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Opinião / JOÃO RODRIGUES
08.01.2017 | 23h05
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Perfeição disfarça

Ao refletir sobre perfeição, é cabível questionar até onde somos capazes de nos submetermos

Durante seu convívio social com certeza você já ouviu e também falou para alguém que nada é perfeito nessa vida, o que, aparentemente, nos faz acreditarmos numa verdade que não vivemos, pois muitas de nossas buscas incessantes por melhorias, no contexto material e imaterial, fazem com que agimos como verdadeiros crentes em uma vida perfeita.

 

Assim, ao refletir sobre a busca pela perfeição, é cabível questionar até onde somos capazes de nos submetermos para alcançar nossos ideais financeiros, materiais, espirituais ou estéticos.

 

O grandioso Leonardo da Vinci, ao construir a obra “Homem Vitruviano”, em 1640, categoricamente, alcançou a “divina proporção” crendo que pelo menos no papel o homem poderia ter sua perfeita forma. Posteriormente, nesse período consumista em que a humanidade vivencia, muitos de nós também vivemos com esse mesmo ideal, porém na tentativa de realizar tais objetivos na prática, além de ampliar os ideais estéticos para os fascinantes padrões de vida apresentados pelas mídias.

 

Nessa perspectiva, o grande problema em pauta está em medir as consequências materiais e pessoais causadas, ao optar por viver em busca do perfeito.

 

A cada dia mais os efeitos de propagandas, os artifícios midiáticos e até mesmo o convívio em uma sociedade extremamente capitalista fazem com que as dietas se tornem em verdadeiras receitas para doenças, com que adolescentes destruam sua sanidade mental, ao adotarem regimes de estudos sob extremos níveis de estresse, a fim de ingressar em concorridos cursos universitários ou com que pais e mães deixem de estar com seus filhos para trabalharem desnecessariamente, na crença de dar uma boa estrutura material a eles, esquecendo a estrutura familiar e psicológica as quais são insubstituíveis.

 

Essa situação é um sinal claro da crise pela busca da felicidade que atormenta muitas pessoas, pois essas acreditam cegamente na felicidade que esta por vir, esquecendo de ser feliz no presente.

 

Sendo assim, de maneira muito contraditória, tendo em vista a crença do homem moderno de que ele é o auge do progresso da humanidade, a Epopeia de Gilgamesh, construída a partir de 2100 A.C., consolidava uma concepção muito sábia sobre essa busca insana pelo perfeito, pois em suas histórias a grande moral é construída sobre a ideia de que jamais encontrarás a vida que procuras.

 

Todavia, não é apresentada uma visão pessimista do futuro, mas, sim, uma visão sensata de que o que idealizamos não se concretiza cartesianamente, pois a dinamicidade da vida faz com que o viver seja construído de conquistas e derrotas, sendo feliz aquele que saberá lidar da melhor forma com elas.

 

Logo, construir objetivos e abandonar idealizações é a melhor escolha para quem não quer fazer parte de um ciclo vicioso, onde o que fazemos ainda não é o suficiente ou onde o ser perfeito é ser feliz, pois a tentativa de ser um “homem vitruviano”, com certeza, será frustrante, tendo em vista que você é real e ele é apenas um desenho.

 

João Rodrigues de Lima é estudante em Cuiabá




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