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Opinião / RUI PERDIGÃO
13.03.2018 | 08h08
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Segurança política

A seis meses da eleição, não é o Executivo que causa preocupação, e sim o futuro do Legislativo

Se me for permitido e possível isentar-me de méritos ideológicos, e colocar-me estritamente como observador externo da política mato-grossense, direi que aqui em Mato Grosso, igual por todo o Brasil, profundas mudanças sociais, culturais e econômicas continuam prementes.

 

E a seis meses das eleições, em que serão escolhidas as pessoas que irão ocupar os mais altos cargos de dois principais poderes, o executivo e o legislativo, não é o governo do estado que mais capta a minha atenção, mas sim o futuro do poder legislativo.

 

Mais ou menos aceite ou compreendido, mais ou menos conseguido ou interiorizado, o executivo vai perseguindo transformações que entende estruturantes, num esforço em alterar práticas enraizadas na aquisição pública de bens a serviços a preços astronomicamente superfaturadas, ou, quando adquiridos a preço justo, entregues em desconformidade com a adjudicação ou a lei.

 

Num esforço em interpretar o orçamento, não somente como uma importante peça política coerente com o mandato eleito, mas também exigindo a sua execução a níveis muito superiores aqueles que historicamente sempre fizeram do exercício um bailado ao som do livre arbítrio. Um esforço em fechar uma torneira de dinheiros públicos que se escoam sem nunca chegar à ponta, ao seu legitimo proprietário/destinatário. 

 

No fundo, um conjunto de esforços que pretendem mostrar que é possível administrar a coisa pública de outro modo, de um jeito que também possa contribuir para veículos de comunicação social, mais livres e independentes, capazes de cooperar no processo de alfabetização política da população.

 

Mas muito desses esforços podem se perder no tempo se o legislativo não fizer também ele o seu trabalho de casa. E é aí que maiores dúvidas me assolam. Atualmente o poder legislativo apresenta-se deveras enfraquecido, desacreditado e sem paleta de cores. Isto para não dizer desnorteado, assustado e acossado. Um poder assim não é poder. Porém as suas atribuições continuam vigentes e aqueles que vierem a integrá-lo delas farão uso. Mas não pode continuar por muito mais tempo o uso indevido do cargo e das deliberações.

Será que vão ser eleitas pessoas que no seu intimo pretendem que continue o jeito mercantil da política?

Por isso a próxima escolha dessas pessoas apresenta-se com muito maior acuidade.

 

Será que vão ser eleitas pessoas que no seu intimo pretendem que continue o jeito mercantil da política? Será que as próximas pessoas vão querer debater melhorias ou mesmo regulamentar, por exemplo, sobre emendas e cargos comissionados? Irão ponderar sobre onde é efetivamente necessário mais estado e onde poderá ser menor? No fundo, pensar séria e publicamente um vasto conjunto de questões que muito interferem na organização do estado, mas que se configuram e teimam ir ao arrepio de concepções superiores de estruturação da sociedade.

 

Num momento em que tanto se fala de insegurança jurídica, é, no entanto, a segurança política que mais está sobre ultimatos de materialização. É assim interessante considerar que com a consolidação de uma prática executiva séria e com um legislativo preparado, melhor se conseguirá reunir condições e força, pela legitimidade do voto, para avançar também nas alterações que obviamente o poder judiciário precisa também ele empreender. E assim se avançar na construção de um Brasil melhor.

 

Contrariamente à indefinição que se diz  existir no cenário político em Mato Grosso, salvo alguma revolução ou imponderáveis que sempre acabam influenciando o curso da política mais mediática, 2019 poderá muito bem revelar-se principalmente o ano de mudança do legislativo e 2022 o ano da mudança de executivo. Quem serão as pessoas protagonistas de tão desejadas mudanças? Só depende de nós e de cada um, mas sinceramente espero que sejam pessoas sérias, preparadas e com uma visão de uma sociedade mais justa, menos desigual.

 

Aqueles que esperavam pelo dinheiro do ministro, e não pelo ministro, ou esperavam sentar-se à mesa com o governador para articular subtrações, serão agora esperados pelos eleitores numa campanha cara a cara.

 

RUI PERDIGÃO é administrador e presidente da Associação Cultural Portuguesa de Mato Grosso

 

 




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