Cuiabá, Quarta-Feira, 19 de Dezembro de 2018
ONOFRE RIBEIRO
04.12.2018 | 07h02 Tamanho do texto A- A+

Taxação e planejamento

Ou o Governo Mauro Mendes planeja o futuro ou terminará desgastado

Recorrente este tema. Taxar ou não taxar o agronegócio sob o argumento de que ele é protegido pela Lei Kandir e paga menos impostos do que deveria. A questão é tão simples quanto complexa. Simples porque o agro não foi o responsável pelos furos na caixa do governo estadual. Complexa, porque analisar as contas do governo, do agro e os impostos, é conversa pra mais de metro.

 

Agora, a questão vai se resumindo em alguns pontos bem claros. O governador Mauro Mendes assumirá em 1º de janeiro do ano que vem com um furo monumental nas contas. Precisará de dinheiro novo, mas precisará cortar feio nas contas estaduais. Coisa dificílima porque enfrentará corporações egoístas e extremamente poderosas conhecidas como “poderes”, mais os servidores públicos, os seus sindicatos e fórum de interesses.

 

De outro lado, um novo imposto resolverá no curto prazo as contas atuais. Se não houver cortes e pesado planejamento governamental tudo cairá por terra em poucos meses e de novo se falará em taxações de outros setores. Mas neste artigo gostaria de falar um pouco sobre o planejamento indispensável. O agronegócio sozinho não sustentará os custos de pesadíssima e ineficiente máquina pública que o Estado carrega. Na última semana na posse do presidente da Federação das Indústrias o vice-governador eleito, Otaviano Piveta, abordou o assunto com lucidez.

 

O Brasil entrará 2019 num ciclo virtuoso da economia. Só isso já imporia forte senso de planejamento

Disse que cabe ao governo de Mato Grosso planejar políticas industriais pra dar sustentação à economia. Falou da chamada agregação de valor à produção primária de madeira, de grãos, de carne e de fibras. Exportar produtos primários empobrece. Jamais enriqueceu qualquer país que só exportou produtos primários.

 

Na prática, juntando a visão de Piveta, as contas de Mauro e o  futuro,  parece claro. Ou o Governo Mauro Mendes planeja o futuro ou terminará desgastado e chorando o eterno caixa baixo. O Estado não existe pra si mesmo e nem pras suas corporações. Quem o faz, constrói e produz é a cidadania no seu conjunto de pessoas e de empresas. O Estado é só complicador e gastador!

 

O Brasil entrará 2019 num ciclo virtuoso da economia. Só isso já imporia forte senso de planejamento. Ainda mais com essa questão do caixa deficitário. O ex-ministro do Planejamento e ex-senador por Mato Grosso, Roberto Campos, sempre insistiu que o país só crescerá com planejamento. Nunca com os discursos políticos das eleições.

 

Ao governador Mauro Mendes resta pouco, além de planejar o futuro. Cuidar das contas será rotina do presente. Agora o futuro é quem realmente contará. Não lhe resta outro caminho pra contornar as mediocridades do presente imediato.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.




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Gustavo Marcelo de Oliveira Almeida  04.12.18 22h00
Olá, boa tarde Sr. Onofre. Vejo que em vários governos, tivemos uma gestão, a nível de staff, que sempre tiveram programas aos quais tinham devido conhecimento com mais afinidade, sendo neste caso plausível e inteligente ao ponto de poder dar o seu melhor na atividades desempenhada. E quando ocorre a troca dos secretários temos uma ruptura dos trabalhos que vem sendo desenvolvido. Claro que não defendendo o poder de forma perpetua, mas um planejamento a nível de estado que seja fielmente seguido (que talvez possa ser além do Plano Pluri Anual), poderia nos auxiliar na questão da ineficiência e pesadíssima máquina pública que é o nosso grande Estado de Mato Grosso.
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Davi  04.12.18 17h01
Os EUA têm aproximadamente 300 bilhões para investir no Brasil, o que aliado a uma mudança na política interna poderá representar um processo tardio de industrialização do Brasil. Ainda hoje em decorrência do lobby do agronegócio a exportação de commodities agrícolas é desonerada, com isso a matéria-prima não fica no Brasil. É preciso retirar essas isenções fiscais e priorizar a manufatura/ industrialização de produtos para agregação de valor (venda do produto já industrializado) e ao mesmo tempo geração de emprego e renda para a população. Neste contexto as parcerias internacionais irão se alterar naturalmente porque a China sempre pretendeu usar o Brasil como um fornecedor de materiais-primas para a sua indústria. Neste esteio, não podemos restringir a análise geo-política somente na situação estabelecida (Brasil exportador de commodities agrícolas) e sim, num novo contexto em que o Brasil pode se aproveitar da necessidade estadunidense de solução da questão da Venezuela/Cuba para equilibrar suas relações externas e ao mesmo tempo avançar, criar uma indústria forte e alterar suas parcerias priorizando países livres. Mas para se ter esse avanço é preciso vencer o desejo de lobistas e financiadores de campanha.
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marcos   04.12.18 16h32
Parabéns Srº Júlio César Rodrigues. Rss
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Fernandes  04.12.18 15h27
Boa tarde Onofre. Realmente você tem razão. O Mauro terá que planejar os quatro anos de sua gestão. Vamos analisar apenas um dos problemas: servidor público. Os servidor públicos que trabalham no Estado desde 2001, já fizeram vários cursos de capacitação e foram treinados até a exaustão até o governo de Silval Barbosa. Quero enfatizar que o servidor público está altamente qualificado para desenvolver suas atividades. O problema é o tamanho continental do Estado de MT, sempre precisará de mais e mais servidores. Como resolver esse impasse? A arrecadação não suporta a implementação de novos concursos ou a realização de mais gastos. Repassar para as ONGs novas demandas? tem que rever a legislação. Qualificar mais os servidores seria outra solução. Concurso para os servidores da Fazenda, Porque tem muitos Fiscais que estão se aposentando. Qual a solução? É a implementação do Planejamento dentro do PPA e para finalizar, é importante o diálogo permanente entre os três setores da Economia. Por exemplo: taxação do agronegócio.
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Júlio César  04.12.18 08h50
Excelente análise, caro Onofre. Dois pontos obscuros nesta celeuma: a abertura das caixas pretas de ambos os lados e a boa vontade dos governantes em cortar na própria carne. Agnóstico que sou, tendo a acreditar no pior cenário, as peças não irão ceder, vaidade e ganância acima de tudo e todos, infelizmente.
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