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Política / MPE ACUSA
18.03.2017 | 17h30
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Faiad usava propina para bancar gasolina de lideranças de bairro

Bardusco: "fatos demonstram total adesão de Faiad ao grupo criminoso e a ciência da origem ilícita dos valores recebidos”

Marcus Mesquita/MidiaNews

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Francisco Faiad: propina foi usada em campanha política de Faiad, diz promotora

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

O ex-secretário de Estado de Administração, Francisco Faiad, teria utilizado parte dos R$ 192 mil reais de propina supostamente recebidos por ele para bancar gasolina a lideranças políticas de bairros da região urbana e rural de Cuiabá.

 

A prática teria sido adotada durante a pré-campanha eleitoral de Faiad que, em 2014 concorreu, sem sucesso, a uma vaga como deputado estadual.

 

A informação consta na denúncia do Ministério Público Estadual (MPE) relativa à quinta fase da Operação Sodoma, assinada pela promotora de Justiça Ana Cristina Bardusco.

 

Esta fase da operação acusa o grupo criminoso liderado pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB) de ter solicitado e recebido propina de R$ 3,05 milhões, entre outubro de 2011 a dezembro de 2014, das empresas Marmeleiro Auto Posto Ltda e Saga Comércio e Serviços, em troca de contratos com o Estado.

 

O grupo também teria desviado R$ 5,1 milhões por meio da inserção fictícia de consumo de combustível na frota de caminhões do Estado. Segundo o MPE, Faiad seria responsável pelo recebimento de um "mensalinho" de R$ 80 mil para o grupo criminoso, sendo que, deste total, ele ficaria com R$ 18 mil.
 

A denúncia do MPE trouxe à tona o depoimento prestado por Elio Corrêa - que é irmão do empresário Edézio Corrêa, um dos delatores da operação.

 

Élio afirmou que trabalhou no planejamento estratégico da pré-campanha de Faiad à Assembleia Legislativa, no período de setembro de 2013 a janeiro de 2014, a pedido do próprio político.

 

Cabia a Elio, conforme cita a denúncia, a tarefa de controlar os custos e despesas do escritório político de Faiad.

 

“No ano de 2013, fui procurado por Faiad, sabendo que nessa época ele estava ocupando o cargo de Secretário de Administração do Estado de Mato Grosso, tendo ele me convidado a montar o planejamento estratégico para a pré-campanha dele para deputado estadual no ano de 2014. Concordei com o pedido, passando a trabalhar na pré-campanha no ano de 2013, sendo que cerca de 30 a 40 dias após começar a trabalhar na pré-campanha, me recordo que foi locada uma casa no bairro Araés, onde foi trabalhar”, diz trecho da denúncia.

 

“Na pré-campanha já começavam os custos fixos do escritório político, com pessoal, energia, telefone, aluguel e outros, sendo que esses custos era eu quem pagava, após a apresentação de planilha de custos mensais para Faiad. Me recordo que as despesas do escritório giravam em torno de R$ 9 a R$ 12 mil mensais, sendo que nessa conta não estava incluso o consumo de combustível”.

 

Ainda de acordo com Elio, também no início desta pré-campanha, Faiad começou a ter gastos com combustível.

 

“Era eu quem entregava tickets de combustível para as lideranças políticas dos bairros da região urbana e rural, sendo que esse consumo variava mês a mês. Acredito que girava em torno de R$ 15 mil a R$ 20 mil por mês”, afirmou.

 

A promotora Ana Bardusco relatou também que, segundo Elio, o fornecimento de combustível para as lideranças se dava, por determinação do próprio Faiad, mediante “a entrega de ‘tickets’ para abastecimento na rede de postos ‘Idaza’, que eram repassados mensalmente pela empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda., no valor total de R$ 18 mil”.

 

“O Sr. Elio Corrêa informou, ainda, os ‘tickets’ eram retirados no posto de abastecimento localizado na Avenida Prainha, ou, ainda, na sede da empresa Saga ou, também, entregues no escritório político, por Edézio Corrêa. Detalhou que ao final do mês os ‘tickets de combustível’ não utilizados naquele mês eram convertidos em dinheiro em espécie, que era empregado nos pagamentos de outras despesas do escritório político”, disse Bardusco.

