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Opinião / LUIZ GONZAGA BERTELLI
17.03.2017 | 07h00
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A mais perversa exclusão

13,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever

Em setembro de 2016, o Ministério da Educação reconhecia: 13,1 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não sabem ler nem escrever. Drama que persiste em pleno século 21 e se agrava ainda mais quando a eles se somam os 40 milhões de analfabetos funcionais, aqueles 27% que estão entre os 15 aos 64 anos, passaram pela escola, mas não conseguem, com proficiência, ler interpretar e redigir um simples texto ou lidar com números.

 

Como o primeiro dado foi levantado pelo IBGE a partir de autodeclaração dos entrevistados, muitos especialistas acreditam que eles estão abaixo da realidade. Já a taxa do analfabetismo funcional tem a chancela do Instituto Paulo Montenegro e da ONG Ação Educativa. Seja como for, o analfabetismo é a mais perversa das exclusões e não ganha a mesma atenção de outras crises, como a econômica e a política.

 

Esse descaso acontece mesmo nos dias atuais quando ganha força a percepção de que competitividade das empresas, eficiência dos governos, condição de vida das pessoas e exercício pleno da cidadania não podem ser dissociados da educação.

 

O mais irônico, para não dizer trágico, é que, embora não haja divergências sobre essa correlação, a questão educacional caminha com lentidão rumo à possível solução. Há bem mais de um século os brasileiros mais responsáveis vêm reivindicando a adoção de uma eficaz política pública para a educação.

 

Ou seja, uma boa saída seria o governo adotar uma política que valorize o professor, profissionalize gestão escolar (precarizada pelas indicações políticas), institua mecanismos que eliminem as fraudes e desvios que corroem as verbas do setor, reintroduza a disciplina nas salas de aulas para fortalecer o aprendizado, e por aí afora.

 

Agora, quando com a aprovação da tão almejada reforma do ensino médio visando adequá-lo à realidade dos jovens, é também a hora de se pensar num esforço de todos para resgatar os analfabetos de todos os tipos. Seja para melhorar a qualidade do capital humano, seja para pagar a dívida com a geração mais velha até aqui marginalizada pelas deficiências em letras e números.

 

Luiz Gonzaga Bertelli é presidente do Conselho de Administração do CIEE.




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