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Opinião / ROSANA LEITE
08.10.2018 | 07h33
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Ausência doída

Há um ano não ouço aquela voz doce e calma, que sempre desferia uma palavra de amor

Geralmente, às 08 horas da manhã, atendia ao telefone e ouvia: “Bom dia, minha filha. Será que você tem um tempinho nesta manhã para me acompanhar em alguns lugares.”. Ou, ainda: “Rosana, sonhei com vocês essa noite. Está tudo bem?”.

 

Dia 10 de outubro de 2017, deixei de receber os telefonemas acima. A grande amiga e sogra Leuby, faleceu em Cuiabá. Há um ano não ouço aquela voz doce e calma, que sempre desferia uma palavra de amor e consolo para com aqueles e aquelas que conviviam.

 

Dia 10 de outubro de 2017, deixei de receber os telefonemas acima. A grande amiga e sogra Leuby, faleceu em Cuiabá

Tínhamos muita cumplicidade. Quando estive sozinha trabalhando no interior de Mato Grosso, ela fazia o possível para estar presente, compartilhando momentos. A gravidez do caçula foi recheada de situações da própria condição, desconfortáveis. A mãesogra era a primeira lembrada para estar juntinho. Aos dois meses de gestação, anunciamos a ela, em viagem para o sítio de Mimoso, a nossa escolhida para madrinha do bebê: Ela. Saíto, ela e eu compartilhamos a expectativa da chegada do Gilson Neto. Com o nascimento, era dela a “obrigação” dos banhos do recém-nascido, que sempre chamou de gurizinho.  

 

Às vezes me pego lembrando as situações em que partilhávamos muitas risadas, e a saudade faz morada. O mais incrível das relações de amizade da Dona Leuby era a confiança das pessoas nela depositada.

 

Certa vez, no município de Juscimeira, quando estive por lá como Defensora Pública, a chamei para estar comigo em uma visita na cadeia pública. Cuidadosamente conversou com as pessoas que se encontravam em situação prisional. Uma das mulheres custodiadas, com mais de 60 anos, chamou a sua atenção, tendo conversado longamente para saber o motivo do cometimento do crime. Ficou extremamente consternada com a prisão daquela mulher, e me questionou por bastante tempo sobre o cumprimento da pena dela.

 

Em outra ocasião, estávamos em um supermercado da capital, quando uma conhecida se aproxima para cumprimentá-la. Então, questiona se seríamos mãe e filha. Ela, de pronto, responde que era nora, porém, como se filha fosse. A conhecida se assusta com o carinho recíproco de sogra e nora, afirmando não ser comum. Respondo à respectiva senhora que a Dona Leuby era sogramãe, por isso tanto amor. Ficamos emocionadas com a situação.

 

Por onde a minha querida passava, com seu jeito reservado, de só conversar quando já conhecia um pouquinho as pessoas, o carisma era sua marca. Sorria com cada gesto dos netos e netas, aos quais idolatrava. A sua memória invejável não a deixava esquecer um aniversário sequer. Lembrava-se de todas e todos, e, ainda, telefonava ao filho e filhas para que não esquecessem.

 

Ser Humano que plantou o amor por onde passou... Sei que, nesta vida, não a encontrarei fisicamente...  Recordo-me todos os dias da sua amizade... Sinto muito sua falta... Nos versos de Pescuma e Moisés Martins: “É tempo bom que não volta mais...”.

 

ROSANA LEITE ANTUNES DE BARROS é defensora pública estadual.




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2 Comentário(s).

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Graci Ourives de Miranda  11.10.18 02h05
Dra. Rosana e Dr. Gonçalo, vamos Orar para que, um dia possamos sorrir juntos com ela. Deus abençoe os familiares. Graci Ourives de Miranda
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Tatiana Brunetto  08.10.18 09h13
Que lindo Dra....Como é bom quando encontramos nossas almas gêmeas, com esse sentimento de amor recíproco. A senhora também transmite esse mesmo carinho no olhar, essa empatia pelas pessoas.
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