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Opinião / RENATO DE PAIVA PEREIRA
08.07.2018 | 22h00
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Casa do Espanto

Como aprendemos desde criança, um apelido cola quando a vítima passa recibo

Soube pela mídia que os atuais componentes da Câmara de Vereadores de Cuiabá, conhecida na imprensa como “Casa dos Horrores”, empinaram a carroça e proibiram o uso deste apelido, que consideram jocoso, em qualquer matéria jornalística.

 

Mas, como aprendemos desde criança, um apelido cola quando a vítima passa recibo, ou seja, fica brava quando chamada por ele. Se esta lição da infância puder ser aplicada no mundo político, talvez fosse melhor os vereadores se fazerem de bobos até que o povo esqueça a brincadeira.

 

Os moradores da “Casa dos Horro” ops..”Casa de Leis”, estão se achando imerecedores do termo, que consideram pejorativo. Mas os recorrentes casos de corrupção, investigações e condenações das últimas legislaturas, principalmente de seus ex-presidentes, confirmam a justeza da expressão.

 

Não sei qual o poder de fogo dos parlamentares sobre os que teimarem em espalhar este apelido – açoite, processo, prisão, enforcamento

Entretanto, como não sei qual o poder de fogo dos parlamentares sobre os que teimarem em espalhar este apelido – açoite, processo, prisão, enforcamento - vou deixar de escrever este nome nos meus próximos artigos, como estou fazendo hoje, mudando o título deste texto: era pra ser Casa dos Horrores, virou Casa do Espanto.

 

Mas, como todos sabemos, os nobres Edis têm sérios concorrentes aqui em Cuiabá. Levando-se em conta o número de deputados que já foram ou estão presos nessa legislatura e na anterior, e principalmente a quantidade deles sob investigação, parece haver uma pequena “vantagem” destes sobre os vereadores.

 

Segundo a Procuradora Geral da República Raquel Dodge, 22 dos atuais legisladores estão respondendo a algum processo ou sendo investigados. Portanto dos 24 honoráveis representantes do povo mato-grossense, mais de noventa por cento podem ser condenados ou até presos.

 

Como os vereadores já estão estressados com o substantivo “horrores” peço autorização deles, para repassar o indesejado apelido, sem correr o risco de futuras reclamações de uso da marca, para a Assembleia Legislativa aqui de Mato Grosso.

 

O bom seria dividi-lo entre as duas instituições, mas diante do veto, o conhecido “Casa dos Horrores” deve ficar somente com a Assembleia Legislativa. Alguma injustiça seria cometida porque os legisladores estaduais mereciam um vocábulo mais contundente.

 

Entretanto como o substantivo “horrores”, como tal, não admite superlativo, temos que conformar com essa limitação. Para a Câmara fica “Casa do Espanto”. Se o pessoal de lá não gostar, há possibilidade de escolher um apelido em concurso público.

 

Fica faltando criar um nome para outra casa, o Tribunal de Contas. Dos sete conselheiros que o compõem, um renunciou quando a água já batia no pescoço.

Ficaram seis; destes, cinco foram afastados pela justiça, sob suspeita de embolsarem 53 milhões de reais para fazer vista grossa nos gastos do governo passado.

 

Será que “Casa da Moeda” pega bem? Por fim, a imprensa poderia criar título de “Parlamentar Horrorífico” para distinguir os vereadores e deputados que se “distinguirem” em cada legislatura.

 

Seria uma sátira do “Cidadão Honorífico”, nos moldes do mundialmente famoso prêmio Ignobil.

 

RENATO DE PAIVA PEREIRA é empresário e escritor

 




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