Cuiabá, Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
ONOFRE RIBEIRO
24.06.2018 | 08h15 Tamanho do texto A- A+

Revolução sem reflexão

Não dá pra isolar os fatos e separar o que acontece hoje daquilo que aconteceu antes

Na edição dos últimos dias 16 e 17 deste mês, o querido amigo Eduardo Mahon publicou no Caderno Ilustrado, do Diário de Cuiabá, uma longuíssima entrevista que fez comigo em seu escritório, dias antes. Foi, na verdade, uma série de provocações dele sobre temas nacionais e regionais. Bom provocador e culto, Eduardo Maon começou perguntando onde foi que o Brasil errou pra chegar a esse ponto de desagregação política, econômica, cultural e social? Um equívoco histórico o Brasil dos dias de hoje.

 

Evidente que pra responder a uma pergunta abrangente e complexa como essa, precisamos entrar profundamente na construção do Brasil desde o seu descobrimento até os dias de hoje. A cada pergunta mais nos aprofundávamos nas causas, nos desdobramentos, nos acertos e na sequência enorme de equívocos das elites econômicas e políticas brasileiras, na construção deste Brasil que nos atropela hoje.

 

O futuro ainda não está traçado, mas a cores na tela do tempo não indicam nenhuma obra de arte

Depois dessa gostosa e sofrida viagem ao longo da História, foi inevitável cairmos na também longa e dolorida história de Mato Grosso. Passamos pelos vários governos da segunda metade do século 20 e caímos no atual governo de Pedro Taques. Não dá pra isolar os fatos e separar o que acontece hoje daquilo que aconteceu antes e como esses momentos históricos se cruzaram em algum ponto de sua trajetória. Concluímos que o governo Pedro Taques segue uma rotina histórica de equívocos e de interpretações de cada tempo.

 

O futuro, ainda não está traçado, mas a cores na tela do tempo não indicam nenhuma obra de arte. É preciso casar o passado com o presente e com o futuro.

 

Bom. As repercussões da entrevista foram muito contraditórias. Mas chamou-me a atenção o desejo de muitos leitores. Uns pela facebook, no whatsapp, outros no e-mail e muitos pessoalmente.

 

Esses interpretaram que a entrevista deveria ter sido explosiva dentro da linha atual bipolar. Há que se destruir antes de ter um projeto de construção do Brasil. O país foi destruído continuamente ao longo do tempo. No período recente foi desconstruído sem projeto que não fosse o de manter o poder a qualquer preço e qualquer custo.

 

É direito absoluto do leitor criticar segundo a sua leitura. Mas o que chamou a minha atenção foi justamente a desconsideração com a crítica histórica. Ela é o retrato de todos os equívocos e serve pra balizar os futuros acertos. Pôr lenha na fogueira neste momento confuso do país e do estado de Mato Grosso não contribui. Uma vez compreendido o panorama abrangente e amplo dos contextos, devem entrar os projetos de construção. Chega de revoluções sem projeto.

 

Fiquei preocupado com a desconstrução da História que domina a vida brasileira. A construção ou a reconstrução de uma nação tem obrigatoriamente que passar pelo pensamento e por estratégias. As armas, ideológicas ou bélicas, não são boas conselheiras. Já destruíram lá atrás.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso




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alvaro  24.06.18 12h53
Boa tarde, o diagnóstico está correto, agora é necessário encontrar o(a) líder com história, respeitabilidade, estofo intelectual, sensibilidade social para "juntar" todos que assim pensam e ainda colocar o sino no pescoço do gato. Ah! E ter a coragem de apenas chamar os especialistas em economia num segundo momento...
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