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A aliança de Mauro Mendes com o MDB de Carlos Bezerra:

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Opinião / ROBERTO BOAVENTURA
16.05.2018 | 23h00
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Livre de Lula

Contra fatos irrefutáveis, só a amnésia, a conveniente cegueira e/ou o cinismo político

Depois do artigo “Longevidade da razão cínica”, publicado no dia 03/05/18, no qual trato do cinismo de artistas e intelectuais, que parecem ter deliberado pelo cultivo de um tipo de amnésia seletiva, além de uma conveniente cegueira, decidi expor minha oposição ao movimento que pede a liberdade de Lula.

 

Por isso, na contramão do “Lula Livre”, lanço o trocadilho “Livre de Lula”. Começo por uma leitura da música “Lula livre”, um sambinha de última qualidade, recheado de bizarros clichês, composto por Claudinho Guimarães, e cantado por Beth Carvalho, intérprete de tantos sambas de excelência.

 

Que triste ver essa bamba cair, agora, não mais nos sambas de “cartolas”, “noéis” e outros menestréis, mas na panfletagem chula em prol de uma “Ideia” perversa e obsecada por corrupção. Pois bem.

 

Há uma prática preocupante de desmoralização do judiciário, que é falível, mas não a ponto de ter cometido qualquer perseguição política

Do texto em análise, no plano formal, nada mais há de relevante do que um conjunto de rimas, se não pobres, nada nobres; no entanto, todas óbvias. Só por isso, o texto/panfleto já está condenado à miséria artística. A arte sempre pede um quê

de imprevisibilidade.

 

Ali não há nada disso. Nenhuma metáfora. Na linha dos interdiscursivos, identifico algo próximo da excrescência musical “Pra frente, Brasil”, produzida durante a ditadura militar por Dom e Ravel. Daquilo, destaco:

 

“...Todos juntos, vamos, pra frente Brasil... De repente é aquela corrente pra frente, parece que todo o Brasil deu a mão. Todos ligados na mesma emoção. Tudo é um só coração (...)”.

 

Agora, vejam os infelizes versos de Claudinho Guimarães para Beth Carvalho cantar em defesa da liberdade de Lula:

 

“Pro Brasil andar pra frente// vamos caminhar// Seja elo da corrente...// Ele (Lula) andando livre no país// Ele une o país// Semeando amor...”.

 

De ambos os textos, há coincidências literais de três palavras/expressões-chaves: “pra frente (Brasil)”; “vamos”; “corrente”.

 

Fora dessas coincidências, mas na mesma lógica semântico-discursiva, destaco, do texto “Lula livre”, o verso “Ele une o país”, que se aproxima de “...todos juntos...”, da composição dos anos 70.

 

Por essa de “Lula livre” com “Pra frente, Brasil”, um signo da ditadura que se apropriara do sucesso da Seleção de Futebol no México, para ludibriar nosso povo, politicamente, muito sonolento, nem eu esperava.

 

Em suma, são dois textos miseravelmente panfletários. Ambos mentirosos. Cada qual em seu tempo, ambos perigosos. Mas por que “há perigo na esquina” (ops.), ou seja, na música/panfleto “Lula livre”?

 

Porque, por trás desse movimento – que, ao contrário do que diz o panfleto de Guimarães, Lula só desune o país – há uma prática preocupante de desmoralização do judiciário, que é falível, mas não a ponto de ter cometido qualquer perseguição política.

 

Nesse sentido, o ministro Gilmar Mendes lembrou, em entrevista (EFE: 04/05/18), que, dos onze ministros do STF, oito são indicados do PT. Disse mais: “O que ocorreu foi que, quando assumiu o PT, que tinha uma pequena base parlamentar, buscou apoio de outros partidos aos quais propôs como contrapartida

a distribuição de recursos".

 

Mendes referiu-se, primeiro, ao esquema do Mensalão; depois, o Petrolão: um “produto” tipo exportação. Que o digam alguns países africanos, latinos e caribenhos. Enfim, hoje, no Brasil, não há nenhum perseguido político que precisasse ser libertado. Contra todos os políticos e empresários já tornados réus, há fatos e fartas provas.

 

Contra fatos, só a amnésia, a cegueira e/ou o cinismo político; ou seja, perigosos chamarizes que podem chamar o que não se deseja...

 

ROBERTO BOAVENTURA DA SILVA SÁ é professor de Literatura da UFMT




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14 Comentário(s).

