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Política / DELAÇÃO; VEJA
22.05.2017 | 08h28
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JBS: empresa de Nadaf e Trimec intermediaram propinas a Silval

Três empresas emitiam notas fiscais frias para mascarar os pagamentos

Reprodução

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O empresário Wesley Batista, sócio do Grupo JBS

VINICIUS MENDES
DA REDAÇÃO

O empresário Wesley Batista, sócio do Grupo JBS, afirmou que a NBC Consultoria, de propriedade do ex-secretário de Indústria e Comércio, Pedro Nadaf, e mais outras duas empresas emitiram notas fiscais frias para disfarçar o pagamento de propina feito pelo grupo ao ex-governador Silval Barbosa (PMDB) durante os anos de 2011, 2012 e 2013.

 

A confissão consta no depoimento de delação de Batista à Procuradoria Geral da República, cujo conteúdo foi divulgado na última sexta-feira (19) - veja o vídeo ao final da matéria.

 

A suposta propina era paga como "retorno" de incentivos fiscais irregulares concedidos pelo Estado ao grupo.

 

Eu lembro de uma de cabeça, Trimec, que emitiu nota fria, que eu acho que é uma construtora no Estado, teve uma empresa de Rondônia, que o próprio governador me entregou a nota fiscal fria desta empresa, que nós pagamos

Segundo o empresário, a NBC Consultoria e a Trimec Construções e Terraplanagem, do empresário Wanderley Torres, além de uma outra empresa do Estado de Rondônia, emitiam notas fiscais frias, pagas pela JBS, para mascarar os repasses de propina.

 

"Eu lembro de uma de cabeça, Trimec, que emitiu nota fria, que eu acho que é uma construtora no Estado, teve uma empresa de Rondônia, que o próprio governador me entregou a nota fiscal fria desta empresa, que nós pagamos. Eu não me recordo o nome dela", disse ele.

 

Wesley Batista explicou que os pagamentos eram feitos mensalmente, com a participação de Nadaf e de Demilton Antônio de Castro, um dos diretores da JBS.

 

Segundo ele, era pago um valor aproximado de R$ 800 mil para cada uma das três empresas, sendo que em um ano arrecadou os R$ 30 milhões necessários pela JBS para pagar a propina a Silval de 2011 a 2013.

 

A empresa de Nadaf teria emitido uma nota no valor de R$ 200 mil.

 

“O Pedro Nadaf levava o Demilton, que é um colaborador que vai ser ouvido, levava a lista de pagamentos, de contas que eram pra ser feitas. O Demilton passava para o doleiro e o doleiro já mandava direto para estas contas. Nós não temos o registro de para quem eram estas contas”, afirmou Batista.

 

No trecho, o empresário também citou a participação da ex-secretária da Federação Mato-Grossense do Comércio (Fecomércio), Karla Cintra, que teria recebido propina em nome de Nadaf. Batista, entretanto, a cita apenas como "Karla".

 

“Ele usou ela para ir em São Paulo buscar dinheiro, que o Florisvaldo vai falar, porque foi ele que entregou esse dinheiro para ela”, disse, se referindo a Florisvaldo Caetano de Oliveira, executivo da JBS.

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O empresário Wanderley Torres, sócio da Trimec

 

Nas ações relativas à Operação Sodoma, que tramita na 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Karla Cintra chegou a ser presa e hoje atua como colaboradora. Além dela, o próprio Nadaf já confessou que usava a NBC Consultoria para lavar dinheiro. 

 

Entenda o caso

 

No início de seu governo em 2011, de acordo com a delação, Silval Barbosa alterou o regime de recolhimento de ICMS no Estado. Com isso, empresas como a JBS passaram a pagar uma alíquota efetiva de 3,5%, em detrimento de outras que pagariam de 0% a 1% de impostos, já que eram beneficiárias do Prodeic.

 

Diante de reclamações do empresário Wesley Batista, Silval teria concedido incentivos fiscais à JBS para que tais benefícios "abatessem" o crescimento da alíquota. Em troca, foi exigida propina de R$ 10 milhões ao ano.

 

Os pagamentos de propina, na ordem de aproximadamente R$ 30 milhões, foram pagos ao longo de três anos ao ex-governador.

 

Veja o depoimento de Wesley Batista:

 

 

Leia mais sobre o assunto:

 

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