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Opinião / MAURÍCIO MUNHOZ
18.03.2017 | 08h22
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Perfil do emprego em Mato Grosso

Em Mato Grosso convivemos com um sistema tributário obsoleto e absolutamente punitivo

Como os setores da economia ajudam na composição do perfil do emprego em Mato Grosso? Vou me utilizar do ICSM (índice de crescimento sustentável dos municípios), além dos dados do IBGE e do Ministério do trabalho, pra montar um quadro:

 

Setor

% Empregos formais*

% PIB**

% Salários pagos***

Indústria

18,39

17,6

25,54

Agropecuária

13,26

20,5

23,28

Serviços e Comércio

49,16

45,9

31,23

Serviços Públicos

19,19

16,0

19,95

* carteira assinada ou estatutário 2016 ** 2015 ***2016

 

O estudo de tendências do ICSM criou um índice de qualidade, pra interpretar a optimização dos números acima, fazendo uma relação matemática entre empregos formais e PIB /salários pagos. A indústria alcançou o ICSM 1,2 enquanto que a Agropecuária e Serviços Públicos ficaram com 1,1 e Comércio e Serviços com 0,8. Ou seja, a indústria é o setor que mais impulsiona o emprego formal de Mato Grosso em termos relativos.

 

Mas como sociólogo, eu não poderia ficar sem tentar compreender a força da economia informal, apesar de não haver estatísticas oficiais atualizadas sobre isso ou sobre o desemprego em Mato Grosso.

Como sociólogo, eu não poderia ficar sem tentar compreender a força da economia informal

 

Então, vamos tomar a população total de Mato Grosso como 3,4 milhões de habitantes em 2016. Desses, havia 800 mil pessoas com emprego formal, a população de pessoas com menos de 18 anos de idade era aproximadamente 1 milhão (não podem assinar carteira de trabalho) e os aposentados quase 400 mil.

 

Entre os restantes estão as beneficiárias de programas sociais, como o “Bolsa Família” que atende mais de 490 mil pessoas (incluídas aproximadamente 30% de menores de 18 anos, já contabilizados acima). Assim, sobrariam os trabalhadores na informalidade, empresários, estudantes, aqueles que não estão procurando emprego e os desempregados (tecnicamente são desempregados aqueles que, não estando trabalhando, tiveram alguma atitude recente em busca de emprego).

 

Para entendermos melhor a informalidade, precisamos falar da alta carga tributária. Como Mato Grosso é um estado com perfil do agronegócio, sempre cai bem uma reflexão sobre a contribuição tributária do setor. Em termos de faturamento (negócios), o agronegócio foi responsável por 51,9% do total do estado, mas arrecadou apenas 16% do ICMS. O comércio, por outro lado, faturou 34,7% do total e arrecadou 60,3% do ICMS.

 

É claro que a carga acaba ficando nas costas de alguém. Em Mato Grosso convivemos com um sistema tributário obsoleto e absolutamente punitivo, que somado ao peso das obrigações trabalhistas, criam um ambiente onde não há incentivo para a ampliação dos investimentos, principalmente os formais, a começar pelos empregos.

 

Certamente não há tendência do estado para se industrializar, que segundo vimos é a principal força motora do crescimento. Ao contrário, os números apontam para uma desindustrialização de Mato Grosso. Com custos altos como, tributos, frete e energia e, principalmente, por conta da lei Kandir que não estimula a industrialização por não incidir tributos para exportação aos produtos “in natura” temos visto indústrias se fechando e outras se mudando para estados vizinhos, como Goiás ou países, como o Paraguai.

 

E a agropecuária, como vimos, não é uma grande empregadora. Há mais de 30 anos Mato Grosso tem convivido com a grande produção de commodities, principalmente a soja, mas com apenas 13,26% do total, não podemos dizer que o setor teve um grande crescimento nos empregos.

 

Maurício Munhoz é economista e sociólogo.




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2 Comentário(s).

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Lucia Pontes  20.03.17 13h21
O agronegócio do jeito que está, atrapalha Mato Grosso.
1
0
Pedro Alcantara  18.03.17 12h21
Eu concordo. O agronegocio so tem conversa. Emprega pouco e não paga impostos mas alguém paga por isso.
3
0

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