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Opinião / CHARLLES SETÚBAL
08.08.2018 | 08h50
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O serviço público e o setor privado

O serviço público deve aplicar as coisas boas que funcionam na iniciativa privada

Desde o término do 2º grau (atual Ensino Médio), a procura por emprego é uma luta diuturna e muitas das vezes, inglória. Assim como ontem, o estudante hoje tem duas opções: a) estudar para concurso; b) especializar-se e escolher uma carreira na Iniciativa Privada.

Já o “subordinado” não consegue fazer tudo, pois não tem a experiência e sabedoria que o tempo fez com que seu chefe (líder) adquirisse

 

O que quero com isso? Fazer uma boa comparação que ajude a pegarmos emprestado, de ambas as partes, os melhores exemplos que funcionem. Há uns 10 (dez) anos, a Iniciativa Privada em Brasília começou a fazer SELEÇÃO por provas e títulos, ou seja, além de ter que estudar, teria que provar com títulos (diplomas, certificados, tempo de experiência na área desejada, entre outros), ou seja, não bastava só a boa entrevista, boa impressão e um bom currículo.

 

No Serviço Público, o que se “copiou” foi a questão da estatística, visando a verificação de vários pontos, tais como eficiência, pontualidade, frequência, resultado, entre outros. No entanto, verifica-se no Setor Público que sua aplicação apresenta alguns problemas, tais como: a) impessoalidade do chefe, pois não está atrelada a uma análise profissional séria, correta, coerente e, infelizmente, está vinculada a um ASSÉDIO MORAL; b)  cobrar do servidor público muitos resultados, mas, não se quer pagar o justo, o proporcionalmente trabalhado, o que na Iniciativa Privada é pago normalmente, ou deveria ser pago. Já que se quer copiar, copie-se direito.

 

Vários setores do Serviço Público brasileiro não querem mudar. Um exemplo que representa bem isso são os que trabalham com a idéia de uma pseudo-hierarquia. Mas o que é hierarquia? Vamos exemplificar de forma bem sintética como deveria ser no setor público: o chefe sabe fazer, pois tem conhecimento e experiência na área.

 

Já o “subordinado” não consegue fazer tudo, pois não tem a experiência e sabedoria que o tempo fez com que seu chefe (líder) adquirisse. Em suma, hierarquia presumiria “conhecimento teórico e prático”, além de sabedoria. Infelizmente, temos muito no Serviço Público uma hierarquia artificial, em que “paraquedistas” comandam, sem nenhuma experiência em pessoas mais experientes, simplesmente, por possuírem determinada indicação política, ou por se candidatarem em certames a um cargo secular, cujo único mérito foi ser aprovado, e que por tradição exige tão somente um bacharelado, que serve como  “salvação” para toda sorte de panacéias, o que estatísticas independentes provam, na realidade, a sua ineficiência e até “desnecessidade”. Em países sérios, já não existiria mais. No setor privado, basta a relação patrão (dono do capital) e empregado (mão de obra) para que haja esta relação, podendo haver a relação desejada no setor  público.

 

Outras formas de o Serviço Público melhorar seria a DESBUROCRATIZAÇÃO, isto é, agir de forma mais sintética e prática possível, visando o resultado imediato. Infelizmente, por exemplo, alguns entendem que DESBUROCRATIZAÇÃO é somente INFORMATIZAR, deixando tudo salvo em SUPERCOMPUTADORES, mas, mantém, em sua essência, uma espécie de CARTORIZAÇÃO em nova forma, permanecendo a forma ineficiente, demorada e com vistas a alguma espécie de controle, ou mesmo PODER, não saindo de sua mão, fazendo, destarte, com que determinados procedimentos possam ser controlados, congelados e descongelados no momento mais propício e proveitoso.

 

A gestão de valores em gratificações, ou adicionais, é um outro elemento que deve ser bem analisado. Vamos trabalhar com a seguinte situação hipotética: em determinado Setor Público, pessoas que NÃO trabalhem de sobreaviso, ou plantão, recebem gratificação, ou adicional. É moral? É legal? Para quem realmente trabalha em sobreaviso, ou em plantão, é mais que merecido o seu recebimento. E para quem não trabalha?

 

O brasileiro, servidor público ou não, tem que começar a agir mais que falar. Ser moralista da boca para fora é fácil. Quero ver é agir neste sentido. Veste a carapuça quem merece.

 

Uma outra questão muito interessante da Iniciativa Privada, que poderia fortalecer o Serviço Público, é quando o chefe, prefiro o termo líder, têm pessoas ao seu lado que falem a verdade, que sejam realmente assessores, que sejam profissionais, e não uma gama de aduladores, de chaleiras, que preferem esconder a verdade, por mais dura que seja, a dar um choque de realidade, o que precisamos muitas vezes em nossas vidas.

 

Infelizmente, no Brasil, quem fala a verdade sobre a Instituição em que trabalha, que procura apontar o que está errado e o que pode ser corrigido, é visto como uma pessoa negativa, do ponto de vista dos “mortos vivos”, das “almas mancas”, dos de “visão míope”, ou dos covardes que trabalham nas repartições. Há idiotas que, inclusive, falam para os pró-ativos procurarem outra profissão. Há outras pessoas que, por uma má interpretação, ou falta de amor próprio, ou falta de estima a si, prefere jogar suas frustrações e o “estresse” do seu cargo nas pessoas.

 

Gostaria muito de falar sobre mais exemplos, no entanto, o espaço aqui é limitado.

 

Quero deixar a minha mais profunda admiração por todo o servidor da Iniciativa Privada, pois sei o que é “matar” um leão por dia. Muito difícil. E todos os servidores Públicos devem lembrar dos trabalhadores da Iniciativa Privada como parâmetro  para atendermos melhor, pois muitos já o fazemos, a população brasileira, independente do Estado da Federação.

 

Deixo para reflexão a seguinte frase do padre Fábio de Melo que representa tão bem o cotidiano do ser humano: “Que Deus nos defenda das ruindades calmas, dos ódios que sofrem, que não alardeiam, caminham entre nós nos andares da falsidade.”

 

CHARLLES FÚLVIO ROCHA SETÚBAL é servidor público formado em Letras e Direito




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2 Comentário(s).

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Gaudencio  08.08.18 14h32
Atualmente existe muito cacique para pouco indio.
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Ethan  08.08.18 13h16
Muito bem escrito o texto. Parabéns! Serve de análise para refletirmos se as pessoas que estão no comando das gestões dos serviços públicos são realmente eficientes, ou se estão lá para simular que estão resolvendo os problemas.
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