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Opinião / NARA ASSIS
10.07.2018 | 23h00
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Ao encontro do retrocesso

A escola precisa ser um espaço crítico, de respeito às diversidades e verdadeiramente laico

Eu tenho um filho de quase cinco anos. Um menino, a quem eu tenho que ensinar não apenas a escovar os dentes, a comer adequadamente, ou a entender tantos porquês. Minha mais desafiadora missão é contradizer o que a sociedade conservadora ensina a ele sobre o machismo, o preconceito e o racismo.

 

Não é fácil, é um processo de convencimento diário que só se faz com amor e diálogo. Reconheço que o Davi tem facilidade para aprender, o que me ajuda sobremaneira nesse processo.

 

Mas eu fico preocupada com o que virá por aí, com o tipo de sociedade que estamos deixando a estas crianças que gostamos de classificar como o futuro do País. É no mínimo contraditório assim chamar um tempo que se anuncia tão retrógrado e afundado nas águas do conservadorismo.

 

Enquanto outros países avançam em discussões fundamentais para garantir sociedades menos desiguais, o Brasil investe tempo, energia e dinheiro público em propostas completamente opostas

Que tem uma maioria masculina e branca no Legislativo, Executivo e Judiciário decidindo sobre o direito da mulher ao próprio corpo, tratando a orientação sexual do público LGBT como doença, e reduzindo cada vez mais o acesso dos negros a condições dignas de vida.

 

Enquanto outros países avançam em discussões fundamentais para garantir sociedades menos desiguais, o Brasil investe tempo, energia e dinheiro público em propostas completamente opostas.

 

Esta semana, o projeto chamado Escola sem Partido (PL 7180/2014), do deputado federal Erivelton Santana (PSC-BA), está previsto para ser votado na Câmara Federal.

 

O texto altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/96), ao incluir, entre os princípios do ensino: “Respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, tendo os valores de ordem familiar precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa, vedada a transversalidade ou técnicas subliminares no ensino desses temas”.

 

Se já é tarefa árdua desconstruir algo sutil que, muitas vezes, é considerado como brincadeira normal pela sociedade patriarcal em que vivemos, será ainda pior diante de uma Lei que retira dos professores o direito de estimular o debate sobre as temáticas de gênero e orientação sexual.

 

Os pais são, de fato, responsáveis pela criação dos filhos. Não se trata de transferir a tarefa aos professores. Mas a escola precisa ser um espaço crítico, de respeito às diversidades e verdadeiramente laico.

 

Isso não se faz por meio de censura a conteúdos que instiguem a reflexão em sala de aula. Ninguém precisa mais de tanta polarização, discurso de ódio e alienação. A não ser aquela maioria que se mantém no poder a qualquer custo e se sente ameaçada pela ascensão social das minorias.

 

Enquanto a população se divide, em busca de salvadores da pátria, eles garantem o lugar deles e nos impõem retrocessos.

 

Como consequências, teremos a perpetuação do machismo velado que considera culpada uma mulher que sofre estupro em função da roupa que usa.Teremos mais homens jovens com a masculinidade calcada no desempenho sexual e romantizando o relacionamento abusivo como se fosse excesso de cuidado.

 

O combate ao feminicídio não será efetivo sem a desconstrução deste padrão machista que, inclusive, muitas religiões propagam, estas sim, por meio de mensagens subliminares.

 

A educação como instrumento de transformação está ameaçada. Já vimos episódios recentes de pais questionando o ensino de conteúdos sobre a história e cultura africanas, numa manifestação clara de racismo.

 

É revoltante constatar que as futuras gerações podem ser ainda mais prejudicadas. É preciso pressionar os parlamentares a não aprovarem o PL.

 

Uma dica é a Beta, robô feminista (Facebook: @beta.feminista) que informa os seguidores sobre as pautas que ameaçam os direitos das mulheres. Também é possível, com um clique, fazer parte da pressão política para evitar retrocessos.

 

Somar forças é o caminho, como diz a ciranda das mulheres: “Companheira, me ajude que eu não posso andar só. Eu sozinha ando bem, mas com você ando melhor”.

 

NARA ASSIS é mãe do Davi, jornalista e servidora pública estadual




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6 Comentário(s).

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Campos  11.07.18 11h59
Uma fala de uma pessoa que possui uma linguagem "rica", entretanto pobre de conteúdo útil ao enriquecimento de conhecimentos. Totalmente desnecessária!
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Alta Floresta  11.07.18 08h01
Enquanto ficam nas discussões ideológicas e doutrinadoras, esquecerem do ensino, verdadeira função da escola. Basta ver os índices do Brasil em comparação a outros países. E pior ainda é quando o aluno chega a Universidade...
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rodrigo  10.07.18 21h08
Meu Deus! o comunismo está entranhado nessa Sra Nara, tenho uma filha de 19 anos, e esses Professores(Doutrinadores) acabaram com a minha filha, por conta desse tipo de pessoa hj a minha filha acha que Policia merece morrer e o ladrão é uma vitima da sociedade, a palavra "empoderamento" não sai da boca dela, palavras como meritocracia NÃO EXISTE em seu dicionário, pra ela o ESTADO precisa interferir em 100% da vida da população, o que depender de mim como pai e cidadão o projeto escola sem partido vai ser aprovado sim, a geração atual é um bando de zumbi sem qualquer censo critico, possui só um lado de pensamento, não só os jovens foram emparelhado com esse tipo de ideologia, as instituições estão todas emparelhadas com esse tipo de pensamento e estamos a um passo para se tornar em um Venezuela ai quero ver essa Sra Nara e os jovens zumbis de hj se vão gostar de viver em país que falta de td.
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aloisio  10.07.18 17h15
Qual o papel da educação escolar para a sociedade? Fundamentalmente, ela é parte do processo de formação no desenvolvimento humano, assim o indivíduo, como ser histórico e social, ao se apropriar do conhecimento, contribui para se constituir sujeito capaz de transformar a realidade, de forma mediada. Que maldade há nisso? Esse discurso de que há professores levantando bandeiras ideológicas, fazendo a cabeça das crianças é um discurso sem confiabilidade. Há pesquisas apontando isso? Quais são os números? Ouço isso há tempos, ninguém aponta onde, quando e quem são os professores, as instituições que praticam esse ato. Há casos? Há, mas não é regra. O que a “escola sem partido” não se atenta é que quando se propõe a combater essas questões, ela usa as mesmas armas que acusa: é um discurso autoritário, ideológico, mal educado, preconceituoso e agressivo, quando não, coloca todos os profissionais da educação no mesmo “saco”. Enfim, esse é um movimento que carece mais de identidade e de mais compreensão humana e do processo educativo. Qual a proposta da “escola sem partido” para a problemática da leitura? Da matemática?
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Kevin mahmar  10.07.18 15h08
Entenda, ó feminista de quarto: Não existe feminicidio, o que existe no Brasil é cultura da impunidade. O que dá o poder da mulher se defender de um estuprador ou do abusador, não é a lacração, não são leis ridiculas elaboradas por feministas, o que pode realmente proteger ela, é ela mesma poder ter o direito de se defender, inclusive com uma arma de fogo adquirida legalmente. Estamos em um país com o maior índice de assassinatos no mundo, um país violento, retrato de 30 anos de governo de esquerda, onde jogaram no lixo a moral, ética e os bons costumes. Quer ver um exemplo de como vcs feministas são hipócritas? Pergunte a uma feminista o que ela acha da lei de castração química apresentada pelo Jair Bolsonaro, ela todas vão ser contra. Vcs julgam o estupro, mas defendem o agressor.
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