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Jéssica  16.05.18 20h52
Professor, que tal cuidar do prédio do Instituto de Linguagens, do qual o senhor é diretor? O prédio está um caos, com várias carteiras jogadas nos corredores, o mato crescendo nos arredores, várias salas sem equipamentos, banheiros com vasos estragados, corredores sem lâmpadas, elevador sem funcionar. Dirigir um instituto é difícil, sabemos. Imagina dirigir um país. Portanto, livre-se do significante Lula e cuide do seu IL.
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Campos  16.05.18 15h58
Sr Zenildo, se a universidade está falida, foi o governo petista quem faliu, durante os treze anos de governo, se sopraram "bons ventos" no governo Lula, foram frutos do governo FHC, quando Lula passou o governo para Dilma, ela recebeu uma "herança maldita" da qual nunca conseguiu sanar, se o senhor tem boa memória, vai lembrar que uma das primeiras medidas da presidenta Dilma, foi cortar "cinquenta bilhões" do orçamento, e ao longo do mandato, foi mergulhando o país na crise que até hoje não conseguimos livrar-se dela, agora vem dizer que quem arruinou o Brasil foi quem tem menos de dois anos de mandato? Por gentileza sr Zenildo, o povo já não está com a memória tão curta! Entretanto, "A política é a arte da enganação", ganha quem for melhor nessa arte.
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Antonio Benedito de Assunção  16.05.18 14h58
Cuiabania: Desta vez o professor Boaventura pisou na bola. Seu texto esta fora de contexto professor. Ao senhor, não cabe o papel de analista ou crítico de samba, nem tampouco opinar se o samba é sambinha ou não. O que importa nessa mensagem é, sem dúvida lembrar que o Lula foi condenado sem provas cabal. E, só para lembrá-lo, Lula fez muito pelas Universidades Federais, aliás, lugar onde o senhor vende a sua mão-de-obra (a famosa mais-valia). Qualquer dia desses, quem sabe, ainda vou dizer em pobres versos, sem rimas e metáforas que precisamos ficar livres de algumas línguas ferinas, que não tem nada a ver com Gregório de Matos. alcunhado no período colonia de "Boca do inferno"
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Renato de P. Pereira Filho  16.05.18 14h31
Parabens pelo artigo. Independente da ideologia que se tenha, nao se pode achar que o sr. Lula é inocente; foi julgado e condenado em duas instancias e teve seus inumeros recursos negados pela Suprema Corte. Nao consigo entender como algumas pessoas, em nome de suas ideologias, defendem bandidos. Ser de esquerda ou de direita é uma das vantagens da democracia, e esta diversidade ideológica que leva ao avanço da sociedade.
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Zenildo de Campos Bruno  16.05.18 13h40
Pra dizer um público que tem orgulho de ter sido aluno ou aluna desse “professor” tem que ser do grupo do Bostonáro ou coisa parecida. Deve sofrer de amnésia crônica ou não sabe o que são políticas públicas esse prof. Os Presidentes Lula e a Dilma foram os que mais investiram em Educação pública principalmente para o ensino superior na história do Brasil. Não bastasse isso, veja só a que ponto nossa Universidade hoje sobre o comando federal da direita fascista e golpista se encontra com seu orçamento totalmente falido e praticando um aumento em 500% na refeição em uma única vez do RU. Provavelmente esse professor veio de uma família abastarda provida de recursos fartos que nem precisava de estudar em escolas públicas se é que estudou. A professora Mirian Serra, nossa Reitora tem feito verdadeiro milagre com os poucos recursos para investimento e custeio recebidos do MEC. Porém, muito bem provável ele deve ter feito seu doutorado em universidades públicas usufruindo do erário que o bancou e agora cospe no prato que o alimentou. Temos orgulho da nossa UFMT que acolhe seu público superando as diferenças os preconceitos e principalmente o ódio impregnado pela cultura do regime militar de 23 anos. Ele deve ter saudade desse período de chumbo que provavelmente só descansava em berço de ouro. É lamentável que temos professores desse lado ideológico provavelmente poucos. Porém, orgulho me de muitos deles que ensinaram coisas bem diferente desse pensamento bestial. Professor se fosse seu aluno não teria orgulho pelo contrário teria muita vergonha de ser educado por um homem dessa visão infantil e de baixo conhecimento.
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