Cuiabá, Sábado, 15 de Dezembro de 2018
PAULO LEMOS
12.02.2018 | 23h00 Tamanho do texto A- A+

Desesperança com o Judiciário

O brasileiro perdeu a fé e a esperança no projeto republicano e democrático proclamado pela Constituição de 1988

A ministra Cármen Lúcia disse que o cidadão está cansado de todos nós, referindo-se aos três poderes, frisando inclusive o Judiciário.
 
O cidadão não está apenas cansado, ele está sentindo-se desacorçoado e descrente, perdeu a fé e a esperança no projeto republicano e democrático proclamado pela Constituição de 1988, que morreu de morte matada, estrangulada de 2016 para cá, ante a cumplicidade, senão conluio, dos três poderes, que confirmaram o "grande acordo nacional profetizado por Romero Jucá".
 

O cidadão não acredita mais nas instituições. Ele percebeu que o que move-as são interesses próprios, fisiológicos e corporativistas, que nada têm a ver com interesses republicanos. Só protestam por incremento orçamentário-financeiro para aumentar salário e criar penduricalhos. O sistema faliu, sucumbiu à mordida da mosca azul, corrompendo-se totalmente. 

 
A Constituição do Dr. Ulisses Guimarães e do povo brasileiro de Darci Ribeiro foi assassinada e enterrada, sem funeral, como indigente, jogada ao mar, como morreu Teori Zavascki, lamentavelmente, ao pálio da atuação sinuosa do Sistema de Justiça, que tinha o dever de zelar por ela com toda retidão, embora tenha contribuído para rifa-la, no ritmo dos que bateram panela, por não aceitarem perder privilégios, em prol de um país mais justo, solidário e sem sacrilégios. 
 
Vetar o aumento estratosférico reclamado pelo Judiciário, à época, foi a gota d'água para essa gente togada, que pensa ser melhor e mais merecedora do que seus milhões de compatriotas, com raras e honrosas exceções. 

Vetar o aumento estratosférico reclamado pelo Judiciário, à época, foi a gota d'água para essa gente togada

Quantos abriram mão do auxílio-moradia? Quantos respeitam o teto? 
 
Pouquíssimos, mormente odiados e isolados pelos seus pares, como se fossem traidores da confraria que defende com unhas e dentes essa gambiarra jurídica, responsável por sangrar milhões e milhões de reais de recurso público, pagos por mim, pelo pipoqueiro, pela faxineira e pelo vendedor de picolé, até pelo mendigo, que quando ganha um real e compra uma pão, está arcando com tributos embutidos na farinha, no fermento, no ovo e no leite.
 
Mesmo sabedores tratar-se de um benefício inconstitucional e imoral, pois não tem natureza indenizatória, já que independe de o beneficiário ter casa própria ou não, morar com o pai ou com o irmão, sequer sendo devido prestar contas da aplicação dele, podendo ser gasto com charutos e Wiki, caindo na conta permanentemente, configurando, portanto, verba de indubitável natureza remuneratória, que, porém, viola o instituto do subsídio, por não estar dentro da parcela única e mensal instituída por lei, por ultrapassar o teto constitucional e não recolher imposto de renda, nem deduzir qualquer contribuição para a previdência, ficando tudo por isso mesmo, enquanto julgam e condenam os outros por improbidade, peculato e/ou crime de sonegação fiscal. 
 
É surreal! É o preço da alienação do Sistema de Judicial, que, querendo ou não, passa a seguinte mensagem para todo brasileiro: "- Faça o que digo, mas não faça o que eu faço!"
 
Só a ganância e a arrogância pode explicar o que fizeram com o Brasil, repristinando um regime de exceção, dissimulado e disfarçado de republicano e democrático, por intermédio do discurso oficial de que "as instituições estão funcionando". 
 
Funcionando onde e para quem, cara-pálida!? 
 
O país voltou a ser considerado Mundo afora como o lugar da sacanagem e da piada. 
 
Será preciso unir forças e esforços para uma revirada. Senão, o futuro visto no horizonte da manutenção do status quo é sombrio. 
 
Nossa geração tem o desafio de resgatar o Brasil, ou deixaremos nossos filhos ao relento e ao frio, de uma noite gelada do dia primeiro de abril, como foi em 64, com o golpe militar que destituiu Goulart e roubou-nos o direito de votar.
 
PAULO LEMOS é advogado em Mato Grosso



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