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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
08.07.2018 | 08h10
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Líderes de papel

Os líderes políticos nacionais de hoje são produtos de acasos interesseiros

É da tradição brasileira escolher líderes que se autoescolhem a partir de uma série de fatores. A maioria ligada aos interesses pessoais, familiares, de partidos políticos ou de grupo de interesse. A história não mostra muito líderes efetivamente construídos. Isso gerou essa descrença tão forte na política e nos políticos que hoje assalta o imaginário popular brasileiro.

 

Os líderes políticos nacionais de hoje são produtos desses acasos interesseiros. Nos estados, não é muito diferente. O mundo político não traz nomes com poder de mobilizar e de alimentar os sonhos coletivos. A cada eleição surgem do nada e começam a sua cruzada. Terminam e o ciclo recomeça.

 

Os velhos líderes não emocionam mais. Os que aparecem pra disputa aos cargos majoritários não representam anseios coletivos

Em Mato Grosso, cuja economia é profundamente desorganizada, tem o agronegócio com tentativas de acerto. Blairo Maggi chegou em 2002, apoiado pelo agro, mas não exclusivo. Na época o setor não tinha qualquer peso político. Ao contrário. O seu representante era o senador Jonas Pinheiro da velha guarda política urbana cuiabana.

 

De lá pra cá o vem engatinhando, mas não sai do chão. Não construiu nomes dentro de uma estratégia de influenciar o poder e de indicar rumos para uma macroeconomia. Nesta eleição ao Senado o ex-vice-governador, Carlos Fávaro, é uma promessa. Bem articulado olha a economia e olha também os aspectos sociais. Mas não chega a ser o projeto do agronegócio. Que, aliás, não tem projeto!

 

Os velhos líderes não emocionam mais. Os que aparecem pra disputa aos cargos majoritários não representam anseios coletivos. No máximo de si mesmos ou dos mesmos grupos de sempre. O governador Pedro Taques caminha quase só à reeleição. O senador Welinton Fagundes tem uma candidatura de projeto pessoal. Mauro Mendes tem se comportado como quem vai pra forca.

 

Enquanto isso, o futuro é ameaçador sob todos os aspectos. Paralisia econômica, gestão na UTI, problemas acumulados de décadas. Na outra ponta uma sociedade isolada em si mesma e refém da paralisia geral. Equação pesada essa!

 

Em míseros quatro meses que nos separam até a eleição, duvido que algum candidato construa uma imagem da gestão que pretenda conduzir. Acasos mais uma vez.

 

Tempos de líderes de papel, “a lua com seu brilho de aluguel”, da música o Bêbado e a Equilibrista. Tudo passageiro...!

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso




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