Cuiabá, Terça-Feira, 18 de Dezembro de 2018
MARINALDO CUSTÓDIO
11.10.2018 | 07h35 Tamanho do texto A- A+

Mauro e a calça de veludo

Que ele e sua equipe atuem positivamente para, com sua parte, contribuir para elevar a autoestima do mato-grossense

Esta é a segunda vez que utilizo o ícone ‘calça de veludo’ associado à figura do agora governador eleito de Mato Grosso, Mauro Mendes. 

A primeira foi em ‘A Gazeta’, dia 27/04/2013, inaugurando uma coluna que mantive todos os sábados no jornal até o final daquele ano. 

Seu título: “O imaginário da calça de veludo”. 

A história do artigo: o ‘gancho’ me veio porque gostei do modo intempestivo e original (embora baseado num dito popular) com que o então prefeito da capital reagira a uma proposta do governo de plantão (Silval Barbosa) de contingenciamento dos recursos para a saúde dos municípios do estado. 

Diante da proposta do governo de pagar só a metade do valor estabelecido, por falta de caixa, com o argumento de que convinha mais os prefeitos aceitarem uma parte, e receber, do que insistir em receber a totalidade, e nada receber, Mauro saiu-se com esta: “Não aceito de jeito nenhum; ou calça de veludo ou bunda de fora”. 

Não sou articulista de política tampouco cientista social, então, nessas coisas, o que me chama a atenção é o componente literário, lúdico ou patético das falas de um político. 

Desse modo, pode-se dizer que meu olhar tem algo de ingênuo por muitas vezes procurar ver a graça onde à primeira vista havia motivo apenas para a crítica e reflexões sisudas (quando não de escárnio), nessa eterna busca por encontrar os preciosos ‘tesouros na favela’, que são raros, como é óbvio, mas existem, conforme registrou Pedro Luís em sua música “Miséria no Japão”. 

Mas voltemos. 

Em reunião neste setembro de 2018 com o então candidato a governador Mauro Mendes, chamada pelo Maestro Fabrício Carvalho com o pessoal da cultura, ouvi Mauro dizer que é preciso honrar os compromissos assumidos, ser realista, fazer mais com menos, em suma, ser politicamente coerente e socialmente responsável com as demandas de quem elege o político para bem governar. 

Quero crer que Mauro tenha falado a sério, muito a sério, em ambas as ocasiões, repercutindo o radicalismo bom de Winston Churchill, que certa vez disse, confrontando limitações e contingências: “Eu não sou exigente; eu me contento com o melhor”. 

Que ele e sua equipe atuem positivamente para, com sua parte, contribuir para elevar a autoestima do mato-grossense que, assim como a maioria dos brasileiros, anda bastante baixa. 

Que venha nossa calça de veludo. Simbolicamente. Mas, bem além, que seja pra valer, pelo que isso pode nos significar em esperanças de agora e perspectivas de futuro.

MARINALDO CUSTÓDIO é escritor e mestre em Literatura Brasileira pela UFF.




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