Cuiabá, Segunda-Feira, 10 de Dezembro de 2018
EDUARDO PÓVOAS
11.01.2018 | 20h00 Tamanho do texto A- A+

Tricentenário

Cuiabá, para quem não sabe, teve no passado uma vida cultural que não ficava muito longe dos grandes centros

Chegamos a quase quatrocentos e poucos dias de uma data marcante.

 

Começo por este uma série de artigos copilando dados das obras do meu pai, para homenangear a cidade que amo.

 

Muitos como eu que jamais imaginaram viver essa data histórica, ansiosos estão com a aproximação dela.

 

Não só de asfalto, praças, viadutos e parques vive nossa cidade.

 

Cuiabá, para quem não sabe, teve no passado uma vida cultural que não ficava muito longe dos grandes centros. Falarei sobre ela em outro momento.

 

Poucos sabem ou acreditam que, até o ano de 1915, quem se destinava ao Rio de Janeiro ou São Paulo tinha como única alternativa descer o Rio Cuiabá, Paraguai até Assunção e daí ainda por água até Buenos Aires ou Montividéo, para subir pelo Oceano Atlântico até as nossas grandes metrópoles.

Os homens passam, desaparecem na poeira dos séculos. Os seus pensamentos, porém, lhes sobrevivem, o espirito que os animou perpetua-se formando e modelando os espíritos de outros homens, contribuindo assim para a formação de novos guias do progresso humano

 

O Rio Cuiabá sempre esteve ligado à nossa cidade e à nossa gente.

 

Atravessá-lo antes da construção da primeira ponte por Júlio Müuller em 1942, só através da parca “pêndulo” que ligava o primeiro e o segundo distrito da capital, a cidade e o Porto e o terceiro distrito, que era Várzea Grande.

 

Seu proprietário, coronel Benedicto Leite de Figueiredo, conhecido como "Coronel Didito”, sempre a bordo e com um repertório vastíssimo, divertia os passageiros que nela viajavam sob os olhares do seu Comandante José Félix, nunca agarrado ao leme da embarcação, mas sempre prestando atenção nas histórias contadas por seu patrão.

 

Meu pai me contava que o bairro do Porto, onde nasceu e passou toda sua infância, era o bairro da cidade que mais lhe fascinava.

 

Em homenagem a seus amigos, aos meus e as famílias cuiabanas desse e de outros bairros da cidade, que ele me ensinou a amar, vou, a partir deste artigo, escrever suas peripécias pela nossa cidade e aquelas pesquisadas por ele e descritas nas obras que deixou e dedicou aos jovens cuiabanos.

 

No bairro do Porto, tiveram sedes importantes casas comerciais de Cuiabá, destacando-se, dentre elas, a dos Irmãos Dorsa, italianos, que foram os introdutores do automóvel em nossa terra.

 

Com o desenvolvimento da cidade, outras ruas foram surgindo, dando ensejo a que várias delas se tornassem o embrião de verdadeiros sub-bairros que se integravam ao grande conjunto e que confluíam, direta ou indiretamente, para a Avenida 15 de Novembro, tais como Várzea Ana Poupino, Barcellos, Terceiro, Lagôa, Chacrinha, Hidráulica, Limoeiro, Cruz Preta, Capim Branco etc.

 

Por isso, Lenine Póvoas dizia: “Os homens passam, desaparecem na poeira dos séculos. Os seus pensamentos, porém, lhes sobrevivem, o espirito que os animou perpetua-se formando e modelando os espíritos de outros  homens, contribuindo assim para a formação de novos guias do progresso humano”.

 

EDUARDO PÓVOAS é dentista em Cuiabá, com pós-graduação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).




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