos internos, a Odebrecht se inspirou na Siemens, que criou um sistema de compliance exemplar depois de um escândalo de corrupção em 2006 - que envolvia justamente o pagamento de propinas para ganhar concorrências públicas em vários países do mundo.

 

 Wagner Giovanini foi o responsável por arrumar a casa da gigante da tecnologia aqui no Brasil. Para ele, a recuperação da Odebrecht será complicada.

 

 ‘Eu acredito que é possível, mas vai ser muito mais difícil do que foi pra Siemens. Porque a Siemens ela foi muito mais ágil do que a Odebrecht para reconhecer os erros. Tiramos toda a alta direção da empresa que estava envolvida em qualquer tipo de problema e a Siemens abriu a organização inteira no mundo inteiro para fazer investigações do passado. Todas as empresas deveriam fazer isso’, diz.

 

Na comunicação, mais desafios. Entre eles, recuperar a credibilidade dentro e fora dos muros da construtora. A professora da ESPM, Claudia Bredarioli trabalhou na comunicação da Brasken, braço petroquímico do grupo Odebrecht. Ela diz que embora as empresas do grupo estivessem preparadas para lidar com a crise, eles erraram ao dar meias desculpas.

 

 ‘Logo que o Marcelo Odebrecht tinha sido preso, a Odebrecht lançou um comunicado que o título inclusive era 'A Odebrecht errou'. Se a gente olha hoje para aquele mesmo comunicado parece piada. Tudo o que veio depois e o que se descobriu depois é muito mais grave do que aquilo que a gente sabia quando o Marcelo foi preso’, diz.

 

Embora tenha tido a reputação destruída pela Lava-jato, a Odebrecht ainda continua grande. A receita bruta, que foi de R$ 90 bilhões em 2016 e os negócios em 25 países parecem ser a única base sólida da empreiteira para se levantar do tombo e começar a pensar o amanhã.




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