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Polícia / NESTA TERÇA
10.10.2017 | 08h13
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Denúncia contra Temer deve ser lida na CCJ da Câmara

Votação na Comissão de Constituição e Justiça deve ficar para semana que vem

Reprodução

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Denúncia contra Michel Temer será lida na CCJ por relator

G1

Comissão de Constituição e Justiça da Câmara marcou sessão para a manhã desta terça-feira (10), mas o relator da denúncia contra o presidente Michel Temer por obstrução de Justiça e organização criminosa, deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), já adiantou que somente à tarde, por volta das 15h, entregará seu relatório. O parecer vai recomendar o prosseguimento ou a rejeição das acusações contra o presidente.

 

Mesmo assim, o presidente da comissão, deputado Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), prevê que a leitura do relatório será feita ainda nesta terça, a fim de se manter o calendário inicial previsto.

 

O presidente da CCJ afirmou à TV Globo que, se o relator realmente não entregar o parecer na manhã desta terça, ele vai abrir a sessão a partir das 10h e, em seguida, poderá suspender os trabalhos até a apresentação do texto.

 

Temer e os ministros Moreira Franco (Secretaria-Geral) e Eliseu Padilha (Casa Civil) foram denunciados pela Procuradoria Geral da República (PGR). Por se tratar do presidente da República e de ministros, para que o Supremo Tribunal Federal (STF) possa analisar a denúncia, é preciso que antes a Câmara dê a autorização.

 

Depois da leitura do relatório, cada um dos advogados de defesa terá direito à palavra pelo mesmo tempo usado pelo relator. Em seguida, deverá ser concedido pedido de vista pelo prazo de duas sessões para que os deputados tenham mais tempo para analisar o parecer. Com isso, a discussão e a votação ficará para a semana que vem.

 

Articulações

 

Para garantir a aprovação de um parecer favorável já na CCJ, o governo tem atuado em diversas frentes para conseguir os votos necessários para barrar a denúncia.

Assim como na primeira denúncia, que acabou barrada pela Câmara, uma das linhas de atuação do Palácio do Planalto tem sido a substituição de integrantes da comissão que votariam contra Temer.

 

Desde a apresentação da segunda denúncia, em 14 de setembro, foram oito remanejamentos para garantir cinco votos favoráveis a Temer, incluindo o do relator. O governo se mobilizou para recolocar o governista Bonifácio de Andrada na CCJ.

 

Retirado da comissão pelo PSDB, que não queria que ele relatasse a matéria, o Palácio do Planalto articulou o retorno dele com o PSC, legenda do líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), que cedeu uma vaga.

 

Outra linha de atuação é a liberação de emendas parlamentares para deputados da base aliada. As emendas têm previsão no Orçamento da União e são pagas para obras ou projetos indicados pelos deputados em seus redutos eleitorais.

 

No entanto, com o corte de gastos do governo federal, o pagamento das emendas tem demorado. No domingo, Temer fez uma reunião com o ministro Dyogo Oliveira (Planejamento) para tratar disso.

 

Segundo o Blog da Andréia Sadi, o governo também negocia com parlamentares aliados, em troca de votos contra a denúncia, uma alternativa ao fim do imposto sindical, que foi extinto pelo Congresso Nacional na reforma trabalhista aprovada em julho.

 

A oposição também tem se articulado. O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) apresentou um requerimento para desmembrar a votação da denúncia de modo que a comissão vote de forma separada a autorização para o prosseguimento da denúncia em relação a cada um dos envolvidos.

 

“Essa decisão sobre o fatiamento precede a leitura do parecer”, defende Molon.

 

Plenário

 

Depois de a CCJ aprovar um parecer, que poderá ser pela rejeição ou prosseguimento da denúncia, a palavra final ficará com o plenário.

 

Para que o Supremo analise a acusação, é necessário o aval de pelo menos 342 dos 513 deputados.

 

A estimativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é que a votação aconteça a partir do dia 23 de outubro.

 

Se a denúncia seguir para o STF e os ministros decidirem aceitá-la, Temer se tornará réu e será afastado do mandato por até 180 dias.

 

Se a Câmara não der aval ao prosseguimento do processo, a denúncia ficará parada até o fim do mandato de Temer, em 31 de dezembro de 2018.




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