Cuiabá, Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019
MAURÍCIO MUNHOZ
23.08.2017 | 21h00 Tamanho do texto A- A+

A hidrovia no rio Cuiabá - 1

MT não discute seriamente possibilidades hidroviárias; enquanto isso, fica muito dependente das rodovias

“O Rio Cuiabá é navegável desde sua confluência com o Rio Paraguai até o Porto Jofre”. Trecho do relatório da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), de 2013.

 

O Porto Jofre, localizado em Poconé, na região metropolitana do Vale do Rio Cuiabá, pode ser mais uma opção de porto hidroviário para Mato Grosso.

 

Assim como Cáceres, através do Porto de Morrinhos, há viabilidade para que a hidrovia sirva como estrutura intermodal para o Estado, e também como transformador do modal econômico, ou seja, com uma estrutura logística mais eficiente, além de facilitar o escoamento da produção primária, abre se espaço para a industrialização.

 

O mesmo relatório da Antaq mostra que o Brasil tem cerca de 13 mil quilômetros de hidrovias economicamente utilizáveis.

É claro que há preocupações ambientais, mas também existem tecnologias que podem controlar os impactos ambientais e hidrológicos nos projetos de navegação

 

Se fossem realizadas as obras estruturais adequadas, além da exploração de outros rios e lagos com potencial econômico, a malha hidroviária do Brasil poderia chegar a 63 mil quilômetros.

 

Apesar desse potencial, o volume de cargas transportadas nos rios brasileiros ainda é muito pequeno.

 

Anualmente, navegam pelas hidrovias nacionais cerca de 45 milhões de toneladas de carga, o que equivale a apenas 4% do total transportado em todo o Brasil.

 

Para fins de comparação, as estradas brasileiras são responsáveis por 58% da movimentação de cargas, o que equivale a 652,5 milhões de toneladas.

 

O Estado de São Paulo é o mais avançado em termos de utilização de hidrovias, e tem um plano estratégico para ampliar ainda mais sua malha.

 

Mato Grosso não parece discutir seriamente possibilidades hidroviárias, enquanto isso fica muito dependente das rodovias.

 

É claro que há preocupações ambientais, mas também existem tecnologias que podem controlar os impactos ambientais e hidrológicos nos projetos de navegação.

 

O que não podemos é ignorar essa possibilidade logística e fugirmos de um debate propositivo, e que pense uma interligação intermodal com as ferrovias, rodovias e hidrovias.

 

MAURÍCIO MUNHOZ FERRAZ é economista em Cuiabá.




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COMENTÁRIOS
5 Comentário(s).

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alaercio martins  23.08.17 19h22
Mauricio, de todos os meios de transporte que já inventaram, a vontade é o melhor deles, e que faltam em nossos governantes é a vontade, um abraco
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Silvia Guedes  23.08.17 16h03
Muito lúcido o artigo. Incrível que o estado de Mato Grosso não seja servido por hidrovias.
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Paulo  23.08.17 12h26
O Governo desse estado não consegue nem terminar 22km de trilho de um VLT! Imagina coseguir fazer uma hidrovia no pantanal.
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Sebastião Waldir da Silva  23.08.17 08h25
Hidrovia É RETRPCESSO, o alinhamento (retirada de curvas do rio, além do aprofundamento do leito, para ganho em velocidade e maior capacidade de tonelagem dos barcos (chatas, É SINÔNIMO DE DESERTIFICAÇÃO DO PANTANAL! O dr. Domingos Iglésias já alertava sobre isso! As lagoas naturais e corichos da planície pantaneiro seriam sugados para o leito do rio E NO PERÍODO DAS SECAS, nos referimos aos períodos de oscilação MAIS OU MENOS CHUVAS nas cabeceiras que variam em sentido crescente de decrescente de mais ou menos (+_) 15 em 15 anos TRARIAM DANOS IRRUCUPERÁVEIS ao solo da PLANÍCIE PANTANEIRA! Além de prejudicar, TAMBÉM, as nascentes no PLANALTO MATOGROSSENSE! Mato-grossenses ABRAM OS OLHOS pelo que estão querendo os tcnoburocratas! A FERROVIA É A SOLUÇÃO! Inclusive o TREM BALA!
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Julio Hideki  23.08.17 07h41
Sinceramente eu não sabia dessa possibilidade, mas isso simplesmente muda tudo. A região da baixada cuiabana se viabiliza economicamente com essa hidrovia.
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