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Opinião / RENATO PEREIRA
10.10.2017 | 21h00
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Utópica vingança

A renda per capita já superou a dos europeus e uma onda de progresso invade o país: são ferrovias, hidrovias...

Estamos em março de 2050. Uma reunião da Comunidade Europeia discute   problemas  ambientais,   mercado da carne,   soja e  milho  buscando  uma forma de  aumentar a pressão  sobre os responsáveis pelas  exportações no Brasil.

 

Após   dias de  debates decidem que é inevitável mandar uma comissão para cá  com a missão de   resolver  os problemas ambientais que  travam a livre  comercialização de  alimentos.

 

Antes que essa  missão  chegue  aqui no país,  é bom   rememorar as  profundas modificações que ocorreram no mundo nos  últimos 40/50 anos.

 

A China está com 2 bilhões de pessoas. Com o crescimento médio de 6%  a 7% ao ano mantido desde o ano 2000 atingiu um padrão de consumo muito perto do americano.   

 

A Índia também cresceu muito. A população beira  os 2 bilhões de pessoas. Embora não consuma tanto quanto a China já supera a média  da comunidade europeia.

Esse  aumento grandioso na população e do padrão de gastos  desses dois países deslocou o centro de importância do mundo para a Ásia.

Ao contrário dos anfitriões, os visitantes estão ansiosos e apressados. Sem rodeios, adiantam que precisam comprar urgentemente grãos e carnes e que não estão preocupados com o preço

 

Para garantir a alimentação  de tanta gente  foram feitos diversos acordos com países produtores, intensificando a compra de grãos e carnes em quantias nunca antes imaginadas.

 

O Brasil, neste período, dobrou a produção agropecuária e mantém uma relação harmoniosa com a Ásia.

 

A  renda per capita local  já superou  a dos europeus e uma onda de progresso invade o país: são ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos e tecnologia ultramoderna na produção agrícola.

 

Em julho do mesmo ano de 2050, a comissão referida no primeiro parágrafo,  depois de muita conversa  diplomática,  consegue enfim  um espaço na agenda  do Ministro das Relações Exteriores Brasileiro.

 

Ao  contrário dos anfitriões, os visitantes estão ansiosos e apressados. Sem rodeios,  adiantam que precisam comprar urgentemente grãos e carnes e que não estão  preocupados com o preço.

 

Os negociadores brasileiros resistem. Em  2048,  o país decidira  que só venderia alimentos para a  Europa  se ela  repusesse as  reservas florestais nativas,  além claro de manter áreas de preservação permanente  nas encostas dos morros,  margens de córregos, rios e lagos.   

 

Os visitantes estão  apavorados.  Falam ao mesmo tempo, alguns em português outros em inglês, estes se desculpando por não saber nossa língua. Garantem que os parlamentos  de lá estão dispostos a aprovar leis nesse sentido, imediatamente.

 

A condição, diz nosso negociador, é que aprovem  e implementem integralmente   o Código Florestal Brasileiro que vocês nos impingiram em 2012, estimulando e financiando o Green Peace e  ambientalistas fanáticos para  palpitarem em nossa soberania.

 

Os europeus pareciam satisfeitos com o  desenlace da conversa e prometeram voltar em 100 dias com as leis ambientais aprovadas pelos diversos países que compõem a comunidade.

 

Mas foi um balde de água na fervura quando o Ministro brasileiro disse  que retomaria  sim o comércio entre as partes, mas a primeira venda seria a  consultoria da  nossa Ong  Verde Paz, que   acompanharia a implantação do Código Florestal Brasileiro  em toda a Europa.

 

Só depois, satisfeita essa primeira etapa,  seria autorizada a exportação de carnes e grãos.  

 

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor em Cuiabá.

renato@hotelgranodara.com.br




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3 Comentário(s).

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Carlão  11.10.17 10h29
Texto bem bolado, infelizmente, utópico, como o título, porque ao invés de projetarmos um País, a prioridade de nossos políticos é implantar a descabida e inconveniente ideologia de gênero, enquanto países modernos, como Israel, dessalinizam o Mar e transformam deserto em terras produtivas estamos cá pensando em gêneros e sem sequer cuidar de nossos velhos e crianças.
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Campos  10.10.17 15h42
Muito interessante a fala. Caso o Brasil seja passado a limpo, agora, certamente será uma grande nação em 2050. Caso o Brasil cometa o retrocesso de eleger o PT, ai em 2050, seremos uma "Venezuela" de hoje.
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Kamikase  10.10.17 08h41
Uma coisa é certa, na forma como estamos hoje, vamos ser um simples produtor de grãos, sem uma comunidade cientifica diversa, não produzimos tecnologia. O agronegócio que beneficia apenas alguns grupos alem de destruir florestas e rios com ambição, Imagine se não tivessemos leis ambientais tão duras
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