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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
18.01.2018 | 06h30
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Ainda o ambiental

Estamos falando de uma nova economia mundial que não privilegia a agricultura como economia primária

A mudança de postura da Agência Espacial dos EUA, a Nasa, a respeito da ocupação de solos no mundo pela agricultura, nos sugere uma série de reflexões.

           

A partir da Conferência Mundial do Meio Ambiente de Estocolmo, em 1972, as questões ambientais vieram à tona.

 

Até então, o mundo nunca tratara do tema como agenda nacional ou mundial. Por detrás as preocupações não eram tão ambientais.

 

Eram de natureza geopolítica ou econômicas ligadas à segurança alimentar, principalmente dos EUA.

           

Bom lembrar que o mundo vivia o auge da Guerra Fria, iniciada a partir do fim da segunda guerra mundial.

 

EUA e URSS disputavam palmo a palmo territórios políticos no mundo.

 

Do ponto der vista dos EUA, diante das incertezas da guerra fria e de uma possível expansão russa nas Américas, no Sul da Ásia e no Oriente Médio, era preciso preservar territórios ligados à produção de alimentos, navegação comercial e de petróleo.

           

O Brasil entrava nessa geopolítica como território de preservação do interesse dos EUA e de países europeus, pensando na sua segurança alimentar futura.

 

Recordemos aqui que depois da conferência de Estocolmo começaram as pressões ambientais sobre o Brasil.

           

Coincidência estranha que, depois de 1972, acontecia no Brasil a ocupação da Amazônia por inciativa brasileira temendo a expansão socialista e a sua internacionalização.

 

Eram temas recorrentes na época.  Nunca houve um real interesse dos governos dos EUA e europeus na preservação da Amazônia pra fins exclusivamente ambientais nacionais e mundiais.

 

Era tão somente pra preservar um território que eles julgavam que lhes poderia ser útil num futuro qualquer, a depender da Guerra Fria.

           

A partir de 1989, terminou a Guerra Fria. Junto a precaução estratégica dos EUA por alimentação que era um dos fatores da pressão ambiental sobre o Brasil.

           

Neste momento, quando a Nasa admite que os países podem usar até 30% do seu território pra uso agrícola e que o Brasil usa apenas 7,6%, muda completamente a direção e os objetivos daquela geopolítica iniciada lá em Estocolmo em 1972.

           

Estamos então falando de uma nova economia mundial que não privilegia a agricultura como economia primária e a primeira onda econômica mundial. Entrando na quinta onda econômica, o mundo acima do Equador não olha mais com nenhum interesse o solo brasileiro.

 

Só o mercado consumidor interno. Logo, deixa-nos produzir comida barata pra eles.

O assunto continua amanhã.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br  

www.onofreribeiro.com.br




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