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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
01.07.2018 | 09h40
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Quem nos representará?

Instalou-se a partir de 1998 a corrupção ampla, geral e desavergonhada no Brasil

Nas eleições de 2018 assistiremos a um pleito rigorosamente sem partidos políticos disputando. Teremos siglas. Mas siglas não significam nada se não tiverem conteúdo orgânico.

 

No Brasil depois da redemocratização no fim do regime  militar em 1985, começou-se a criação de novos partidos. Partido pressupõe representar vertentes ideológicas da sociedade. Os militares não deixaram um conteúdo partidário significativo. A Arena era oficialmente o partido do regime. O MDB o opositor. Dentro dos dois cabia o mundo das ideologias da época.

           

Depois da Constituição de 1988, que é um balaio de confusões entre o parlamentarismo e o presidencialismo de coalização, nasceram partidos completamente desnecessários. Havia o PMDB, sem causas. A redemocratização matou-o. A Arena virou PFL que não tinha sentido ideológico.

Chegamos a 2018 sem um partido orgânico que justifique a sua razão de existir no meio de 35 irresponsáveis siglas vazias

 

O PSDB nasceu de uma rachadura do PMDB. Sem causas. O PT vinha desde 1980, nascido do sindicalismo, tomara a cara socialista e o discurso de oposição, tendo como pano de fundo a defesa dos trabalhadores. Causas confusas, mas orgânicas na época.

           

Em 1997, pra se reeleger em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso provocou a aprovação no Congresso Nacional da lei 9.504/97, que iniciava o presidencialismo de coalização via coligações partidárias. Na prática as coligações iniciaram um sistema em que o presidente da República, governadores e prefeitos são eleitos pelos votos dos eleitores nos partidos coligados.

 

Isso foi aos poucos matando os partidos na medida em que perderam o mínimo de ideologia ou razão de existir.  Até mesmo o PT que elegeu Lula em 2002, perdeu a identidade no governo a partir de 2003.

           

A coalização permitiu lotear os governos entre os partidos coligados. No primeiro momento significou arejar o governo. Depois os líderes partidários perceberam a força dos negócios políticos, econômicos, empresariais e pessoais que lhes dava nos campos federal, estaduais e municipais.

 

A partir daí os partidos passaram a ter donos que os manobram e pingam dinheiro e poder na árvore que começa lá no municípios. Alimentam, aliados, negócios, empresas, concessões, prestação de serviços. Mas não abrem o seu poder.

           

Instalou-se a partir de 1998 a corrupção ampla, geral e desavergonhada no Brasil. Comandada pelas coalizações partidárias. Chegamos a 2018 sem um partido orgânico que justifique a sua razão de existir no meio de 35 irresponsáveis siglas vazias.

           

A eleição de 2018 vem recheada de nomes. Apenas nomes. A maioria não significa absolutamente nada pro eleitor. E a maioria dos que significam não recomendam. Democracia baseia-se em partidos cujo papel é amortecer as relações do eleitor da base com os lances do Estado. Estado forte demais, cidadão fraco demais. Ficamos assim!

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br      www.onofreribeiro.com.br




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Salvy Bosco de Resende  04.07.18 10h07
Ótima síntese dessa parte da toda nossa história de mais de três décadas! Super parabéns, Sr. Onofre Ribeiro! Posso discordar aqui ou ali, como o PSDB ter nascido sem causa (que se deteriorou), ou que não haja partidos hoje que não busquem realizar suas essências e há: a Rede Sustentabilidade e o Novo estão tentando. Mas não há propostas CLARAS e nem o SENTIDO DE URGÊNCIA que precisamos, infelizmente. Sua reflexão me leva a compreender o que meu Mestre preferido, Raumsol, disse em 1940: “A Política tornou-se a ‘arte’ de conquistar e manter o poder”. E só. Valeu, obrigado!
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