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Opinião / ENILDES CORRÊA
12.09.2017 | 06h55
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Grito de alerta

Como ficar indiferente diante do clima de deserto que enfrentamos nesta estação?

Os altos índices de desmatamentos e focos de incêndio registrados em Mato Grosso e em outros lugares levam-me a uma série de reflexões acerca da agonia que o meio ambiente vem sofrendo.   

 

Estar alerta sobre a realidade da destruição ambiental deixa em mim uma apreensão em relação à onda de perigos que ameaçam a sobrevivência sadia da população em nível global. Estamos todos expostos aos riscos da perturbação climática que está aí. 

 

Ao ver a fumaça cobrir Cuiabá, sentir o meu corpo sinalizar as consequências do ar quente e poluído e da baixa umidade do ar, como a ardência nos olhos, a garganta seca, o nariz irritado, o cansaço fácil, não consigo evitar o sentimento de compaixão, em especial pelos bebês, recém-chegados, ainda tão frágeis e vulneráveis, tendo que respirar tanto veneno no ar... 

 

Como ficar indiferente diante do clima de deserto que enfrentamos nesta estação?

 

De repente, sinto vontade de dar um grito de alerta. Meus Deus, para que tanta destruição?

Sinto também pesar pelas milhares de árvores centenárias derrubadas, que morreram para dar lugar a imensos campos de soja. São campos bonitos de se olhar, mas não oferecem um único abrigo, nem da chuva, nem do sol, aos animais racionais e irracionais

 

Que progresso é esse pelo qual lutam os loucos governantes deste mundo? Será que não conseguem ver o que estão permitindo acontecer? E o futuro sustentável das novas gerações?

 

Pergunto-me se os que destroem o meio ambiente sabem o que é o amor, o carinho e o cuidado dos avós pelos seus pequeninos, pelos seus pedacinhos de gente amada. 

 

Se alguns deles conhecem esses sentimentos, será que estão tão cegos que não enxergam o sacrifício que estão exigindo da própria carne?

 

Não veem que dinheiro e poder não servirão para salvar os seus descendentes das trágicas consequências da quebra do equilíbrio da natureza que ameaça destruir a nossa casa comum? Ou será que se julgam imunes à força e ao poder da natureza?

 

Neste período de seca, sinto-me tocada pelo canto aflito dos passarinhos. A minha mãe diz  que é o canto de chamado da chuva.

 

 Capto a agonia dessas aves tão indefesas quanto uma criança. Elas não sabem que a natureza está doente pela loucura  e ganância dos homens, que  não escutam as suas preces ofertadas em canto.

 

Sinto também pesar pelas milhares de árvores centenárias derrubadas, que morreram para dar lugar a imensos campos de soja. São campos bonitos de se olhar, mas não oferecem um único abrigo, nem da chuva, nem do sol, aos animais racionais e irracionais.

 

Consciente da preocupante realidade ambiental, penso como pode ser classificado de racional aquele que destrói a própria casa? E tudo isso pra quê?  Para atingir o objetivo de ampliar as divisas da riqueza material, sem levar em conta que a natureza agredida comporta-se como um leão ferido? E as pastagens de gado, então?

 

Quanta matança de árvores e de animais para satisfazer o desejo carnívoro do homem...

 

Enquanto aqueles denominados de irracionais vivem de acordo com as leis da natureza e não cometem violações contra a Sagrada Mãe Terra, não é mesmo?

 

A umidade relativa do ar na capital matogrosssense está muito baixa. Imagine essa condição para quem trabalha nas ruas de Cuiabá num calor de 40 graus, como uma senhora idosa que vi empurrando com esforço um carrinho de picolé. 

 

Contudo, em meio à paisagem judiada pela estiagem e pela indesejável presença da fumaça que nos angustia e asfixia, olho ao  redor e vejo um lindo ipê amarelo, como que a passar a mensagem do poder restaurador da própria vida. 

 

A visão do ipê todo florido alivia momentaneamente a minha aflição com as condições inóspitas  do clima em Mato Grosso.

 

E as palavras do amigo Kiran Kanakia se fazem presentes: “A vida ainda está se movendo. A vida ainda continua. A vida ainda é bonita. Veja-a e ligue-se a ela”.   

 

ENILDES CORRÊA é administradora, terapeuta corporal Ayurveda, professora de Yoga e Yoga Massagem Ayurvédica  com formação e aperfeiçoamento na Índia. Autora do livro “Vida em Palavras”.

www.solautoconhecimento.com.br




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ANA  12.09.17 16h16
Não faz sentido ampliar a produção desse agronegócio bilionário, a economia precisa se diversificar mais, mostrar mais valor agregado em serviços e produtos, continuamos ainda na época de panos (faSPhion week) e "vinhos" (homem mais rico do Brasil, Jorge Leman, vendendo cerveja alemã)
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