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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
07.06.2018 | 07h50
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Estamos fragmentados

Não há lideres políticos. Não há partidos consistentes e nem confiáveis

Segundo o compositor Tom Jobim o Brasil não é pra principiantes. Traduzido, isso significa que estamos perigosamente oscilando à beira do abismo desde sempre. Em alguns momentos oscilando bêbados. Como agora! Por não ter desenvolvido um projeto de nação, o Brasil veio passeando entre o abismo e o despenhadeiro. Paixão antiga. Já caiu. Levantou. Caiu e hoje quer cair mais uma vez. Deseja ardentemente cair no abismo. Mas antes precisa decidir se um dia gostaria de subir o morro novamente.

 

As lideranças econômicas, políticas e intelectuais brasileiras sempre surgiram das classes dominantes e em rara proporção da classe média. Desde os primeiros burocratas portugueses que vieram pro projeto extrativista na Colônia, confundiu-se o que era público e o que era privado. Lembrando que nada deveria ser privado.

 

Tudo pertencia à Corte. Mas os burocratas, fiscais e feitores roubavam descaradamente a Coroa. A partir dos que ficaram na Colônia depois da independência, nasceram as elites brasileiras. Sem projeto. Desonestas. Despreparadas e burras!

O desastre atual, superpotencializado pela passagem do PT pelo governo, nos leva pro mesmo precipício da História

           

A segunda guerra mundial deu a maior de todas as oportunidades ao Brasil. Grande produtor de café, exportou pros EUA abastecer o mundo. Fez um ótimo caixa. Mas o populismo getulista e dos governos seguintes nos trouxe até hoje.

 

Consumiu-se aquela riqueza estratégica sem que se construísse uma nação que prestigiasse os seus cidadãos. As elites consumiram tudo em nome de um progresso familiar, de grupos, de partidos políticos e de grandes líderes caipiras regionais.

           

O desastre atual, superpotencializado pela passagem do PT pelo governo, nos leva pro mesmo precipício da História. Não há lideres políticos. Não há partidos consistentes e nem confiáveis. Não há instituições públicas e nem privadas preparadas pra assumir o protagonismo de organizar pelo menos uma trilha que indique caminhos de futuro.

           

Sei que o leitor vai me julgar pessimista. Estou mesmo. Contudo, as tais elites estão correndo grandes riscos e sabem que terão que abrir mão dos anéis pra não perder os dedos. O Brasil está fragmentado em milhares de pedaços em todas as áreas: públicas e privadas.

 

Quem sabe um pacto de coalização nacional não salve os de sempre e nos preserve deles no futuro? Voltarei ao assunto.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@onofreribheiro.com.br   www.onofreribeiro.com.br




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