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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
10.06.2018 | 08h00
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O eleitor desconhecido

O que os candidatos pretenderem dizer aos eleitores não será mais aquele blá-blá-blá genérico

Duvide quem quiser duvidar. Mas a paralisação dos caminhoneiros mudou profundamente a eleição de 2018. Tinha uma torneira represada que rompeu. Dela saíram sentimentos muito brabos da população contra algo que no primeiro 1momento era só discussão do preço do óleo diesel.

 

Aos poucos vieram consequências não planejadas como o desabastecimento geral, a paranoia coletiva em busca de combustíveis nos postos de abastecimento. Brasis diversos se confrontando. Interesses se cruzando e um país perplexo. Mais perplexo, porém, foi o governo federal que nunca soube dialogar com movimentos difusos. Sempre lidou bem com associações, sindicatos, confederações, federações, etc. Com gente dispersa não sabe, porque nunca teve uma linguagem política popular.

 

O inconsciente coletivo assimilou o desabastecimento e percebeu que alguma coisa maior surgia por detrás da cortina levantada pelos motoristas

O movimento dos caminhoneiros desaguou do ponto inicial do diesel caro para os impostos caros, deles para o custo do Estado brasileiro e, por fim, pra sua imensa ineficiência e crueldade com os brasileiros. Mas isso foi subproduto dos R$ 0,46 descontados em cada litro de óleo diesel. O que marcou mesmo o movimento foi a descoberta de que o mesmo Estado sacrifica a vida dos brasileiros pelos impostos altos que arrecada e não devolve na forma de serviços públicos.

 

Então, falou-se de uma coisa muito maior. Foi o que ficou para a população. O inconsciente coletivo assimilou o desabastecimento e percebeu que alguma coisa maior surgia por detrás da cortina levantada pelos motoristas. Um Brasil novo nasceu ali. Pode parecer utopia e o leitor pode até não concordar comigo. A eleição de governador pro mandato tampão no Tocantins revelou ódio e medo do eleitor, marcados por forte ausência às urnas e pelo desamor à eleição.

 

O que os candidatos pretenderem dizer aos eleitores não será mais aquele blá-blá-blá genérico. Precisará de conteúdo resistente à descrença e ao ódio. O tamanho do Estado brasileiro e o vergonhoso aparelhamento corporativo dos poderes, dos servidores públicos, das estatais e de todo o estamento público é o tema da vez. Mexer com privilégios está na cabeça do eleitor. Pode ser que ele não racionalize assim, mas ele entende que como está não pra da pra continuar.

 

Fico aqui consumindo os meus pobres neurônios pensando como os candidatos a qualquer cargo dirão ao aparelhamento corporativo do Estado que esse tempo da bolha de facilidades e privilégios vai acabar rapidamente. Sinceramente, não gostaria de ser candidato a deputado e nem a senador nesse momento, pelo que terão de pactuar com a sociedade. Se pactuarem, serão severamente cobrados. E serão severamente massacrados pelo poderosíssimo aparelho funcional do Estado. Tempos sofridos!

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso




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2 Comentário(s).

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Carlos Nunes  10.06.18 11h43
Nós, os eleitores, os verdadeiros donos do Poder através do voto, temos a possibilidade de mudar o Brasil...o destino desta geração e das futuras tá na ponta do nosso dedo, quando apertarmos a urna eletrônica. A mudança começa com a renovação...pro bem do Brasil, pro bem de Mato Grosso, NOVO presidente, NOVO governador, NOVOS senadores, NOVOS deputados federal e estadual. É bom eleger uma nova safra de pessoas, que comecem a escrever uma nova página na história política do Brasil. Afinal de contas Eleição é igual Departamento de Pessoal, podemos DEMITIR e CONTRATAR pessoas pra nos representar, elas são só NOSSOS EMPREGADOS. Quem vamos Demitir? Quem vamos Contratar pra nos representar? Um aviso aos eleitores: NÃO VENDA O VOTO JAMAIS...quem vende o voto, dá mandato pra corrupto, que depois fica passando a mão no dinheiro...e rindo da sua cara. Os 50 reais, 100, ou mais que recebeu...vai custar muito caro, e ainda o fizeram de palhaço. Infelizmente já circula em Cuiabá, que, nesta eleição, vai ser uma compração danada de votos. Já tem dinheiro estocado pra isso.
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aloísio  10.06.18 09h23
Gostaria de ser otimista, como o Senhor. Não acredito que haja significativas mudanças nessa eleição. Os candidatos são os mesmos. As propostas, os companheiros, os agregados, os discursos ... o modus operandi de fazer política é o mesmo, não sai do lugar comum. No mais, eleição no Brasil não se ganha com proposta, mas com dinheiro. E dinheiro não falta aos candidatos graúdos, obesos, que há décadas se apossaram desse país e se constituíram numa elite quase única no mundo, promotora da desigualdade social e do descaso com a educação. No mais, além do poder econômico que permeia a eleição, há um outro fator: nossa eleição é a eleição do grito. Quem grita mais leva, vejam está na poli position das pesquisas!? Não tem proposta para educação, para saúde, segurança ... mas grita: vou matar, vou prender, sou demasiadamente macho ... vou exterminar x ... y ... e z. Bye ... bye Brasil! Não sou petista!
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