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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
06.06.2018 | 16h05
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Pedagogia da confiança

O professor é quem fará a diferença na montagem e compreensão dessa pedagogia

Na semana passada conversei longamente com o presidente do Sistema OCB-MT, médico Onofre Cezário, e  a diretora da Faculdade de Cooperativismo no Estado, a terceira no país, Janete Dalabarba. O tema foi o título deste artigo, fruto de conversas anteriores orientadas neste momento confuso que vive o país, a política nacional e mundial.

 

Segundo Onofre Cezário, a percepção do “momento vibratório”, é oportuna pra um tema que não é novo, mas seja descoberto e se torne real. “Há uma confluência energética favorável pra discutir a construção de uma pedagogia da confiança”. Ela desenvolveu em Mandragón, na Espanha, onde se dá uma onda de cooperativismo de vanguarda no mundo, e que tem servido de inspiração para o Sistema OCB – MT. Mondragón e um modelo de referência mundial. É uma discussão que se propaga pelo mundo.

 

O geral é a mudança do jeito de viver e de organizar as pessoas e a sociedade pra outro jeito de viver social e economicamente

O seu fundamento é desenvolver modelos educacionais completamente diferentes desde a infância até a universidade. Formação de jovens para um outro jeito de organizar a economia, de certo modo define a pedagogia da confiança. A base é o sistema cooperativo. Mas o geral é a mudança do jeito de viver e de organizar as pessoas e a sociedade pra outro jeito de viver social e economicamente.

 

É uma rede de escolas com um modelo novo de pedagogia. A questão não é só o conteúdo, mas o jeito de lidar positivamente com os alunos e estas com as pessoas no futuro. Com a confiança, o estudante se reorganiza diferente frente à vida. Já a escola se organiza também diferente, com espaços pra projetos, pra trabalhos coletivos na forma de espaços num grande salão dividido em células onde trabalham os alunos numa dinâmica diferente. Começa na pré-escola no sentido de dar confiança ao estudante. Tem se revelado positivo na formação da criança, do jovem e do adulto pra vida e pra cooperativa.

 

Na prática, respeita-se o banco de dados cultural e social que o aluno já traz além da bagagem genética na sua vida.  Primeiro o individual, depois o coletivo. O sistema é dado por monitores no lugar de professores, sugerindo o acompanhamento respeito ao seu livre arbítrio, respeitando, porém, as regras sociais. A arquitetura da construção trabalha a redução do medo na criança que pode tolhê-la no futuro. O medo é um dos gigantes da alma e persegue o ser por toda a sua vida, se não tolhido cedo. Sabendo-se quem é, o jovem supera medos na sua inserção futura na sociedade. O mundo pode deixar de parecer-lhe perigoso.

 

A pedagogia da confiança deve produzir indivíduos mais estáveis emocionalmente e mais aptos a resultados de cooperação num mundo que tende a respeitar mais as redes de coletividade.  Segundo a diretora Janete Dalabarba, a metodologia é viável no Brasil, começando na formação do professor numa visão diferente em qualquer modelo de escola.

 

O professor é quem fará a diferença na montagem e compreensão dessa pedagogia de confiança. Está aberta a cooperação entre o I.Coop-MT e Mondragón na formação do indivíduo completo pensando na formação de um grupo multiplicador do fundamento. Esse grupo de 10 ou 12 professores daqui fará mestrado lá no fim de 2018, com esse olhar de futuro no Estado.

 

A formação na educação é longa, mas tem que começar! Uma nova sociedade cultural, social e econômica está se construindo rapidamente no mundo.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso




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aloisio  06.06.18 22h23
A área da educação é pródiga em proliferar novas pedagogias, com o tempo elas caem no esquecimento e/ou não são bem compreendidas. Oxalá a pedagogia da confiança traga personalidade aos atuais desafios da escola. Uma coisa não está clara: em que medida a família e a sociedade podem contribuir para essa nova pedagogia. A pautar pelo que ocorre hoje há mais incertezas do que certeza.
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