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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
21.03.2017 | 07h00
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Mais História

As dívidas ficaram com Mato Grosso. Foi uma luta pra transferi-las ao governo federal

No artigo publicado ontem, falei um pouco sobre a História de Mato Grosso num momento especial: o pré e o período da divisão que criou Mato Grosso do Sul. As manifestações de leitores são muito grandes e claras: querem saber mais da História.

 

Aqui abro um parêntese sobre o tema. Por razões que só a nossa péssima educação explicaria, se pudesse, nos esquecemos da importância da História na construção das nossas vidas e do ambiente social, econômico, político e humano em que vivemos.

 

Se não se conhece a História recente, não se compreende o presente. Nem se projeta o futuro, que é uma síntese dos dois. Estamos indo feito madeira no rio: enroscando nas margens e batendo nos barrancos.

Nós enterramos a nossa História pra que no futuro ela não nos lembre nada

         

É proposital o “esquecimento” da História, porque grande parte dela é manipulada dentro de uma educação ideológica que pensa num futuro construído a partir de idéias descosturadas entre si. Começa na escola fundamental e termina nas universidades.

 

Enquanto a Alemanha conserva os campos de concentração da época nazista pra lembrar aos alemães que aquilo não poderá jamais se repetir, nós enterramos a nossa História pra que no futuro ela não nos lembre nada.

           

Desabafo feito, vamos à idéia de que a separação de Mato Grosso do Sul em 1979 não foi um descasamento de consenso. Ao contrário, foi um divórcio litigioso longo e sofrido. Dividiram-se os patrimônios físicos do governo nas duas regiões: escolas, hospitais, postos de saúde, aviões, funcionários públicos, aposentadorias, etc.etc.

 

As dívidas ficaram com Mato Grosso. Foi uma luta pra transferi-las ao governo federal, porque aqui não haveria jamais renda pra pagar dívidas antigas feitas para os dois estados. Mas acabou dando certo.

           

Só uma lembrança real daquele momento. O asfalto para o Norte e o Oeste que estavam sendo ocupados, terminava ali no Posto Zero, em Várzea Grande. Tudo estava por fazer. Não havia energia elétrica dali pra cima. População pequena. Grandes eram apenas os sonhos. O resto, os dias atuais nos mostram. A História, a educação engoliu e nega que tenha existido...!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br    www.onofreribeiro.com.br




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