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Opinião / JUACY SILVA
04.12.2017 | 06h45
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Todos contra todos

O segundo "pecado" do PT foi trair não apenas aspectos ideológicos, mas também princípios éticos

Estamos a menos de um ano para as eleições gerais de 2018 e a corrida para Presidente da República, governadores de Estado, deputados federais, estaduais e a "renovação" de dois terços das vagas de senadores da República está em pleno vapor, um verdadeiro desespero de quem não quer perder o poder e de milhares que também querem participar das "boquinhas" que emanam do poder.

 

Com o impeachment de Dilma, a aliança entre PT e PMDB, que iniciou com o governo Lula e permaneceu para a eleição e reeleição da primeira mulher que conseguiu chegar ao mais alto cargo da política nacional, foi rompida de forma definitiva, obrigando o PT tanto a se reinventar quanto avaliar suas alianças com as forças mais retrógradas e conservadoras da política brasileira.

 

Há quem diga que o PT cometeu dois grandes pecados, primeiro ao trair suas próprias bandeiras para, em nome da governabilidade, bandear-se para a direita imaginando que, ao aliar-se aos partidos conservadores, aos usineiros, latifundiários, barões do agronegócio, banqueiros e corruptos já bem identificados pela opinião publica, poderia firmar-se definitivamente com a força dominante da política brasileira.

 

O segundo "pecado" do PT foi trair não apenas aspectos ideológicos, mas também princípios éticos. O povo, principalmente os movimentos sindical, social e a intelectualidade sempre associaram a atuação do PT com o slogan da "ética na política".

É neste contexto de "salve-se quem puder" que começa a ser desenhada a corrida eleitoral de 2018, em meio às reformas política, da previdência, trabalhista

 

Os quadros mais "iluminados" do PT acabaram caindo na corrupção, incluindo seu grande líder, o ex-presidente Lula que, desde o estouro do mensalão e a prisão de vários de seus ex-ministros e dirigentes partidários, também está sob fogo cruzado, respondendo às acusações de ter-se beneficiado de dinheiro sujo, fruto da corrupção e do tráfico de influência.

 

A "chegada" do ex-vice-presidente da chapa Dilma/Temer, fruto de uma trama muito bem urdida não apenas do PMDB, mas também coadjuvado por outros partidos que, durante mais de 12 anos, mamaram no poder apoiaram os governos Lula e Dilma, possibilitou que a máscara da corrupção viesse a ser o pano de fundo de um governo marcado pelo fisiologismo, pelas barganhas vergonhosas com a única finalidade de impedir que o STF investigue denúncias de corrupção cometidas pelo presidente.

 

Para complicar ainda mais este quadro, diversos ministros e parlamentares que fazem parte da base do governo Temer também estão sendo investigados pela Justiça, sob o manto protetor de uma excrescência jurídica que é o foro por prerrogativa de função, ou o chamado "foro privilegiado", um verdadeiro estímulo à impunidade.

 

No Brasil, mais de 54 mil ocupantes de tais cargos não podem ser julgados em primeira instância e, nesta condição, são beneficiários da morosidade da Justiça, porquanto em estando os tribunais superiores abarrotados de processos, além da demora, muitos desses processos que envolvem políticos ou autoridades acabam prescrevendo e o crime ficando impune definitivamente, afrontando claramente o princípio constitucional da "igualdade perante a Lei", princípio este muito mais para "inglês ver" do que propriamente um pilar básico dos regimes democráticos e republicanos.

 

A chegada do PMDB novamente ao poder, da mesma forma que com o governo Sarney, que de apoiador do regime militar e presidente do PDS, transformando-o em "democrata de carterinha", possibilitou o aglutinamento das forças reacionárias, conservadoras e corruptas que, por décadas ou séculos, mandaram na política brasileira.

 

Como um governo fraco e marcado pelo fisiologismo dos partidos e seus caciques que o apoiam, Temer acabou sendo prisioneiro de suas próprias manobras e, na condição de refém, o único espaço que lhe sobra é lutar desesperadamente para livrar a própria pele pois sabe, perfeitamente, que no dia em que perder o manto protetor do foro privilegiado, terá que responder perante a primeira instância da Justiça pelas acusações de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes, podendo ter a mesma sorte de alguns de seus ex-ministros e aliados como Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, Gedel Vieira Lima, Silval Barbosa, Piciani, Garotinho e outros mais.

 

É neste contexto de "salve-se quem puder" que começa a ser desenhada a corrida eleitoral de 2018, em meio às reformas política, da previdência, trabalhista e a ação da justiça federal sob a batuta de juizes de primeira instância como Sérgio Moro, Marcelo Bretas e outros mais por este Brasil afora.

 

Como a grande maioria dos políticos não gostam de cometer suicídio, não no sentido estrito, como aconteceu com Getúlio Vargas, mas no sentido figurado de abandonar espontaneamente mandatos e cargos que lhes garantam foro privilegiado, farão de tudo para bagunçar a tentativa de acabar com o foro privilegiado e, ao mesmo tempo, procurar meios e fontes de financiamento para levaram adiante suas campanhas. As eleições de 2018 podem trazer muitas surpresas, principalmente se os eleitores resolverem dar "cartão vermelho" para velhos caciques que estão mamando nas tetas do governo e do tesouro há várias décadas.

 

Quem viver verá!

 

JUACY SILVA é professor universitário e aposentado da UFMT, mestre em Sociologia, articulista político.

professor.juacy@yahoo.com.br

Blog www.professorjuacy.blogspot.com

Twitter@profjuacy




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