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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
10.05.2018 | 07h45
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Novas direções na América

Estamos atrasados mais de 100 anos em relação ao restante do mundo, com poucas exceções

No último artigo escrito neste espaço referi-me ao seminário de integração da América do Sul realizado em Cuiabá. O tema tem mais de 30 anos. Mas morreu mais de uma vez perdido nas condições política de Mato Grosso e dos próprios e instáveis países do continente. Mato Grosso sofreu mudanças políticas muito grandes ao sair da gestão Dante de Oliveira pra atual.

 

No intervalo o tema integração perdeu o interesse. O Brasil, por sua vez, enfrentou o desinteresse das esquerdas por temas duradouros.

 

O seminário de Cuiabá teve o mérito de mostrar que é absolutamente indispensável reunir debaixo do teto de um mesmo bloco econômico e político os países todos pobres e mal governados. A América do Sul segue ainda os eu destino histórico de continuar infantil no imperial-caboclo num mundo pós-globalizado.

Na sua visão cabe ao mercado privado e às suas instituições representativas mobilizar-se em conjunto com as universidades regionais e os governos dos estados vizinhos

Estamos atrasados mais de 100 anos em relação ao restante do mundo, com poucas exceções. Nesse ambiente falar de integração significa falar em projetos políticos do Estado brasileiro e não nas políticas pobres e fajutas dos partidos políticos que se sucedem nas gestões. Tanto no Brasil quanto no resto da América.

 

O ministro João Carlos Parkinson, do Ministério das Relações Exteriores, convidado para o seminário fez a melhor e mais profunda abordagem. Trouxe números de comércio e de negócios, perspectivas, estratégias. Mas o mais importante: abordou o discurso da articulação que precisa ser construída no continente caso se queira uma integração efetiva e do interesse comum.

 

Na sua visão cabe ao mercado privado e às suas instituições representativas mobilizar-se em conjunto com as universidades regionais e os governos dos estados vizinhos. Mato Grosso do Sul tem avançado bem mais do que Mato Grosso, apesar dos primeiros movimentos de integração terem nascido aqui. O futuro da integração está intimamente ligado ao sucesso econômico do continente. Ao governo de Mato Grosso caberia promover a articulações políticas com o governo federal e com o mercado privado.

 

No mundo atual em que as pressões de mercado caminham por direções ainda não de todo conhecidas, se a América do Sul não se mexer será usada como quintal dos países ricos.

 

De concreto o seminário deixou mais lições do que ações efetivas. Apesar de pobre e pouco frequentado, mostrou que está na hora das primeiras iniciativas olhando o futuro. A próxima gestão estadual não poderá ignorar o tema. Muito menos as mornas representações do mercado privado. Parece curioso admitir-se: em Mato Grosso fala-se tanto em futuro, mas se mexe muito pouco na sua direção!

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Cuiabá




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