 

Veja fac-símile de trecho da denúncia:

 

 

 

“Recurso mensal”

 

A denúncia traz ainda as informações de o próprio Faiad teria afirmado a Elio que recebia um “recurso mensal” de aproximadamente R$ 18 mil do Posto Marmeleiro.

 

Os fatos mais uma vez demonstram a total adesão de Faiad ao grupo criminoso e a ciência da origem ilícita dos valores recebidos

“Me recordo que quando comecei a trabalhar na pré-campanha para o Faiad no ano de 2013, ele me informou que recebia um recurso mensal da empresa Marmeleiro Auto Poso Ltda no valor de R$ 18 mil, sendo que esse valor não era entregue em dinheiro, era entregue em crédito de combustível com valores em litragem, sendo que Faiad me determinou que utilizasse esses tickets na pré-campanha com líderes das regiões, sendo no caso de sobras de tickets, deveria convertê-los em dinheiro para auxiliar no pagamento das outras despesas”, cita a denúncia.

 

A promotora citou ainda na denúncia o depoimento de um gerente que atuava em um dos postos da empresa Marmeleiro.

 

“Inquirido pela autoridade policial o Sr. Afonso Gleidson Teixeira, que exercia na época a função de gerente do Posto Prainha da empresa Marmeleiro Auto Posto Ltda., confirmou que no ano de 2013 Francisco Faiad recebeu como parte do pagamento do ‘mensalinho’ pago por Juliano Volpato na SAD, ticktes de abastecimento combustível identificados com um código, os quais foram utilizados por Faiad em sua pré-campanha eleitoral a candidato ao cargo de Deputado Estadual”.

 

De acordo com Bardusco, tais fatos demonstram “mais uma vez a total adesão de Faiad ao grupo criminoso e a ciência da origem ilícita dos valores recebidos”.

 

A operação

 

A denúncia oferecida na última terça (14) teve como alvos 17 pessoas: o advogado Francisco Faiad, ex-secretário de Administração; o ex-secretário adjunto de Transporte e Pavimentação Urbana, Valdísio Juliano Viriato, o ex-governador Silval  Barbosa (PMDB); seu filho Rodrigo Barbosa; o ex-secretário de Indústria, Comércio, Minas, Energia e Casa Civil, Pedro Nadaf; o ex-secretário de Fazenda, Marcel de Cursi; o procurador aposentado do Estado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho; o ex-chefe de gabinete de Silval, Sílvio Araújo; e o ex-secretário adjunto de Administração, coronel José Cordeiro.

 

Também foram denunciados os ex-secretário de Administração César Zílio e Pedro Elias; o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves de Souza Neto; a ex-funcionária de Nadaf, Karla Cintra; os empresários Juliano Volpato e Edézio Corrêa; e os servidores Alaor Zeferino de Paula e Diego Pereira Marconi.

 

Na denúncia, o MPE destacou que para o grupo receber R$ 3,05 milhões de propina da Marmeleiro, foram fraudados três pregões presenciais que viabilizaram a permanência da referida empresa na condição de fornecedora de combustível para o abastecimento de toda a frota do Poder Executivo Estadual.

Foram constatados, ainda, desvios de dinheiro público junto a Secretaria de Estado de Transporte e Pavimentação Urbana no valor aproximado de R$ 5,1 milhões, no período de fevereiro de 2013 a outubro de 2014, mediante a prática fraudulenta de inserções fictícias de consumo de combustível por meio do sistema eletrônico de gestão de abastecimento que era gerido pela empresa Saga Comércio e Serviço Tecnologia e Informática Ltda.

 

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas.

 

A denúncia foi encaminhada à juíza Selma Arruda, da Vara Contra o Crime Organizado da Capital.

 

Segundo a Polícia Civil apurou, as empresas foram utilizadas pela organização criminosa, investigada na operação Sodoma, para desvios de recursos públicos e recebimento de vantagens indevidas, utilizando-se de duas importantes secretarias, a antiga Secretaria de Administração (Sad) e a Secretaria de Transporte e Pavimentação Urbana  (Septu), antiga Secretaria de Infraestrutura (Sinfra).

 

As duas empresas, juntas, receberam aproximadamente R$ 300 milhões, entre os anos 2011 a 2014, do Estado de Mato Grosso, em licitações fraudadas. Com o dinheiro desviado efetuaram pagamento de propinas em benefício da organização criminosa no montante estimado em mais de R$ 8,1 milhões.

 

Leia mais sobre o assunto:

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