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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
20.04.2017 | 07h00
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Tempos de novos tempos

Tem lições de simplicidade que passam além do tempo e nos levam “tocando em frente”

Faz algum tempo assisti a uma palestra com Dulce Magalhães, em Cuiabá. Aliás, ela faleceu recentemente e deixou uma lacuna enorme no pensamento das coisas humanas no país. Ela fez umas analogias muito ricas e traduziu a música “Tocando em Frente”, de Almir Sater e Renato Teixeira.

 

Aproveitei e associei no mesmo raciocínio uma antiga lição de meu pai, ainda na minha infância em Minas. Nesse ambiente de terra arrasada que estamos vivendo em nosso país e a própria ordem mundial, imaginei que um pouco de simplicidade sirva pra amansar nossas almas cansadas.

 

Dulce Magalhães disse que os poetas, os artistas plásticos, os escritores, os jornalistas, os compositores musicais, entre outros que lidam com a mente criativa, conseguem avançar suas percepções além dos sentidos e captam sensações que ainda estão em outra dimensão. Trazem e materializam em obras. As pessoas se surpreendem com a clareza da mensagem.

Mal sabia que ele estava falando de perfeccionismo e de cumprir as missões com dedicação e comprometimento

 

A música “Tocando em Frente” é uma delas. É uma analogia à vida e sua duração. Quando diz no início: “Ando devagar porque já tive pressa. E levo esse sorriso porque já chorei demais. Hoje me sinto mais forte. Mais feliz, quem sabe. Só levo a certeza de que muito pouco sei, ou nada sei”, na verdade resume a trajetória de toda uma vida.

 

Mais adiante, ensina a trajetória quando diz: ”Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente como um velho boiadeiro levando a boiada. Eu vou tocando os dias pela longa estrada, eu vou. Estrada eu sou”. E a lição pura que mostra o começo e o fim da vida: “Todo mundo ama um dia todo mundo chora. Um dia a gente chega e no outro vai embora. Cada um de nós compõe a sua história. Cada ser em si carrega o dom de ser capaz e ser feliz”.

 

Esta música me toca muito por conta de uma episódio ocorrido entre meu filho Marcelo e eu. Logo depois ele partiu...ela sempre me emociona. Mas, por outro lado, nesta semana me vi descascando uma laranja e me lembrei muito de meu pai. Na minha infância ele me ensinava seguidamente a “cascar” uma laranja, o modo como dizíamos descascar.

 

Ele ensinava e exigia que o corte começasse na cabeça e seguisse ao redor da laranja fazendo uma fita bem uniforme e que jamais quebrasse. Tinha que sair inteira ao ponto de se montar uma laranja semelhante com a casca. “Quem “casca” certo uma laranja, dizia ele, “casca” qualquer abacaxi na vida”. Mal sabia que ele estava falando de perfeccionismo e de cumprir as missões com dedicação e comprometimento. Uma simples fábula que me vem à mente todas as vezes que “casco” uma laranja.

 

Nesse clima pesado que estamos vivendo, tem lições de simplicidade que passam além do tempo e nos levam “tocando em frente”, como o simples “cascar” de uma modesta laranja. De certo modo, estamos começando a “cascar” certo essa laranja chamada Brasil.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br




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JONY AUGUSTO PACHECO  20.04.17 16h40
Cidadania na Escola A escola deve criar padrões próprios e estabelecer direitos e deveres. A criança pode, desde os primeiros anos de vida, participar desta construção de valores. Sendo chamada para o diálogo, refletindo e distinguindo sobre o que deve e o que não deve fazer. Assim, formará a sua consciência coletiva, e esta consciência será importante para que, num futuro promissor, pratiquem plenamente o bem comum. Escola é lugar de compreender que o direito de um termina ao começar o do outro; perceber que existem deveres a serem cumpridos; respeitar o próximo e cuidar do espaço que é de todos. Estes são micros exemplos de aprendizados que levam a pratica da cidadania na vida adulta e à construção de uma sociedade mais justa e solidaria. Uma sociedade que geraria cidadãos que mergulharia na galáxia de justos conhecimentos das verdades, acalentadas de duchas de grande instrução do saber, banhadas de qualidades, erudição, caráter, terão abundantes aguas, do Latim “sapere” ou seja, Sabedoria. Nunca permitiria que nosso poderes da república, pilares da democracia, obrigaria a convivermos com autoridades atolados em promiscuidade financeiras, enxovalhados de personalidades com falta de probidade no trato de coisas alheias, desacreditados, sem legitimidade de fazer cumprir leis. Caminhos optativos que buscaram, neste túnel inóspito, há mais de trinta anos, Nossa expectativa é que o final tenha saída, denominado, “belo banho” com jatos atingindo hoje os pés, quem saiba aos fatídicos corpos. Obs. lindas lavras do ilustre articulista Onofre Ribeiro
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