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Política / “GRAMPOLÂNDIA”
13.07.2017 | 18h03
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“As ameaças me incentivam ainda mais; só saio se me matarem”

Desembargador Orlando Perri afirma que não tem medo e que continuará à frente de investigação

Reprodução

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O desembargador Orlando Perri, que disse não temer ameaças

LUCAS RODRIGUES
DA REDAÇÃO

O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT), afirmou não temer as ameaças que têm recebido em razão de estar conduzindo as investigações sobre o suposto esquema de escutas telefônicas ilegais operadas por um grupo da Polícia Militar no Estado

 

A declaração foi dada em sessão plenária do Tribunal de Justiça ocorrida na tarde desta quinta-feira (13). Na ocasião, o tribunal negou o pedido do Ministério Público Estadual (MPE) e manteve a tramitação da notícia-crime que apura os fatos.

 

Em seu voto, Perri voltou a criticar o secretário de Justiça e Direitos Humanos, coronel Airton Siqueira, que o acusou de ter usado informações pessoais de magistrados alvos de interceptações telefônicas no episódio conhecido como “Escândalo da Maçonaria”, em 2007.

 

Eu já tinha recebido ameaças veladas para não dar seriedade nas investigações, do contrário falariam que eu fiz interceptações na corregedoria

Em depoimento, Siqueira disse que Perri teria usado informações das interceptações contra o desembargador aposentado José Ferreira Leite e os juízes Marcelo Barros, Antônio Horácio, Irênio Lima Fernandes e Marco Aurélio Ferreira, que não tinham qualquer relação com o objeto das investigações – pagamentos irregulares a membros do Judiciário para socorrer uma loja maçônica.

 

Na época, o desembargador era corregedor-geral de Justiça e determinou as interceptações, a pedido do MPE.

 

“O coronel Airton Siqueira registrou em cartório uma declaração para manchar minha reputação, no intuito de tentar meu impedimento. Estão tentando criar factoides. O mais estarrecedor é que essa denúncia feita pelo coronel Siqueira não era novidade. Eu já tinha recebido ameaças veladas para não dar seriedade nas investigações, do contrário falariam que eu fiz interceptações na Corregedoria. O presidente do Tribunal [Rui Ramos] é testemunha disso”, afirmou.

 

Perri registrou que não se deixará intimidar pelas ameaças e que este tipo de intimidação o estimula a continuar à frente do caso

 

“Não sou filho de pai assustado. Ameaças me incentivam cada vez mais a pedir o aprofundamento das investigações. Há forças ocultas que visam retirar o caso do Tribunal e de minha relatoria, mas não me intimidei nem me acovardei”, declarou.

 

O desembargador admitiu, todavia, que em toda a sua carreira na magistratura (34 anos), essa é a situação que mais lhe trouxe “angústias e pressões”.

 

“Muitas forças têm atuado para me roubar a competência da chamada ‘grampolândia pantaneira’. Meu afastamento só será possível com duas alternativas: me retirar a competência do caso ou me matar”, disse.  

 

Legalidade

 

Na semana passada, Perri já havia rebatido a declaração de Siqueira e afirmado que a acusação contra ele surgiu como uma forma de tentar afastá-lo das investigações sobre os grampos.

Não sou filho de pai assustado. Ameaças me incentivam cada vez mais a pedir o aprofundamento das investigações

 

“Queriam e querem me afastar do processo. Não me acovardarei diante de qualquer ameaça, velada ou explícita. Não irei me afastar da condução do processo. Provarei em todas as instâncias as inverdades que me foram assacadas, irrogadas levianamente e esparramadas com o propósito de, pelo menos, denegrir a imagem do relator que está conduzindo as investigações”, criticou.

 

Para o desembargador, a atribuição de ilegalidades em sua conduta visa afastá-lo do caso e levar as investigações ao âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

 

“Querem levar esse processo para instância superior, porque lá todos sabem que as investigações podem não ter as mesmas eficiências daqui pela proximidade e pelo calor dos fatos. Não me furtarei ao meu dever pelo menos até que o Superior Tribunal de Justiça avoque esse processo. Não há situação nenhuma que me faça levar esses procedimentos ao STJ. Querem tirar das minhas mãos essas investigações”, reclamou.

 

Prisões

 

Ainda estão presos pela suposta participação no esquema o secretário afastado da Casa Militar do Estado, coronel PM Evandro Lesco; o secretário-adjunto afastado da Pasta, coronel PM Ronelson Jorge de Barros; e o tenente-coronel Januário Batista.

 

Também já haviam sido presos, no dia 23 de maio, o coronel PM Zaqueu Barbosa, ex-comandante-geral da PM de Mato Grosso, e o cabo Gerson Ferreira Correia Júnior, igualmente acusados de operar a suposta rede de interceptações telefônicas clandestinas.

 

Escutas ilegais

 

A denúncia sobre a rede de grampos foi feita no início deste ano, ao Ministério Público Federal (MPF), por Mauro Zaque, que era secretário de Estado de Segurança Pública. 

 

Zaque disse que recebeu uma denúncia anônima, com documentos, que evidenciavam a prática ilegal.

 

Segundo ele, a denúncia foi levada ao conhecimento do governador Pedro Taques (PSDB) em setembro de 2015. O governador, por sua vez, negou ter conhecimento do caso e entrou com um processo contra Zaque.

 

O esquema funcionaria por meio da chamada "barriga de aluguel", quando números de telefones de cidadãos comuns, sem conexão com uma investigação, são inseridos em um pedido de quebra de sigilo telefônico à Justiça.

 

No caso da denúncia, teria sido usado um inquérito que investigava uma quadrilha de traficantes de cocaína.

 

Ao pedir a quebra dos sigilos dos telefones dos supostos membros da quadrilha, teriam sido inseridos, ilegalmente, na lista encaminhada à Justiça, os telefones que interessariam ao grupo monitorar.

 

A decisão que autorizou as escutas contra a quadrilha partiu da Comarca de Cáceres, na fronteira do Brasil com a Bolívia.

 

Entre os grampeados estariam a deputada Janaina Riva (PMDB); o advogado José do Patrocínio; o desembargador aposentado José Ferreira Leite; os médicos Sergio Dezanetti, Luciano Florisbelo da Silva, Paullineli Fraga Martins, Helio Ferreira de Lima Junior e Hugo Miguel Viegas Coelho.

 

O inquérito sobre o caso está na Procuradoria Geral da República, sob comando do procurador Rodrigo Janot.

 

Leia mais sobre o assunto:

 

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3 Comentário(s).

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dogival  14.07.17 11h08
É isso aí Dr. Perri, continue com o seu trabalho. Nós da sociedade te apoiamos plenamente!
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Jorge  14.07.17 09h53
Conheço de infância e o que ele fala e verdade!
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Antonio  13.07.17 19h53
Parabéns ao Desembargador Perri. A sim cabra macho.
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