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Opinião / RENATO DE PAIVA PEREIA
18.06.2017 | 07h42
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Sapiens

Embora tenha abandonado as batalhas tribais, o homem ainda preserva ranhetices comuns dos primatas

O Homo Sapiens é muito ranzinza. Vive implicando com o vizinho ou parente, sempre achando que está  sendo engambelado pelo outro. Embora tenha abandonado as recorrentes batalhas tribais, ainda preserva ranhetices e rivalidades comuns dos primatas, família a que pertencemos, embora muitos neguem esse parentesco.

 

Os comportamentos típicos dos bandos  que viviam em constantes contendas,  podem ser visto, ainda que disfarçados com algum verniz civilizatório, no  dia-a-dia  das pessoas.

 

O espírito de tribo agora se manifesta em ajuntamentos por classes sociais, categorias profissionais, comunidades religiosas, torcidas esportivas e outras tantas formas  de se unirem por algum traço  comum.

 

Dentro de cada grupo, os Sapiens disputam entre si, mas se unem em bandos para atacarem outro ou defenderem-se deles, quando se sentem ameaçados. 

 

O comportamento de uma torcida de futebol, por exemplo,  quando atacando a rival, parece muito com o nosso parente próximo, o Chimpanzé, quando defende o  território que habita ou tenta conquistar o reduto do bando adversário.   

Dentro de cada grupo, os Sapiens disputam entre si, mas se unem em bandos para atacarem outro ou defenderem-se deles

Também a atuação  de grevistas atacando policiais e rebatidos por estes,  lembra macacos  confrontando-se em bandos,  atirando objetos mutuamente com alarido, xingamentos e caretas.  

 

A diferença é que os nossos primos primatas parecem mais práticos, pois brigam por sobrevivência, enquanto os humanos se estapeiam para provar que o Corinthians é melhor que o Palmeiras ou usam a força bruta onde o diálogo seria melhor.   

 

Depois de tantos anos de civilização  não aprendemos ainda as vantagens da cooperação que beneficia a todos.  Cultivamos   a preferência  atávica pelo  confronto e  hostilização, embora tenhamos deixado   de atirar paus e  pedras  uns nos outros, exceto nos protesto e nos jogos de futebol.

 

Disfarçadamente  preservamos os antagonismos tribais.  Os flamenguista  olham de esguelha os vascaínos;  evangélicos não admiram os católicos;  empresários dizem que os empregados são preguiçosos;  estes garantem que os patrões são gananciosos e opressores.

 

Ainda: os que trabalham na iniciativa privada afirmam que os funcionários públicos  são desleixados e malandros; civis acusam os militares de violência e todos nós, quando perdemos uma causa na justiça, acusamos o juiz de corrupção  ou incompetência.

 

Mas é possível melhorar. Se lembrarmos de que há pouco mais de  cem anos incivilizadas tribos africanas capturavam e vendiam homens, mulheres  e crianças como escravos dá pra ver que progredimos bastante.  

 

Entretanto não convém esquecer que  as incivis tribos africanas vendiam os escravos  aprisionados para os civilizadíssimos avós do meu e do teu avô.

 

Renato de Paiva Pereira é empresário e escritor




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