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Opinião / ONOFRE RIBEIRO
28.04.2017 | 08h08
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2018 bateu na porta

Nada menos do que as eleições de 2018 que se anteciparam assombrosamente

No correr da semana uma rusga inesperada abalou os alicerces de dois palácios da região do Centro Político e Administrativo em Cuiabá. O gabinete do Palácio Paiaguás e o gabinete do não menos poderoso Tribunal de Contas do Estado entraram em rota de colisão.

 

Motivo: uma postagem enviada equivocada do governador a um grupo no Whatsapp. Nela Pedro Taques criticava duramente o presidente do Tribunal de Contas, conselheiro Antonio Joaquim pelo fato do Tribunal de Contas ter solicitado um tipo de informações à Secretaria de Estado da Fazenda.

 

A informação enviada ao Tribunal foi a de que o pedido não era legal porque feria o sigilo negocial das empresas exportadoras de grãos do estado. Vamos entender isso. A Lei Kandir, de 1996, isentou do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias as commodities agrícolas destinadas à exportação.

O Tribunal também saiu arranhado quando o governador exagerou na resposta e Antonio Joaquim na tréplica

 

Os grãos e o algodão industrializados ou consumidos dentro do Estado de Mato Grosso tem que pagar o ICMS. Há muitos anos vem a discussão baseada em denúncias e suposições de que os 75% desse tipo de exportação na realidade é menor. Muito do que é declarado como exportação seria consumido dentro do Estado, sonegando o ICMS. Seria crime.

 

Era esse dado que o Tribunal de Contas queria. O erro talvez tenha sido pedir a descrição das empresas exportadoras e os detalhes. Foi nisso que a Secretaria de Fazenda baseou-se pra negar o pedido. O Tribunal de Contas irritou-se com a negativa e ameaçou pedir na justiça a informação negada. Fez isso por declaração à imprensa.

 

Foi aí que o governador Pedro Taques baseou-se pra redigir uma mensagem no Whatsapp para uso interno do governo, mas foi enviada erroneamente pra outro grupo. Tornou-se público. Daí pra frente virou briga pública.

 

O presidente do Tribunal, Antonio Joaquim, político experiente e aguerrido respondeu irritado ao governador e este, por sua vez, irritado devolveu a resposta. Como o assunto rendeu muito na imprensa e virou uma briga entre chefes de poderes, o chefe da Casa Civil do governo, Paulo Taques, quis pôr sal no tempero e salgou ainda mais a sopa. Estes são os fatos aparentes. O que tem por detrás?

 

Nada menos do que as eleições de 2018 que se anteciparam assombrosamente a partir de uma guerra que poderia ter sido apenas administrativa. Antonio Joaquim foi posto no canto do ringue como candidato a governador em 2018. Isso tirou-lhe muito da autoridade de presidente do Tribunal de Contas nesse episódio.

 

O Tribunal também saiu arranhado quando o governador exagerou na resposta e Antonio Joaquim na tréplica. Mas o que dito nas entrelinhas? Leitura clara. Ambos são candidatos a governador no o que vem e a eleição já foi posta na mesa. Outras candidaturas também terão que se colocar pra não deixar a disputa polarizada nos dois. Pra encerrar: de quebra mudanças de partidos antecipadas no ar e alianças inesperadas no cenário. Aliás, esse cenário de 2018 já se mostra emocionante a partir disso tudo. 2018 bateu na porta!

 

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso onofreribeiro@onofreribeiro.com.br www.onofreribeiro.com.br




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