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Opinião / VICENTE VUOLO
10.07.2018 | 09h17
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Praga, a cidade de Kafka

Além de bela pela conservação do patrimônio arquitetônico, cidade é um dos maiores centros culturais da Europa

 

A excursão histórica chega a Praga, capital da República Tcheca, situada na margem do rio Moldava (Vltava, em Tcheco). A cidade é formada pela união de 5 antigas cidades e ficou famosa pelo extenso patrimônio arquitetônico e rica vida cultural.

 

Durante milhares de anos, as primitivas praças da moderna Praga - onde hoje se encontra o belíssimo Relógio Astronômico - foram passagem obrigatória nas rotas comerciais que atravessavam a Europa de norte a sul. Numerosos resquícios paleolíticos e neolíticos atestam a existência de povoações agrícolas entre os anos 5000 e 2700 a.C. 

 

A “Primeira Cidade” começa com os “Boios”, um povo Celta que deu origem ao nome Boêmia. Com o passar do tempo, chegaram os germânicos, os eslavos e os ávaros. Mas, o primeiro povoado remonta ao século IX quando a família do Príncipe Premysl se estabeleceu em Vysehrad (um penhasco junto ao rio), ao sul da cidade moderna. A dinastia Premyls fundou, governou e permaneceu no poder por 500 anos até o século XIV, se convertendo no núcleo político do reino da Boêmia e num dos mais importantes centros comerciais da Europa Medieval, nascendo assim, a Cidade Velha.

 

Em 1257, os conflitos com a população levaram o herdeiro do Rei Venceslau I da Dinatia Premyslida a fundar a “Segunda Cidade” ou Cidade Pequena (ou Malá Strana, só para alemães).

 

A partir do século XIV, com Carlos IV da Alemanha e I da Boêmia, Praga passou a ser a capital do Império Sacro Romano. Durante seu reinado, concedeu a nacionalistas Tchecos a “Terceira Cidade” ou Cidade Nova, que unia às outras com sua famosa ponte Carlos (1357). A ponte Carlos é um dos símbolos mais românticos de “Praha” (em Tcheco). Ela está protegida por três torres distribuídas entre seus dois lados, duas delas na Cidade Pequena e a outra na Cidade Velha.

 

Fiquei maravilhado com essa obra, que está decorada com 30 estátuas situadas em ambos os lados, que representam vários santos e patronos venerados daquela época. É considerada uma das construções mais impressionantes da arquitetura gótica no mundo.

 

Em 1598, foi criada a “Quarta Cidade”, na Colina de Hradcany (em alemão) ou o Distrito do Castelo. É a parte da cidade que fica no entorno do Castelo de Praga. É considerado o maior castelo do mundo. Em sua área se encontra a bela Catedral de São Vito (maior igreja da República Tcheca), local onde o padre colombiano da Paróquia São Pio, de Brasília, celebrou uma missa durante a viagem.

 

A poucos metros dali, está a Igreja de Nossa Senhora Vitoriosa onde encontra-se um tesouro que goza da admiração de milhões de pessoas de todo mundo: a figura graciosa do Menino Jesus de Praga. Existe a história de que o Menino Jesus de Praga salvou a igreja dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial e foi transformada em base hospitalar.

 

Depois da “Defenestração de Praga”, de 1618 (pelo qual os Tchecos atiravam os enviados dos Habsburgos pela janela), Fernando I se transferiu para Viena por vingança. Teve início, então, a “Guerra dos 30 Anos”, que terminou com a expulsão dos Senhores de Praga (os suecos), na famosa Batalha de Praga de 1648.

 

Em 1784, as quatro cidades foram unificadas, surgindo a “Quinta Cidade”. Os séculos XVIII e XIX foram de grande crescimento econômico devido a Revolução Industrial. No entanto, outras guerras se sucederam: Em 1848, acontece a Revolução contra a Áustria, a chamada “Primavera dos Povos”. Em 1918, Primeira Guerra Mundial. Em 1938, invasão do exército de Hitler. Em 1968, ocorre a “Primavera de Praga”, um movimento de oposição à União Soviética, que foi reprimida com a invasão dos soviéticos. Em 1989, Praga foi o centro da “Revolução de Veludo” durante a queda do comunismo. Em 1993, depois da divisão pacífica da Tchecoslováquia, permaneceu como capital da República Tcheca.

 

Mesmo com todas essas guerras, Praga se tornou uma das mais belas cidades da Europa. Recebeu entre outros títulos o de “Cidade das 100 Torres”, a “Cidade Dourada”, a “Paris dos anos 20 nos anos 90”, “Mãe de todas as Cidades” e “Coração da Europa”. Desde 1992, o centro histórico de Praga pertence à lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

 

Além de bela pela conservação do inigualável patrimônio arquitetônico, Praga é famosa por ser um dos maiores centros culturais da Europa, ligado a nomes como o poeta Rainer Maria Rilke, o humorista Jaroslav Hasek e o escritor judeu Franz Kakfa, que com sua escrita, inspirou a criação do termo “Kafkiano” para descrever conceitos e situações que remetem à sua obra, principalmente “O Processo” e “A Metamorfose”.

 

A lista de obras influenciadas por Kakfa é imensa entre contos, filmes, músicas, peças, óperas, livros, e até vídeo games. Vale a pena destacar “A Friend of Kakfa”, conto de Isaac Bashevis Singer, vencedor do Prêmio Nobel. “O Processo”, filme dirigido pelo cineasta norte-americano Orson Welles. “Watermelon Man”, filme inspirado por “A Metamorfose”, onde um segregacionista branco acorda negro. “Kakfa-Fragmente” música do compositor húngaro de música contemporânea, Gyorgy Kurtág para soprano e violino, usando trechos do diário e das cartas de Kakfa.

 

Foi fundado em Praga o Museu de Franz Kafka, dedicado à vida e a obra do escritor. Nela estão diversas fotos e documentos originais da vida de Kafka. Existe, também, um prêmio literário anual patrocinado pela Sociedade Franz Kafka e pela cidade, fundado em 2001 denominado “Prêmio Franz Kafka”. Sua função, de acordo com a premiação, é promover a literatura como “uma contribuição humanística à tolerância cultural, nacional, linguística e religiosa, com seus personagens eternos, sua validade humana e sua capacidade de deixar um testemunho sobre nosso tempo”.

 

A jornada cultural termina num local especial: o “Café Louvre”. Um dos lugares preferidos de Franz Kafka e seus amigos, além, de Albert Einstein, físico alemão que desenvolveu a teoria da Relatividade Geral, um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica.

 

O Café Louvre é mais que um café. Aberto em 1902, este café foi fechado em 1948 durante a era comunista, sendo transformado em escritórios. Em 1992, o café renasce, literalmente, mantendo a originalidade.

 

Ao me sentar numa mesa neste magnífico ponto de convergência, no primeiro andar, de um edifício situado à rua Nárondi Trida nº 20, pude viajar no tempo observando as paredes rosas e creme, seus detalhes em estuque neorrococó e suas arcadas que deixam a luz entrar.

 

É de se admirar como um simples café pode se transformar num café de estilo e de intelectuais que existiu durante o Império Austro-húngaro.  

 

VICENTE VUOLO é economista e cientista político 

 




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