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Política / CAMPANHA ELEITORAL
17.02.2017 | 07h50
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Juíza diz que Lúdio se beneficiou de dinheiro desviado na Sodoma

R$ 1,7 milhão teria sido usado para quitar dívidas da campanha eleitoral do petista

Marcus Mesquita/MidiaNews

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O ex-vereador Ludio Cabral: que foi conduzido a prestar depoimento

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

A juíza Selma Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, justificou que a busca e apreensão e condução coercitiva do ex-vereador Lúdio Cabral (PT) teve o objetivo de apurar se ele participou os não dos crimes investigados na 5ª fase da Operação Sodoma, uma vez que ele teria se beneficiado com o dinheiro desviado.

 

Deflagrada na manhã da última terça-feira (14), pela Delegacia Fazendária, a operação apura fraudes à licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre o Governo do Estado e as empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática  Ltda., nos anos de 2011 a 2014, em valores próximos a R$ 300 milhões.

 

As investigações da Defaz e do Ministério Público Estadual (MPE) apontam que parte da propina gerada pelo esquema teria saldado R$ 1,7 milhão em dívidas da campanha eleitoral de Lúdio, em 2012.

 

A providência servirá também para que se esclareça se Lúdio teve ou não participação direta nos crimes ou, ainda, se há outros coautores ainda não identificados nesse episódio

O esquema em relação a este pagamento teria sido “arquitetado” pelo ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad (PMDB), que foi preso. Ele disputou a eleição como candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada por Lúdio.

 

“Dentro do contexto criminoso descrito nesses autos, Lúdio Cabral foi um dos beneficiados com o desvio de dinheiro do Estado, que se prestou a quitar dívida de campanha eleitoral”, afirmou a juíza.

 

“Assim, sua condução coercitiva e sua oitiva serão de grande utilidade para esclarecer alguns detalhes dos crimes que apontam Francisco Faiad como autor. A providência servirá também para que se esclareça se Lúdio teve ou não participação direta nos crimes ou, ainda, se há outros coautores ainda não identificados nesse episódio”, disse a magistrada.

 

Ainda na decisão, a juíza Selma Arruda afirmou que, embora o ex-vereador não tenha sido apontado como um dos envolvidos diretos na trama criminosa, ele “teve muita proximidade do palco onde os fatos aconteceram”.

 

Segundo ela, o depoimento de Lúdio pode esclarecer detalhes ainda desconhecidos do esquema, bem como trazer elementos que “desenhem” com mais precisão o quadro criminoso.

 

Neste sentido, conforme a magistrada, há a possibilidade tanto de incluir Lúdio no esquema, como excluí-lo de qualquer participação nas fraudes.

 

Em sua decisão, a juíza Selma Arruda também autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão na residência do ex-vereador, localizada no Edifício Village do Boa, no bairro Boa Esperança, em Cuiabá.

 

Veja fac-símile de trecho da decisão:

 

ludio se beneficiou print

 

 

Sem envolvimento

 

Após deixar a sede da Delegacia Fazendária no dia da operação, o ex-vereador Lúdio Cabral afirmou que os depoimentos relativos à Operação Sodoma 5, não o envolvem em nenhum tipo de crime.

 

Ele afirmou também que os débitos de sua campanha eleitoral foram saldados, em 2013, pela direção nacional do Partido dos Trabalhadores (PT).

 

Segundo ele, ao final do pleito eleitoral, foram constatados R$ 2,3 milhões de débitos com todos os fornecedores, inclusive com combustíveis.

 

“Esses pagamentos foram todos feitos com recursos oriundos do diretório nacional do PT. Isso está tudo documentado, inclusive consta na prestação de contas”, afirmou.

 

A operação

 

A Sodoma 5 resultou em uma nova prisão preventiva de Silval, além do ex-secretário de Administração, Francisco Faiad; do ex-secretário adjunto de Administração, José Jesus Nunes Cordeiro; do ex-secretário-adjunto executivo da Secretaria Executiva do Núcleo de Trânsito, Transporte e Cidades, Valdisio Juliano Viriato; e do ex-chefe de gabinete do Silval, Sílvio Cesar Corrêa Araújo. Silval, Silvio e José Jesus já estavam presos em decorência de fases anteriores da Sodoma.

 

Além dos mandados de prisão, a 5ª fase da Sodoma conduziu 10 pessoas coercitivamente. São elas: procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, o ex-secretário de Estado Marcel Souza de Cursi, Arnaldo Alves de Souza Neto, o ex-candidato a prefeito de Cuiabá, Lúdio Frank Mendes Cabral, os empresários Wanderley Fachetti Torres, Rafael Yamada Torres, Diego Pereira Marconi, Valdecir Cardoso de Almeida, Wilson Luiz Soares Pereira e Mário Balbino Lemes Júnior.

 

Os suspeitos são investigados em fraudes à licitação, corrupção, peculato e organização criminosa em contratos celebrados entre as empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda. e Saga Comércio Serviço Tecnológico e Informática  Ltda., nos anos de 2011 a 2014, com o Governo do Estado de Mato Grosso.

 

Segundo a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana  (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

 

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 8,1 milhões.

 

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