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Após a operação da PF, você vai parar de comer carne da Sadia, Perdigão, Friboi e Seara?

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Política / FRIGORÍFICOS
17.03.2017 | 17h32
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Braço-direito de Maggi diz que esquema de carne é “fato isolado”

Em entrevista coletiva, Eumar Novacki afirmou que ministro da Agricultura não permitiu desvios

Carlos Silva /MAPA

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O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki: defesa de Maggi

DOUGLAS TRIELLI
DA REDAÇÃO

Secretário-executivo do Ministério da Agricultura, o mato-grossense Eumar Novacki afirmou, durante coletiva na tarde desta sexta-feira (17), que as irregularidades apontadas na Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, são “fatos isolados”.

 

Segundo ele, o sistema de vigilância sanitária do País é consolidado e o Brasil tem parcerias comerciais com mais de 150 países.

 

“O que queremos dizer é para a população ficar tranquila. Nosso sistema de vigilância é um dos mais respeitados do mundo. Nesta nova gestão estamos trocando aquela desconfiança total, pela confiança relativa, que é típico de gestão focada em resultado. Mas vamos cobrar mais. Aqueles que estiverem em desconformidade, vamos agir de modo duro”, disse.

 

De acordo com o ministério, o esquema fraudou mortadela, salsicha e carne de aves. Além disso, há suspeitas sobre fraudes na carne bovina e em rações para animais.

 

Segundo o secretário, há um temor que mercados como os dos Estados Unidos e União Europeia fechem as portas ao País. Ele disse que o Ministério definiu argumentos "contundentes" para rebater "qualquer suposição" sobre a qualidade da carne.

 

“Isso nos deixa preocupado, porque existem interesses econômicos e, ao não consumir produto brasileiro, vão buscar de outros países. Mas situações como esta servem de estímulo para continuarmos melhorando cada vez mais. Há alguns anos teve o episódio da carne de cavalo da comunidade europeia. No Brasil, não é a mesma gravidade, mas nos preocupa e medidas estão sendo tomadas”, afirmou.

 

Carlos Silva /MAPA

Eumar Novacki

“O que queremos dizer é para a população ficar tranquila. Nosso sistema de vigilância é um dos mais respeitados do mundo"

Para Novacki, o trabalho de milhares de funcionários do Ministério não pode ser colocado em xeque por conta da ação de 33 funcionários. Segundo ele, todos os acusados de participar do esquema foram afastados. Outros quatro, que exerciam cargos de confiança, foram exonerados.

 

De acordo com o secretário, desde que assumiu o comando do Ministério, Blairo Maggi (PP) vem instaurando procedimentos administrativos para investigar possíveis desvios de conduta. Entretanto, não revelou o número exato de PADs.

 

Há anos existem “boatos” de possíveis irregularidades nas vigilâncias sanitárias do País.

 

“O ministro Blairo Maggi instaurou vários procedimentos para apurar responsabilidades e o que tinha indício de crime enviamos para a Corregedoria. Alguns estão em curso, outros já foram punidos. Não deixamos nada embaixo do tapete”, afirmou.

 

“Não tenho número exato, mas nossa gestão instaurou mais procedimentos e demitimos mais funcionários que em anos anteriores. Na gestão Maggi não se aceita desvio de conduta. Compartilhamos as informações com o Ministério Público Federal para apurar responsabilidades criminais e, por isso, novas operações podem vir no futuro", completou.

 

Força-tarefa

 

Por fim, Novacki revelou que o ministro Blairo Maggi estava em Cuiabá atualizando documentos e concluindo uma mudança de residência. Por conta da operação, deve voltar para Brasília e encontrar nesta segunda-feira (20) embaixadores de países que estão “preocupados” com a situação.

 

O ministro Blairo Maggi instaurou vários procedimentos para apurar responsabilidades e o que tinha indício de crime

Depois, Blairo deve focar em uma "força-tarefa" para inspecionar os estabelecimentos interditados. Além disso, os produtos já foram recolhidos nesses locais e a produção foi paralisada.

 

O Ministério deve esperar desdobramentos da operação da PF para tomar ações contra novas empresas.

 

Operação

 

Ao todo, foram expedidos 38 mandados de prisão. A Justiça Federal do Paraná determinou o bloqueio de R$ 1 bilhão das investigadas.

 

O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, também é citado na investigação. Ele aparece em grampo interceptado pela operação conversando com o suposto líder do esquema criminoso, o qual chama de "grande chefe".

 

A investigação apontou o uso de carnes podres, maquiadas com ácido ascórbico, por alguns frigoríficos, e a re-embalagem de produtos vencidos.

 

Segundo a PF, essa é a maior operação já realizada na história da instituição. Foram mobilizados 1.100 policiais em seis Estados (Paraná, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Goiás) e no Distrito Federal.

 

Os grupos acusados, JBS e BRF, possuem 28 unidades industriais em Mato Grosso.

 

Em Mato Grosso, o grupo JBS informa em seu site que possui 24 plantas, entre unidades de processamento de bovinos, de confinamento de bovinos, de couro, centros de distribuição e unidades e centros de distribuição de aves.

 

Já a BRF possui quatro unidades industriais, além de um centro de distribuição, em Várzea Grande, Nova Mutum, Lucas do Rio Verde, Nova Marilandia e Campo Verde.

 

De acordo com o superintendente federal da Agricultura do Estado (SFA-MT), José Assis Guaresqui, embora as unidades em Mato Grosso não tenham sido alvo no esquema apurado, não é possível descartar a possibilidade de os frigoríficos serem investigados em desdobramentos da operação.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

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Barros  17.03.17 23h23
A exemplo da lava jato q já deixou cerca de 1,2 milhões de desempregados,essa nova investigação deverá ceifar o trabalho de milhares de pessoas inocentes.
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