Cuiabá, Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
RODRIGUES DE AMORIM
09.11.2018 | 07h04 Tamanho do texto A- A+

Novas e velhas práticas

A questão política no Brasil representa uma dimensão complexa e multidimensional

As eleições de 2018 nos mostraram alguns gargalos políticos e históricos que se arrastam há 500 anos em nosso país. Vimos uma tola ideia ou uma pretensão grotesca de resumi-la a questões partidárias ou ideológicas.

 

O que me faz refletir, que tipo de ideologia, sendo está uma categoria de análise, estão falando? De qual perspectiva teórica-metodológica afirmam tal contexto? São questões que precisam ser debatidas, antes de serem lançadas no imaginário social.

 

A questão política no Brasil representa uma dimensão complexa e multidimensional, que, em hipótese alguma, resume-se as falhas de um partido, ou até mesmo a uma falsa ideia de “reformismo” bradado nas ruas em verde e amarelo, sem os questionamentos necessários, bem como, as respostas sistematizadas ao que se propõe.

A corrupção, não é o mal maior do Brasil, como queiram que pensamos, sob o viés do senso comum. Não mesmo, a corrupção no Brasil é uma “instituição social” forjada na cultura brasileira

Tendo esse entendimento, não diria que com a “eleição” de Bolsonaro, isso represente um “novo Governo em formação”. Mesmo porque suas propostas de Governo não representa o NOVO, não da maneira com que o conceito requerer – a ruptura.  A sua vitória personifica e materializa o rescaldo latente, imanente e histórico amalgamado no tecido social, que, como um vulcão adormecido, erupçõu-se nessa medonha dicotomia partidária.

 

A corrupção, não é o mal maior do Brasil, como queiram que pensamos, sob o viés do senso comum. Não mesmo, a corrupção no Brasil é uma “instituição social” forjada na cultura brasileira. É um constructo de relações que permeia toda a ação social, cultural e política do país.

 

Neste sentido, um GOVERNO NOVO, ou O NOVO NA POLÍTICA, significa, necessariamente, que o Estado rompa, bem como seu governo, com os paradigmas coloniais, com a falsa ideia de democracia, com a oligarquia política, dinástica e familiar imposta no serviço público.

 

(Re) pensar modelos flexíveis de gestão pautado na participação do cidadão e na garantida efetiva de seus direitos. Instrumentalizar a população de uma educação autônoma, plural e diversa, com a perspectiva da alteridade, do (re) conhecimento do Outro, bem como de si mesmo.

 

Pois, infelizmente, o cidadão tem (ou detém) uma leitura rasa da complexidade política e de como esse fenômeno atravessa seu cotidiano. Isso, a meu ver, representa O NOVO.

 

RODRIGUES DE AMORIM SOUZA é acadêmico de Ciências Sociais da UFMT.




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Marcia Del Vecchio  09.11.18 10h39
Parabéns. A política realmente é complexa do ponto de vista e histórico. E de fato, a querer retirar a noção críticas da educação, vai formar justamente esse filião de massas incompreensíveis. Temos pela nossa juventude nos próximos tempos.
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