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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
23.05.2018 | 09h50
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Coronel Chico Belo

Talvez esta seja a última vez em que um coronel vá às urnas em busca da consolidação de um poder político antigo

Há alguns anos li o romance “Vila dos Confins”, do escritor mineiro Mário Palmério. É dele que tiro o título deste artigo, baseando no personagem Coronel Chico Belo. E, de algum modo tentar identificar personagens da eleição de 2018 em Mato Grosso.

 

O livro é de 1956 e a sua história é uma crônica da política brasileira do período de 1930 a 1945 no interior do Brasil. Mas a crônica mistura um pouco de Minas Gerais e do Sul do então Mato Grosso.

 

Porém, quero destacar mesmo é o  Coronel Chico Belo, o personagem político central do livro. A crônica da campanha política se passa na pequena Vila dos Confins. A passagem do livro que me agradou profundamente e tem um sentido muito forte de metáfora e de crítica social. O  Coronel Chico Belo era um líder político interiorano típico da época em todo o Brasil.

 

Na época da eleição o Coronel conversava com os seus cabos eleitorais, capangas e partidários no seu quarto de dormir. O detalhe era o seu trono das suas necessidades fisiológicas. Mandou um carpinteiro construir um trono em madeira, tipo uma cadeira larga, onde se sentava sobre um buraco, embaixo do qual tinha um penico (é uma vasilha esmaltada própria pra esse fim muito usada na época). Ele fazia sua necessidade enquanto conversava com as pessoas a quem dava a honra de penetrar em seu quarto de dormir. Na época o quarto do casal era um tabu de pouco acesso a outras pessoas.

 

Enquanto se divertia com o prazer de “cagar” diante das pessoas o gesto simbolizava o seu poder e a sua liderança sobre os pobres mortais. Além do mais simbolizava quem mandava em quem.

 

Já com relação às eleições de 2018 em Mato Grosso me veio à cabeça no começo deste ano a imagem do Coronel Chico Belo com o seu poder de “cagar na cabeça dos outros”.

 

Penso que talvez seja a última vez em que um Coronel Chico Belo vá às urnas em busca da consolidação de um poder político antigo e irreverente.

 

O trono do coronel parece um símbolo destinado a sair da cena daqui pra frente.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso




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