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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
06.12.2017 | 10h31
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A dor ensina gemer

Taques parece estar aprendendo com a dor o melhor caminho de navegar em tempos de crises

O governador Pedro Taques iniciou o seu mandato em 1º. de janeiro de 2015 surfando numa onda de aprovação popular quase absoluta.

 

As contas públicas estavam bem, fora os problemas administrativos e jurídicos herdados tudo corria bem. Fez anúncios em linguagem de comando e escolheu o secretariado ao seu gosto pessoal.

 

A onda indicava tempos de transformação jamais vistos no Estado.

           

Mas, política é a atividade humana mais instável que se pode imaginar.

 

Um ano depois, já enfrentava o inverno astral com a RGA dos servidores públicos, arranhões com os poderes e, finalmente, em 2017, o desgaste profundo na esteira das contas públicas.

Bastante solitário, luta em Brasília, junto a uma morna bancada federal, pra aprovar a Medida Provisória que liberará o FEX

 

Sem, dinheiro e mergulhado em crise profunda o governador experimentou sentimentos conflitantes como o isolamento político e a solidão. Não é o primeiro e nem será o último. Mas que dói, dói.

           

Recordo-me dos últimos meses do governador Júlio Campos, em 1986, assolado por crise financeira.

 

Seu sucessor, Carlos Bezerra, governou sob crises e desgastes crescentes do primeiro ao último dia. Silval Barbosa terminou sob extremo desgaste político e administrativo.

 

Antes, Dante e Blairo terminaram em níveis aceitáveis.

           

No fim de 2017, o governador Pedro Taques começou a recompor a sua gestão muito desgastada.

 

Parece estar aprendendo com a dor o melhor caminho de navegar em tempos de crises diversas que vão do desgaste institucional até a relação difícil com os poderes.

 

Ao aprovar  a Proposta de Emenda do Tetos de Gastos, pode ver a chance de recompor as contas públicas em 2018. O desgaste da RGA foi menor e a relação com os poderes começa a se recompor.

           

O desespero pra não atrasar salários levou-o a um esforço imenso em Brasília pra levantar a tempo os quase R$ 500 milhões do FEX e de divida antiga da Conab.

 

Esteve lá sucessivas e vezes e terá que voltar outro monte de vezes pra viabilizar o exercício de 2017 no azul.

 

Do que foi lembrado no começo deste artigo, Pedro Taques está passando por um severo aprendizado.

 

Bastante solitário, luta em Brasília, junto a uma morna bancada federal, pra aprovar a Medida Provisória que liberará o FEX.

           

Antes tarde do que nunca. Mas o Pedro Taques que entrará em 2018 será muito diferente de 2015. Três anos duros de pancadaria. Por isso, o título deste artigo.

 

Não é possível governar apenas com desejos pessoais.

 

O Estado é uma máquina política muito complicada cheia de interesses e de cenários que mudam a todo momento.

 

Não admite ser governador por dogmas.

 

ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso.

onofreribeiro@onofreribeiro.com.br  

www.onofreribeiro.com.br 




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