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Opinião / LUIZ HENRIQUE LIMA
09.09.2017 | 20h00
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Vencer os sete "nãos"

Há entre nós quem se compraz no erro, lucra com crimes, se habitua a vícios e tem preguiça de evoluir

Toda pessoa de bem sabe e já enfrentou isso em algum momento. Cada vez que se tenta fazer a coisa certa, corrigir erros, reparar injustiças, criar coisas novas e belas, prevenir falhas ou orientar procedimentos surgem barreiras e oposições formidáveis.

 

Afinal, ainda há muitos entre nós que se comprazem no erro, lucram com os crimes, se habituaram aos vícios e têm preguiça de evoluir. Toda mudança, inovação ou melhoria é vista como perigosa ameaça ao estado de coisas vigente.

 

Analisando algumas experiências passadas e presentes, concluo que todo empreendedor/inovador/reformador deve estar preparado para vencer pelo menos sete "NÃOS" que lhe serão lançados como anátemas paralisantes.

 

O primeiro e mais forte de todos é o "NÃO é possível". Você ouvirá que as coisas sempre foram desse jeito que aí está e se estão aí há tanto tempo é porque é impossível mudá-las, além de indesejável.

 

Reconhecerão suas boas intenções, mas lamentarão sua ingenuidade. Alertar-lhe-ão sutilmente quanto aos riscos e prejuízos de ser malvisto como alguém que está insatisfeito ou inconformado com a ordem dominante.

 

Se os navegadores portugueses tivessem ouvido o velho do Restelo, suas caravelas jamais teriam deixado Lisboa.

Apesar do negativismo, pessimismo, preguiça e inveja de tantos conservadores, conformistas, reacionários e corruptos de todos os matizes e latitudes, sou otimista e creio que a humanidade evolui e progride a cada dia

 

Superada a primeira barreira, encontra-se o "NÃO vai dar certo". O seu fracasso é antecipado e decretado antes mesmo da primeira experiência. Para quê tentar se não se conseguirá o resultado esperado?

 

Melhor deixar como está e ocupar o tempo e as energias de forma inofensiva. Se Santos Dumont tivesse aceitado esse NÃO, não teríamos aviação.

 

A terceira objeção costuma ser o "NÃO é suficiente". Tudo o que você tentar tem certo mérito e poderá, eventualmente, produzir uma melhoria pontual aqui ou acolá, no seu ambiente de trabalho ou comunidade, mas a dimensão dos problemas nacionais e globais é tão grande que tudo o que se fizer será apenas uma gota d"água no oceano, solitária e impotente para desencadear mudanças significativas.

 

Logo, de acordo com esse argumento, não vale a pena. Francisco de Assis ou madre Teresa de Calcutá jamais iniciariam sua jornada se acreditassem nesse NÃO.

 

Depois, é a vez do "NÃO é o momento". Para o conservador, nunca é o momento certo de iniciar algo novo. Talvez no próximo ano, depois do Carnaval ou da Copa do Mundo ou das eleições.

 

Talvez na próxima legislatura ou na próxima geração ou na próxima encarnação. Sempre se tenta adiar a decisão ou a atitude de começar a melhorar.

 

"NÃO é duradouro" é mais um obstáculo. Afirmarão que algo de positivo poderá surgir do seu esforço, mas será transitório e efêmero e logo as coisas voltarão a se acomodar como antes. Será "fogo de palha" e, portanto, não valerá a pena.

 

Se você ultrapassar cada uma das objeções anteriores, despertará bastante irritação. Dirão que você "NÃO é sincero" e que as suas propostas disfarçam objetivos menores, inconfessáveis.

 

O ataque não será ao conteúdo, mas ao mensageiro, repetindo conhecido sofisma já desmascarado por Sócrates.

 

"NÃO é para nós" fecha a lista dessa breve e incompleta análise. É um NÃO que embute um complexo de inferioridade em relação a outros povos, bem como um conformismo com situações que necessitam coragem e determinação para serem superadas.

 

Ora, assim como outros, nós é que somos o produto de nossas decisões e atitudes e não elas uma consequência inexorável de nossa natureza.

 

Para ter êxito, além de força de vontade e autoconfiança para vencer os sete "NÃOS", o empreendedor/inovador/reformador deve ser surdo às ofensas e às lisonjas, cego para não tropeçar nos espelhos-armadilhas da vaidade e do orgulho e mudo para não ceder à tentação de palavras imprudentes.

 

Apesar do negativismo, pessimismo, preguiça e inveja de tantos conservadores, conformistas, reacionários e corruptos de todos os matizes e latitudes, sou otimista e creio que a humanidade evolui e progride a cada dia.

 

PS: Convido o leitor para o lançamento do meu livro Construtores de Catedrais, dia 13/09 às 19:00 na choperia do Sesc Arsenal.

 

LUIZ HENRIQUE LIMA é conselheiro substituto do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT).




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