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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
14.05.2017 | 07h00
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Messianismos

O Brasil ainda parece depender de líderes messiânicos diante dos quais devemos nos ajoelhar

Antonio Conselheiro vive! É um longo ciclo coronelesco que aos poucos vai morrendo no Brasil. Ainda que ele não fosse um coronel no estilo político vigente em 1896, sua liderança era messiânica.

 

Falava em nome de Deus a uma massa analfabeta e completamente distante de tudo. Seu público eram sertanejos baianos e sergipanos analfabetos, escravos recém-libertos, índios. Gente deserdada à busca de um salvador. Viram em Antonio Conselheiro esse profeta. O ambiente era de resistência do Império contra a República.

 

Confundido como um líder político, a República fez dele um exemplo pra acabar com a resistência que os coronéis do interior das Províncias tinham contra o novo regime de governo.

O último exemplo de coronelismo messiânico foi Lula, na presidência da República, montado sobre uma militância de gente urbana e rural assemelhada à massa de Canudos

           

Vale contar um pouco dessa história pra depois associá-la com o Brasil atual, no exato momento em que a esquerda brasileira tenta estabelecer com Lula o marco do novo messianismo. E a nação ensaia sair do messianismo. No Império brasileiro, o poder regional era delegado ou vendido a coronéis e outras patentes regionais com títulos militares.

 

Podiam exercer o poder político, a justiça e determinar o destino das pessoas segundo o seu arbítrio. Claro que a República ao tirar esse poder, provocou reações regionais. Os coronéis quiseram retomar o poder e houve escaramuças na forma de rebeliões Brasil afora.

 

Canudos foi o local onde elas assumiram um papel muito relevante. Por três vezes o exército brasileiro enfrentou a militância religiosa o beato Antonio Conselheiro como se fosse uma rebelião militar de um dos coronéis provincianos. Na verdade, não era. Foi apenas um crente muito ao estilo da época, naqueles sertões abandonados nos confins do Brasil. Uma vez destruído Antonio Conselheiro o recado estava dado.

 

Mudou o estilo de coronéis com patente militar. Foram substituídos por outros coronéis com igual poder. Mudou o batedor, mas o chicote continuou o mesmo.  Os militares que governaram entre 1964-1985 representaram a nova forma de poder. Depois deles pouco mudou. Melhor: maquiou-se a forma, mas a essência de exercício do poder manteve-se tão cruel quanto era no tempo de Canudos.

 

O último exemplo de coronelismo messiânico foi Lula, na presidência da República, montado sobre uma militância de gente urbana e rural assemelhada à massa de Canudos. O depoimento de Lula nesta semana deixou claro isso. A tentativa de comover a militância no convencimento de que a massa não pode ser conduzida por si mesma. Precisa de um líder messiânico cujo nome pode ser Fernando Collor de Mello, Leonel Brizola, José Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Cunha ou Lula, etc.etc.

 

A conclusão é lamentável. Entre Antonio Conselheiro e Lula, o Brasil ainda parece depender de líderes messiânicos diante dos quais devemos nos ajoelhar. “Infeliz a nação que precisa de heróis”, repetiria hoje o poeta alemão do século 20, Bertold Brecht.

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Groso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br   www.onofreriberio.com.br




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