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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
31.12.2017 | 06h30
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O “Jeca Tatu” somos todos nós

O principal fato de 2017 foi o descolamento da economia. Abandonou seu parceiro siamês, a política, e seguiu carreira solo

Finda hoje o longo 2017. Foi um ano emblemático e indicador de que o futuro recomeçou.

 

Findou em agonia as crises ética, política e econômica herdadas das gestões recentes.

 

O principal fato de 2017 no tocante às crises, foi o descolamento da economia. Abandonou seu parceiro siamês, a política, e seguiu carreira solo.

 

Ao seguir seu rumo, a economia abre cenários de investimentos internos e externos.

 

Empobrecido, o Brasil precisa de muitos investimentos pra retomar uma direção que perdeu lá por 2014 em diante.

           

Em 2017, vimos a política descer ao último dos círculos do Inferno, de Dante. Perda total de credibilidade e a incapacidade de se reinventar.

 

Por quê?, perguntaria o leitor. Não é difícil de entender.

Em 2017, a sociedade teve ímpetos de querer trocar a roupa do Jeca Tatu. Mas não teve energia suficiente e nem ânimo. Gastou a sua energia exatamente como o Jeca Tatu: 'quá'!

 

Ao longo do último século, especialmente depois de 1950, a política brasileira seguiu o perfil do velho Jeca Tatu, personagem crítico do escritor Monteiro Lobato ao retratar o caipira brasileiro descrito no livro “Urupês”, de 1918, nos primeiros anos do século 20. 

 

Jeca era uma caboclo preguiçoso, doentio, sem projeto de vida e sem rumo. Fumava o velho cigarro de palha, o conhecido “paieiro”, enchia o mundo de filhos e respondia aos desafios da vida com um repetido “quá”, símbolo da desculpa de que nada valia a pena fazer.

 

As roupas remendadas ao ponto de não se distinguir o tecido original, lembra a política brasileira: remendada, remendada com tecidos de todas as cores. No fim não tem cor nenhuma.

           

Em 2017, a sociedade teve ímpetos de querer trocar a roupa do Jeca Tatu. Mas não teve energia suficiente e nem ânimo. Gastou a sua energia exatamente como o Jeca Tatu: “quá”!

           

2017 termina assim: “quá”!

           

Mas ensinou muito. Os políticos com ou sem mandato foram flagrados nas mais constrangedoras situações. Junto, a magistratura embarcou na mesma onda de deboche. As gestões públicas também desceram ao último degrau da eficiência e da capacidade de gerir.

 

Crises financeiras, greve, gastos astronômicos. O Estado vivendo de si pra si, espoliando nós, os Jecas Tatus.

           

Não creio em mudanças ao longo das próximas gerações. O Jeca Tatu impregnou a todos nós. Leva gerações para depurar a alma coletiva quando isso não acontece em guerras, genocídios ou eventos de sofrimento geral.

 

As crises recentes não foram suficientes. O Jeca Tatu viverá por longos anos apesar de todos nós desfilarmos com nossos smartfones teclando desesperadamente a mediocridade que alimenta o nosso espírito.

           

O desafio de 2018 não virá nas eleições gerais de outubro. Mas, quem sabe, na nossa capacidade de perceber que não será mais possível reproduzir  a pobreza do Jeca Tatu que reside dentro de cada um de nós.

           

2018 pode ser o ano do começo de nossas vidas cidadãs.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    

www.onofreribeiro.com.br




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